O Brasil aparece em quinto lugar entre os 17 programas analisados nas Américas
Gabriela Cecchin-curitiba, Pr (folhapress) - 30/09/2026 19:53:44 | Foto: Reuters - Direitos reservados
O Uruguai lidera o ranking de países para ir morar depois de se aposentar, segundo o Global Retirement Report and Index 2026, da consultoria Global Citizen Solutions. O levantamento compara 46 programas de residência voltados a aposentados e pessoas com renda passiva que queiram morar no exterior nessa etapa.
A classificação considera cinco aspectos: qualidade de vida; mobilidade e possibilidade de obter cidadania; tributação; custos e investimentos; e facilidade do processo de residência. O Brasil aparece em quinto lugar entre os 17 programas analisados nas Américas.
A proposta é comparar as condições oferecidas por diferentes países a estrangeiros que têm renda para se manter e pretendem estabelecer residência no país depois de se aposentar. O ranking geral é liderado por Uruguai, Ilhas Maurício, Espanha, Costa Rica e Portugal. Os dez primeiros colocados estão separados por menos de quatro pontos.
VEJA O RANKING DE MELHORES PAÍSES PARA SE APOSENTAR NO EXTERIOR E COMO SE MUDAR
1º - Uruguai
2º - Ilhas Maurício
3º - Espanha
4º - Costa Rica
5º - Portugal
6º - Paraguai
7º - Letônia
8º - Andorra
9º - Itália
10º - Grécia
O Brasil é destacado pelo relatório principalmente pela rapidez do processo de residência. A estimativa apresentada é de três a cinco meses, período que coloca o país entre os programas mais rápidos analisados.
Segundo o relatório, para um aposentado de outro país vir morar no Brasil, é necessário ter renda de, no mínimo, US$ 2.000 (R$ 10,4 mil) mensais. O programa também permite a inclusão de pais dependentes, uma característica que pesa na avaliação do critério de inclusão familiar.
O país aparece ainda entre os cinco primeiros em duas classificações feitas pelo relatório: possibilidade de obtenção de uma segunda cidadania e facilidade para uma mudança internacional com a família. Nesse segundo grupo estão Espanha, Albânia, Brasil, Argentina e Uruguai.
A tributação, porém, reduz a pontuação brasileira nesse quesito. Segundo o relatório, Brasil e Chile tributam residentes sobre a renda mundial, enquanto países como Costa Rica e Paraguai têm vantagens relacionadas à tributação territorial.
A Global Citizen Solutions separa os programas de acordo com objetivos específicos. Para otimização tributária, lideram Ilhas Maurício, Emirados Árabes Unidos, Paraguai, Guatemala e Costa Rica. Para obtenção de uma segunda cidadania, Espanha, Uruguai, Brasil, Itália e Portugal.
Para eficiência de orçamento e capital, Paraguai, Uruguai, Ilhas Maurício, Letônia e Panamá. Para qualidade de vida, Espanha, Portugal, Nova Zelândia, Andorra e Áustria. Para mudança com a família, Espanha, Albânia, Brasil, Argentina e Uruguai.
O tempo necessário para conseguir a residência também varia bastante entre os programas. De acordo com o relatório, 30 dos 46 países analisados concluem o processo em até seis meses.
Em alguns casos, o prazo estimado é de cerca de um mês, como nos Emirados Árabes Unidos, Camboja e Sri Lanka. No outro extremo, Chipre pode levar cerca de 27 meses, enquanto Portugal aparece com prazo de 18 a 24 meses.
Quinze dos programas permitem levar pais dependentes ou outros familiares além de cônjuge e filhos. Outros 27 restringem a inclusão a cônjuge e filhos, enquanto quatro requerem pedidos separados para familiares.
O relatório ainda aponta que 24 dos 46 programas oferecem algum caminho para a cidadania em até cinco anos. Argentina, Uruguai, Paraguai e Equador estão entre os países com prazos mais curtos, enquanto o Brasil aparece com uma estimativa de cerca de quatro anos.
As regras de dupla cidadania variam entre os destinos. Segundo o levantamento, 33 dos 46 países permitem a manutenção de outra cidadania sem condições adicionais. Espanha, Letônia e Paraguai impõem algumas condições, e 11 países não permitem a dupla cidadania.
O relatório é produzido pela Global Citizen Solutions, consultoria especializada em migração e residência internacional. As posições são resultado da metodologia própria da empresa e servem como comparação entre os programas analisados, não como uma avaliação universal sobre qual país é mais adequado para todos os aposentados.
COMO MORAR NOS 10 PAÍSES MAIS BEM COLOCADOS PARA APOSENTADOS
1º - URUGUAI
O Uruguai não aparece na primeira posição em nenhum dos cinco pilares individualmente, mas teve desempenho consistente no conjunto. O país não ficou abaixo da 20ª posição em nenhum dos critérios avaliados, o que ajudou a colocá-lo no topo da classificação geral.
O programa uruguaio prevê residência permanente diretamente, sem uma etapa temporária. O relatório também destaca a possibilidade de inclusão de familiares, a exigência de comprovação de renda de US$ 1.700 mensais (aproximadamente R$ 8.800) e a possibilidade de obter a cidadania após três anos para pessoas casadas e cinco anos para solteiros.
Segundo a Dirección Nacional de Migración, o pedido pode ser iniciado pela internet e exige documento de identidade, certificado de antecedentes penais e certificado de vacinação, entre outros documentos. Documentos brasileiros não precisam de tradução para o espanhol. Brasileiros e paraguaios são isentos da taxa da residência definitiva.
2º - ILHAS MAURÍCIO
O país oferece uma categoria de residência para aposentados estrangeiros com 50 anos ou mais.
