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Trabalho em equipe é receita do sucesso. O desafio de alcançar as metas do Ideb

Trabalho em equipe é receita do sucesso. O desafio de alcançar as metas do IdebFoto: CorreioWeb

Cemi do Gama alcançou a melhor nota entre as escolas de ensino médio

Tainá Seixas - Correioweb - 16/09/2020 - 08:17:24

O Centro de Ensino Médio Integrado (Cemi) do Gama é a escola de ensino médio do DF com a melhor pontuação no Ideb. Um ponto acima da meta estipulada para a capital federal, com 6,2, a escola colhe os frutos de um esforço em conjunto entre coordenação e professores. De acordo com o diretor, Carlos Lafaiete Formiga, a instituição de ensino investiu no ensino em tempo integral para preparar melhor os alunos.

“O Cemi é uma família. Um trabalho engajado tanto da direção quanto dos professores, por meio de projetos integradores. Com o ganho das aulas de português e matemática, podemos trabalhar bastante. Em 2017, nós pegamos todos aqueles dados (do Ideb) e avaliamos as proficiências. Vimos onde estávamos errando e fizemos um trabalho para corrigir”, destaca o educador.

Outra escola número um é o Colégio Militar Tiradentes, no Setor Policial. Na etapa de anos finais do ensino fundamental, o colégio obteve nota 7,3 — bem acima dos 5,6 da meta ou de 5,1 da média do DF. Para o comandante Tenente-Coronel Ítalo Tomaz, a fórmula é a interação entre a equipe da escola, a família e os próprios alunos. Além disso, ele acredita que a estrutura da escola, que oferece aulas de reforço no contraturno das aulas, permite que os jovens sanem dúvidas que surgem durante as aulas.

“A educação tem que se basear na escuta: nós ouvimos o aluno, ouvimos os anseios dos pais, ouvimos sugestões e as acatamos. Existe toda uma equipe que está se dedicando integralmente para o sucesso dos nossos alunos. Eu fico até emocionado, porque significa que o trabalho está dando um resultado. A equipe e os pais são primordiais para o engrandecimento desses resultados, além do aluno, que é peça fundamental”, explica o comandante.

A diretora do CEF 5 de Brasília, Vanise Perciani Rega, já poderia ter se aposentado. No entanto, preferiu continuar trabalhando, porque acredita estar fazendo a diferença na vida de muitos jovens por meio do trabalho em conjunto com a equipe da escola. Com nota 5,8, a unidade de ensino é a terceira na capital na etapa do 6º ao 9º ano. Para a educadora, o espírito de comunidade é ingrediente fundamental. “Juntos, fazemos a diferença. Essa é a frase que perpassa todas as minhas coordenações. Acho que essa está sendo a principal diferença do CEF 5 de Brasília”, afirma a educadora.

O desafio de alcançar as metas do Ideb

Resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica de 2019 mostram que a capital federal, apesar da boa colocação em relação a outras unidades da Federação, não atingiu objetivos projetados para nenhuma das etapas da educação básica

O Distrito Federal registrou avanço no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2019. Mesmo assim, nenhuma das metas projetadas para anos iniciais e finais do ensino fundamental e para o ensino médio foram cumpridas. Os dados, divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram que a lacuna entre o nível alcançado e o objetivo estipulado aumenta ao longo das etapas da educação básica.

Nos anos iniciais do ensino fundamental — período do 1º ao 5° ano —, o DF foi uma das quatro unidades da Federação que não alcançaram o nível projetado, apesar de ser das poucas a obter nota superior a 6. Com a meta mais alta do Brasil na etapa, de 6,6, a capital ficou 0,1 ponto abaixo do objetivo, no recorte que abrange toda a rede de ensino. Considerando apenas as escolas públicas, o resultado foi 0,2 ponto abaixo do esperado. A capital ficou atrás apenas de São Paulo nesse índice.

