A adolescência e seus anseios

É um período onde tudo parece se renovar: pensamentos, emoções, corpos, gostos, desejos, direitos e responsabilidades vão, em um primeiro momento, abandonando o caráter da infância e abrindo espaço para um novo momento de vida

A adolescência e seus anseios
A adolescência e seus anseios

Casule.com - Foto: Divulgação - 30/11/-0001 00:00:00 | Foto:

A adolescência é uma fase marcada por diversas mudanças e transformações que variam de manifestações físicas à emocionais. É um período onde tudo parece se renovar: pensamentos, emoções, corpos, gostos, desejos, direitos e responsabilidades vão, em um primeiro momento, abandonando o caráter da infância e abrindo espaço para um novo momento de vida. Em contrapartida, na fase final da adolescência, o jovem já começa a se preparar para o mundo adulto.

Surge o anseio de constituir laços sociais mais sólidos fora do contexto familiar através da relação com amigos, amores ou parceiros. Essas novas relações trazem diferentes visões e ideais, que começam a mostrar de maneira mais explícita as particularidades do jovem.

Com tantas transformações é comum que novas experiências, dúvidas, incertezas e até afoitamentos apareçam e acabem, muitas vezes, bagunçando a cabeça do adolescente. Entrar e passar por essa fase pode se tornar um processo complicado e doloroso se não for bem assistido, orientado e claro para o jovem.

Nesse momento, o acompanhamento psicológico pode agir como agente facilitador para o adolescente.

Como funciona o atendimento para adolescentes?

A psicoterapia para adolescentes parte dos mesmos pressupostos teóricos da psicoterapia para adultos. As maiores especificidades são as adaptações nas formas de conduzir, aplicar técnicas, abordar e, acima de tudo, a escuta atenta e exclusiva voltada às necessidades dos jovens. Visa disponibilizar um espaço neutro de escuta atenta e compreensiva, onde o adolescente possa se sentir confortável e seguro para expressar suas angústias, frustrações, anseios e desejos. O ambiente terapêutico abre espaço para reflexões do jovem acerca de suas questões e sua nova significação do “existir”, possibilitando um amadurecimento e desenvolvimento pessoal.


Qual é o papel do psicólogo terapeuta?

O psicólogo deve facilitar e otimizar o processo da terapia. Através dos objetivos que a psicoterapia trás, cabe ao profissional organizar uma linguagem funcional para que aumente suas chances de sucesso do processo. É importante que o terapeuta auxilie na elaboração da empatia com o paciente criando uma relação saudável, segura e confortável e que explore a comunicação e recursos técnicos que se aproximem da realidade adolescente. Assim, a psicoterapia torna-se mais interessante ao paciente, que motivado, se empenha mais em cumprir seus objetivos.


Muitas vezes são os pais que procuram atendimento para seus filhos nessa faixa etária. Quando isso ocorre, é importante que haja um diálogo inicial com os pais para que o terapeuta se informe melhor sobre a demanda e as possíveis necessidades de seus filhos e, a partir daí, dê continuidade ao atendimento com os próprios adolescentes.

Quando procurar a terapia para adolescentes?

Uma maneira de identificar quando deve-se procurar o atendimento terapêutico para jovens é observar se suas respostas comportamentais e emocionais geram sofrimento ou prejudicam expressivamente sua adaptação acadêmica ou social. Se isto ocorrer, é provável que algumas habilidades estejam deficientes e gerem respostas disfuncionais ao adolescente, tornando-se crucial a procura por um profissional.

Nem sempre o paciente apresenta uma psicopatologia ou quadro clínico definido. É muito comum, nesse público específico, que a demanda seja a busca por estratégias, facilidades e maior compreensão do novo momento de vida e todas as modificações que surgem com ele. O adolescente vive exigências consigo mesmo, com o corpo e nas relações sociais e familiares que são interpretadas por eles como pressões, podendo gerar emoções e sentimentos extremamente fortes e desarranjados.

Qual o papel dos pais?

Os pais assumem papel singular no processo terapêutico de seus filhos, seja na fase da infância ou da adolescência. São eles os primeiros modelos de comportamento conhecidos pelos filhos e o contexto interpessoal é de suma importante para ajudar na construção do molde da terapia.

Nessa fase da vida a participação direta dos pais é de grande valia. Além de serem exemplos e referência aos filhos, devem se associar ao psicólogo e contribuir no processo da terapia para que possam caminhar no mesmo ritmo dentro ou fora do consultório, elevando a efetividade da intervenção.

Durante o processo, os pais podem assumir papel de consultores, trazendo informações presentes ou passadas importantes sobre os filhos; de colaboradores, auxiliando na condução das atividades e metas estabelecidas ao filho fora das sessões ou do consultório; e ainda de “copacientes”, quando os pais participam de algumas sessões junto com o adolescente para cumprir algumas intervenções específicas sobre como lidar com sintomas e reações apresentadas por ele.

É de suma importância também que ocorra o processo de psicoeducação com os pais para que eles se sintam mais seguros e estejam realmente mais aptos a ajudar o adolescente. Esse processo possibilita que os adultos responsáveis adquiram informações úteis acerca do transtorno ou demanda, e também do tratamento.

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