A autoridade de imigração informa que o pedido deve ser feito pessoalmente em Maurício. Há também um caminho para uma autorização de residência de longo prazo: depois de três anos como residente aposentado, o estrangeiro pode se qualificar para uma residência de 20 anos caso tenha transferido ao país pelo menos US$ 54 mil (R$ 280 mil) durante esse período.
3º - ESPANHA
O caminho para quem pretende viver na Espanha sem trabalhar é o visto de residência não lucrativa.
O governo espanhol informa que o solicitante precisa comprovar recursos equivalentes a 400% do Iprem (índice econômico oficial do país), e cada familiar adicional exige outros 100% do indicador. Com o Iprem de 600 euros mensais (R$ 3.550) neste ano, a exigência corresponde a 2.400 euros (R$ 14,2 mil) por mês para o titular e 600 euros por dependente.
O pedido deve ser feito pessoalmente no consulado espanhol correspondente à residência do interessado. Também são exigidos seguro de saúde, antecedentes criminais, atestado médico, passaporte e documentação que comprove os recursos financeiros.
O visto não permite exercer atividade profissional. Cônjuge ou companheiro e determinados filhos e ascendentes dependentes podem ser incluídos.
4º - COSTA RICA
A Costa Rica mantém a categoria migratória de pensionado, destinada a estrangeiros que recebem uma pensão vitalícia do exterior.
A legislação oficial estabelece renda mínima de US$ 1.000 (R$ 5.170) mensais para a categoria. A residência temporária pode ser concedida por até dois anos e renovada. O regulamento permite incluir cônjuge, filhos menores de 25 anos e filhos maiores com deficiência.
Depois de três anos consecutivos de residência temporária, o estrangeiro pode solicitar a residência permanente, conforme as condições previstas na legislação migratória.
5º - PORTUGAL
Portugal mantém o visto de residência destinado a reformados e pessoas que vivem de rendimentos próprios, categoria utilizada por aposentados que pretendem se estabelecer no país.
O pedido é feito presencialmente no posto consular português competente. A página oficial do governo, atualizada em 2026, informa prazo de decisão de 60 dias e taxa de 90 euros (R$ 530).
Entre os documentos exigidos estão passaporte, fotografias, seguro, certificado de antecedentes criminais, comprovante de alojamento e documentos que demonstrem os meios de subsistência e o recebimento da aposentadoria ou de outros rendimentos.
A legislação portuguesa vincula a comprovação dos meios de subsistência à remuneração mínima mensal garantida, hoje em 920 euros (R$ 5.400). Para o primeiro adulto, o parâmetro é de 100% desse valor; para o segundo adulto, 50% (R$ 2.700); e para cada filho ou maior dependente, 30% (R$ 1.600).
6º - PARAGUAI
Para brasileiros, o caminho migratório passa pelas regras do Mercosul. A Dirección Nacional de Migraciones inclui o Brasil entre os países cujos cidadãos podem solicitar residência temporária, concedida por até dois anos. Antes do vencimento, o estrangeiro pode solicitar a mudança para a residência permanente.
Para aposentados, a autoridade migratória aceita como comprovação de solvência econômica documento que indique o valor da aposentadoria ou pensão e a forma pela qual ela é recebida.
7º - LETÔNIA
Para a categoria de estrangeiro aposentado, a autoridade migratória da Letônia exige comprovação de meios de subsistência correspondente a duas vezes a média da aposentadoria por idade no país. Desde abril de 2026, o valor informado oficialmente é de 1.231 euros (R$ 7.280) mensais.
Para a obtenção do status de residente de longa duração da União Europeia, a regra geral exige cinco anos de residência legal e contínua, além de outros requisitos, entre eles a comprovação de conhecimento da língua letã.
8º - ANDORRA
Legislação aprovada em janeiro deste ano em Andorra elevou para 1 milhão de euros (R$ 5,86 milhões) o investimento mínimo exigido de quem busca a modalidade de residência sem atividade lucrativa, ou de 400 mil euros (R$ 2,35 milhões) se feito no Fundo de Habitação. O valor inclui diferentes tipos de ativos no país, como imóveis, participações em empresas, instrumentos financeiros e títulos públicos.
Além disso, o requerente deve fazer um depósito de 50 mil euros (R$ 293 mil), sem remuneração, junto à autoridade financeira de Andorra. O valor aumenta em 12 mil euros (R$ 70,3 mil) por dependente. A mudança faz com que o programa seja voltado a pessoas com patrimônio elevado.
9º - ITÁLIA
O caminho para quem pretende morar na Itália sem trabalhar é o visto de residência eletiva.
A documentação oficial italiana exige comprovação de recursos econômicos suficientes para a permanência no país, provenientes de fontes que não sejam trabalho, como aposentadoria, rendimentos patrimoniais ou outras fontes estáveis. Também é necessário comprovar uma moradia na Itália.
A documentação consular oficial estabelece como referência mínima 31 mil euros (R$ 181,6 mil) por ano. Para um cônjuge que também solicite o visto, a renda deve ser aumentada em pelo menos 20%.
Depois de chegar ao país, o estrangeiro deve solicitar a autorização de residência (permesso di soggiorno) dentro de oito dias.
10º - GRÉCIA
A Grécia oferece uma autorização de residência para pessoas financeiramente independentes, categoria que pode ser utilizada por aposentados que não pretendem trabalhar no país.
A autoridade administrativa da região da Ática informa atualmente renda mínima de 2.000 euros mensais para o titular, acrescida de 20% para o cônjuge e 15% para cada filho.
O interessado precisa obter um visto nacional tipo D e apresentar seguro privado e comprovação de renda estável. A autorização inicial tem validade de dois anos.
A taxa para a autorização é de 1.000 euros (R$ 5.860), além do custo de emissão do cartão de residência.
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