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Time de ouro na matemática de Brasília. Desempenho brilhante

Time de ouro na matemática de Brasília. Desempenho brilhanteFoto: CorreioWeb

Alunos do Distrito Federal brilham em olimpíada nacional e sonham alto quando falam sobre o futuro que os espera

Por Bruna Lima-correio Braziliense - 12/07/2019 - 08:40:19

A desafiadora matemática uniu trajetórias e sonhos de Everton Mendes de Almeida, 15 anos, e de Dayan Dias Oliveira, 12. Eles são medalhistas de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). No total, 26 estudantes da capital receberam a honraria.

Dayan: "Todos os pais deveriam estimular seus filhos a desenvolverem os próprios potenciais"


Na última semana, Everton fez a segunda viagem de avião. Foi a Salvador buscar o prêmio máximo, entregue a ele e a outros 574 estudantes dos quatro cantos do país, que competiram com mais de 18 mil participantes. A primeira vez que embarcou em uma aeronave foi no ano passado, também por ter se destacado em matemática. Ele havia ganhado um curso na área, em Florianópolis, por ter sido um dos 200 melhores brasileiros no Programa de Iniciação Científica (PIC), estudo que só passou a frequentar por ter conquistado menção honrosa e dois bronzes nas outras três edições da olimpíada de que participou. Na OBMEP de 2019, o agora estudante do 1º ano do ensino médio está selecionado para a segunda etapa.


Dayan também avançou para a próxima etapa da competição, como aluno do 7º ano do ensino fundamental. Das disciplinas escolares, sempre achou matemática a mais atraente e, por isso, aprende fácil. Paralelamente às aulas obrigatórias, no CEF 15 de Taguatinga, frequenta o Centro de Excelência de Altas Habilidades, com o foco em ciências exatas. Transita das aulas de raciocínio lógico a robótica, astronomia e música.

Everton:
Everton: "É paixão. É o que me fez acreditar mais, fazer mais e saber que eu posso ir além"


Habilidades

A cada novo interesse que surge, incentivo dos pais é o que não falta. Filho mais novo da professora de ciências Adriana Oliveira, 50, e do bancário Damárcio de Oliveira, 50, Dayan tem dentro do apartamento, em Águas Claras, um espaço dinâmico especialmente desenvolvido para aguçar a mente. “Todos os pais deveriam estimular seus filhos a desenvolverem os próprios potenciais. Ninguém nasce sabendo, e ajudar a criança a encontrar as habilidades, dar suporte e fortalecer é o nosso papel”, destaca Adriana.


O local para estudos de Everton foi montado no próprio quarto, que a cada dia parece ficar menor com a quantidade de livros que o adolescente traz para casa, na zona rural de Planaltina. O cantinho não parou de ganhar vida desde 2015, quando recebeu o que considera ser o primeiro grande reconhecimento e passou a enxergar nos cálculos uma chance de abrir novos horizontes. “Meu filho dizia que não ia conseguir fazer o que eu faço, então eu falava que, para isso, tinha que fazer diferente e estudar muito”, conta o pai, Zeno Mendes, 45, que trabalha como vigia da fazenda onde vive com os três filhos e a esposa, a diarista Sandra de Almeida, 31.


Apesar de há anos não conseguirem ajudar Everton com as tarefas de casa, Zeno, que não chegou a completar o ensino fundamental, e Sandra, que deixou o ensino médio pela metade, oferecem ensinamentos essenciais além das salas de aula do CEF Rio Preto e do CED Várzeas (antiga e atual escola de Everton, respectivamente). “A gente incentiva com nosso esforço, nos desdobrando para atender as necessidades dos nossos filhos para que, diferente de nós, eles não tenham que interromper os estudos. A nossa vitória é ver os frutos disso e o Everton sendo feliz por conseguir explorar a inteligência dele”, afirma orgulhoso o pai, que, antes mesmo da medalha, já chamava o filho de ‘menino de ouro’.

Everton Mendes (E), Mayara e Dayan Dias (Lavinya Andrade/OBMEP/Divulgação)
Everton Mendes (E), Mayara e Dayan Dias


A mesma definição também foi dada pela família e professores a Dayan. Ele estreou com ouro na competição e promete dar o máximo para manter o pódio nas outras seis edições em que poderá participar. “Quero ser recordista de medalhas e encerrar a Olimpíada sendo heptacampeão”, brinca.


Apesar de o reconhecimento ser um motivacional, o menino afirma que o esforço é feito por propósitos maiores. “Assim como eu sempre tive o apoio da minha família e dos meus professores, quero repassar isso. Incentivar outros colegas e mostrar esse poder que a matemática tem de nos ajudar a organizar o raciocínio e resolver todos os desafios”, conta Dayan, que planeja ser engenheiro mecatrônico.


Paixão

Everton estuda para seguir a mesma profissão. Quer aplicar as habilidades em cálculo, a criatividade e o olhar atento e curioso para desenvolver sistemas de automatização. Para ele, tudo gira em torno da matemática. “Vai muito além da lógica. É paixão. É o que me fez acreditar mais, buscar mais, fazer mais e saber que eu posso ir além”.


A conquista e a força de vontade de Everton inspiraram os irmãos e amigos da zona rural de Planaltina. “Sempre quis dar um bom exemplo para meus irmãos mais novos, mas acabou que foi além disso. A minha premiação serviu de incentivo até na escola. Quero poder levar essa força da matemática para o resto do Brasil, principalmente para as áreas que não são muito favorecidas como a minha”, espera.


Everton e Dayan são meninos de ouro que, desafiando as estatísticas, acabaram unidos pelo talento com os números e pela saga incessante em encontrar respostas a cada novo desafio.

Desempenho brilhante

Considerada a maior olimpíada estudantil do país, a OBMEP reuniu, em 2018, 54.498 instituições de ensino públicas e privadas de todo o Brasil. Com 26 ouros, o Distrito Federal se destacou entre os estados do Centro-Oeste. Na sequência, veio Mato Grosso do Sul (13), Goiás (12) e Mato Grosso (1).


Dos premiados da capital, apenas quatro eram estudantes de unidades gerenciadas pela Secretaria de Educação do DF. Os demais são alunos de instituições privadas ou de coléios militares. Além de Everton e Dayan, a estudante Mayara de Oliveira Pinheiro, 15 anos, foi a Salvador para a cerimônia, recebendo o ouro pela quarta vez.


“O mais importante que eu abstraí nesses anos com a OBMEP foi o sentimento de que sou capaz de conquistar meus objetivos, pois tudo começou com uma menção honrosa e, no outro ano, eu consegui a primeira medalha de ouro. Isso com certeza eu vou levar para o meu futuro”, conta Mayara, ex-aluna do CED 2 do Guará. Recentemente, ela se mudou para São Paulo, onde continua participando da olimpíada, desta vez, como aluna do 2º ano do ensino médio.


Criada em 2005 pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), a competição tem como metas estimular o estudo da Matemática, revelar talentos e promover a inclusão social.

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