Você toma remédios de maneira correta? Veja dicas de especialistas da rede pública do DF

Secretaria da Saúde aponta os principais erros dos pacientes e alerta para riscos da automedicação ou indicação de medicamentos para terceiros

Você toma remédios de maneira correta? Veja dicas de especialistas da rede pública do DF
Você toma remédios de maneira correta? Veja dicas de especialistas da rede pública do DF

Agência Brasília* | Edição: Chico Neto - 18/03/2026 09:38:13 | Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde-DF

Incorporar medicamentos à rotina pode ser um desafio, tanto para pessoas que só precisam tomá-los por alguns dias quanto para aquelas que devem manter o uso ao longo de toda a vida. O problema é quando ocorrem erros que, a princípio, parecem simples, mas podem dificultar os tratamentos ou, em alguns casos, até piorar a situação.

Veja abaixo as principais dicas para não errar na medicação.

Indicação de amigo ou parente

Um dos problemas mais comuns é quando alguém da família toma um medicamento e, com boa vontade, indica aos amigos ou parentes. “As condições de saúde, ainda que tenham o mesmo nome e mesmo código CID [Classificação Internacional de Doenças], como a dor de cabeça, são únicas para cada pessoa”, explica o médico de família e comunidade Arthur Fernandes, da Secretaria de Saúde (SES-DF).

De acordo com ele, enquanto um paciente experimenta uma dor de cabeça como simples sinal de estresse após um dia de trabalho intenso, é possível que outro viva o mesmo problema com medo e preocupação.

“Talvez ele tenha um histórico familiar de AVC [acidente vascular cerebral]”, pontua. “Na medicina de família e comunidade, chamamos essas particularidades de experiência de doença.”

O problema se complica quando, segundo o médico, a recomendação de amigos ou parentes já não é mais para uma dor de cabeça, mas medicamentos que envolvem condições mais complexas, como na área de saúde mental ou reprodutiva: “Não é grave indicar uma dipirona para um familiar por uma dor simples, mas sim replicar esse comportamento de forma indiscriminada, principalmente envolvendo remédios controlados”.

Tratamento sem receita

O cenário se agrava ainda mais quando a utilização do medicamento não acompanha qualquer indicação profissional. Fernandes exemplifica, citando o uso da testosterona com a expectativa de melhorar o desempenho físico ou sexual: “Tomar uma substância que foi feita para tratar certa condição sem apresentar tal condição expõe a pessoa a efeitos desnecessários e potencialmente graves, como problemas metabólicos, cardíacos ou neurológicos, além de alterações de humor e corporais”.

De acordo com o médico, entre as mulheres, uma situação comum ocorre no tratamento de infecções urinárias: a paciente usa antibióticos variados por conta própria repetidas vezes, gerando resistência aos antimicrobianos. Isso acaba dificultando terapias futuras para o mesmo problema, sendo necessária a internação hospitalar para uso de antibiótico injetável.

A resistência aos antimicrobianos — capacidade de bactérias, vírus, fungos e parasitas sobreviverem aos efeitos de medicamentos como antibióticos, antifúngicos, antivirais, antimaláricos ou anti-helmínticos — é tema de ações globais de conscientização.

De acordo com o Ministério da Saúde, essa condição já causa 1,3 milhão de mortes diretas por ano e pode se tornar a principal causa de óbitos no planeta até 2050. O uso exagerado de antimicrobianos e o descarte inadequado de resíduos são os principais fatores que aceleram essa resistência.

Abandono de tratamento contínuo

A diretora de Assistência Farmacêutica da SES-DF, Sara Ramos, relata que, com frequência, há abandono de tratamentos contínuos, embora os remédios estejam à disposição. Os motivos variam do esquecimento à autoavaliação. “Achar, por conta própria, que o medicamento não está funcionando ou que já curou o que havia de errado é um equívoco”, esclarece.

Outro erro apontado pela farmacêutica é interromper o tratamento quando há desconforto com efeitos colaterais. “Deve-se sempre voltar ao profissional de saúde para fazer os ajustes necessários”, recomenda. Sara lembra que há condições de saúde invisíveis, como o colesterol alto, além de doenças que aparentam ter cura rápida, mas que se tornam perigosas quando há abandono do tratamento, como a tuberculose.

Acondicionamento dos medicamentos

A eficácia de um remédio também depende de seu armazenamento. Banheiros são úmidos, o que pode modificar as características do produto. Na cozinha, é preciso evitar o frio das geladeiras ou a proximidade de locais quentes, como fogões, fornos e parte externa da geladeira. “Até airfryer já pode ser uma zona de calor a ser evitada, pois esquenta quando o equipamento é ligado”, indica a farmacêutica.

O ideal é optar por locais secos, arejados, protegidos da luz e, se for o caso, fora do alcance de animais domésticos e de pessoas que precisam de supervisão, como crianças ou idosos. A manutenção da embalagem original, mantendo a bula dentro da caixa ou em local fácil de ser encontrado, é outra indicação.

*Com informações da Secretaria de Saúde

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