Do 6º ao 9º anos, o DF registrou 0,5 ponto a menos do que a meta prevista, de 5,6. No ranking nacional, ocupa a quinta colocação, assim como Santa Catarina. Considerada apenas a rede pública, essa pontuação cai para 0,4. Em ambas etapas, os estudantes demonstraram melhor desempenho na prova de matemática do que na de português.

No ensino médio, a distância é ainda maior: a rede pública de ensino ficou 0,6 ponto abaixo da meta, de 5,2. Na rede particular, o indicador foi 0,9 ponto menor que o esperado. Por outro lado, a capital está entre as 12 unidades federativas com resultado superior a 4,2 pontos e tem a quinta melhor nota, ao lado de Pernambuco. A taxa de aprovação aferida nessa etapa do ensino também foi a mais baixa do DF: 80,7%.

Gestão

Para o secretário Executivo da Secretaria de Educação do DF, Fábio Sousa, investimentos nos anos iniciais da educação básica explicam os melhores resultados nessa etapa. Além disso, ele ressalta que as metas estipuladas para o DF são mais altas, devido aos bons resultados apresentados quando a curva foi projetada.

“Essa avaliação mostra que as políticas implementadas nesse ciclo de 2017, 2018 e 2019 estão sendo positivas, e é importante nós reforçarmos as políticas nas etapas certas”, avalia. “Vamos atingir essa meta em 2021, com investimento, principalmente, nos anos finais (da educação básica)”, garante o gestor.

Entre os investimentos, ele menciona aqueles em qualificação de professores, melhoria nas estruturas das escolas, construção de novas unidades de ensino, ampliação da oferta de ensino integral e investimento no ensino híbrido como prioridades da pasta para o próximo ciclo do Ideb.

O ex-governador Rodrigo Rollemberg, cuja gestão foi parcialmente avaliada pelos resultados divulgados, considera que a educação é processo de evolução e que a capital alcançará as metas previstas para o próximo ciclo. “Queremos atribuir esse resultado aos diretores, aos professores e aos coordenadores de ensino. Apesar de todas as dificuldades — a gente enfrentou muitas dificuldades em função da crise financeira vivida no governo —, estamos tendo uma evolução nas notas do Ideb.”

Investimento

De acordo com Célio da Cunha, professor da pós-graduação em educação da Universidade Católica de Brasília (UCB), falta de continuidade em políticas públicas voltadas para a educação explicam os resultados abaixo do esperado. “Toda essa instabilidade que o país vem vivendo há alguns anos naturalmente repercute na educação e na escola, porque a política da educação é fundamental e precisa ter um mínimo de coesão social. Você vê sucessivas trocas de secretário de Educação, ausência de continuidade nas políticas. As gestões precisam ter continuidade em termos de projetos: quem chega, continua o que vinha sendo feito, amplia e corrige se estiver errado. E, isso, nos últimos sete ou oito anos, foi quebrado”, analisa o especialista.

Por outro lado, os aumentos sucessivos nos índices mostram um cenário favorável para a educação na capital, de acordo com o professor Cleyton Hércules Gontijo, do programa de pós-graduação em educação da Universidade de Brasília (UnB). “É importante considerar a implantação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), pois muitas secretarias passaram a se dedicar nos últimos tempos a uma adequação de seus currículos. Os sistemas de ensino terem se reorganizado para se adequar (a ela) e, ainda assim, avançado nas metas, acredito que foi um fato positivo”, pondera.



Para saber mais

Objetivos traçados


As metas do Ideb foram traçadas em 2005, quando o Ministério da Educação e o Inep começaram a avaliar os sistemas público e privado de ensino no Brasil. A partir dos resultados da época, uma curva foi projetada até 2095, estabelecendo índices a serem alcançados a cada dois anos. A avaliação é baseada na taxa de aprovação das escolas e no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), em três diferentes etapas da educação básica: anos inicias do ensino fundamental (1º ao 5° ano), anos finais (6º ao 9º ano) e ensino médio.

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