×
ContextoExato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 15 de dezembro de 2018


A gloriosa e trágica vida de Garrincha

A gloriosa e trágica vida de Garrincha

Garrincha foi um dos que poderia ter sido o melhor do Brasil se o Rei não tivesse nascido

Por: Desafío Mundial - Foto: Divulgação - 19/02/2018 - 07:41:59

Quando se fala sobre o futebol das seleções nacionais, é impossível não mencionar o peso específico que o Brasil tem nessa história. Se alguém decide se aprofundar no estudo do futebol da seleção Canarinho, torna-se inevitável mencionar grandes jogadores, e um deles é Garrincha.
Manuel Francisco dos Santos, mais conhecido como Mané Garrincha, foi um dos atacantes de maior sucesso da história do futebol. Esta é sua história, feita não só de capítulos bonitos e boas notícias, mas também habitada por situações horríveis…

Viveu à sombra de Pelé
Muitos jogadores excepcionais foram ofuscados pela genialidade de Pelé (ou de Maradona, se pensamos na Argentina). Garrincha foi um dos que poderia ter sido o melhor do Brasil se o Rei não tivesse nascido. Nos anos 50 e 60, este jogador decolou com a seleção do Brasil.

Conquistou duas Copas do Mundo
Garrincha integrou uma seleção brasileira que se cansou de dominar o panorama do futebol. Dos 60 confrontos internacionais que disputou, só perdeu um jogo e levou o título das copas da Suécia, em 1958, e do Chile, em 1962. Ainda que Garrincha não tenha marcados gols nas finais, os placares foram, respectivamente, de 5 a 2, contra a Suécia, e 3 a 1 contra a Tchecoslováquia.

Corpo imperfeito
Ainda que soe paradoxal, o corpo de Garrincha não era fisicamente comum ou habitual para um jogador de futebol. Seus pés formavam um ângulo de 80 graus para dentro, sua perna direita era 6 centímetros maior que a esquerda e ele tinha a coluna torta. Dá pra imaginar o que seria se tivesse um corpo perfeito?

A razão do seu apelido
Garrincha foi um apelido dado pelos seus irmãos por ele, supostamente, parecer-se a um pássaro comum nas florestas do Mato Grosso. Sua enorme velocidade e seu físico privilegiado eram outras das características que o faziam assemelhar-se à ave.

“Eu não vivo a vida, ela me vive”
Embora o fumo e o consumo de álcool não fossem repudiados e recusados no ambiente do futebol décadas atrás, o esporte foi se profissionalizando e esses hábitos foram sendo deixados de lado. Nesse momento, ele fumava (coisa que fazia desde os 10 anos) e também tinha problemas com o consumo alcoólico.

Jogou dez anos no mesmo clube
Uma situação que pareceria impossível no futebol nos dias de hoje, que se movimenta por cifras muito altas, Manuel Francisco permaneceu 10 anos no Botafogo. Lá conquistou três campeonatos cariocas. Depois disso, representou o Corinthians, a Portuguesa Santista, o Junior de Barranquilla na Colômbia, o Flamengo, o Red Star París e o Olaria.

Seu corpo desapareceu
No ano de 2017, seu corpo desapareceu do cemitério onde foi enterrado, em Magé, sua cidade natal. Uma funcionária do cemitério declarou: “Não temos certeza de que ele esteja enterrado. Sabemos que seu corpo foi exumado e levado para uma gaveta, mas não há um documento que comprove isso.”

Foi pai de 14 filhos
Ter filhos espalhados pelo mundo parece ser algo habitual entre jogadores de futebol que não têm valores muito sólidos ou não sabem lidar com tanta popularidade e dinheiro. Foram 14 os filhos que reconheceu, entre aqueles de mulheres e amantes. Seu caminho até o sucesso foi manchado também por esse aspecto.

Um estádio com seu nome
O Estádio Nacional de Brasília se chama Mané Garrincha em homenagem a sua pessoa. Foi o segundo estádio mais importante da Copa do Mundo de 2014 depois da construção do Maracanã. Ele foi construído primeiramente em 1974, mas depois, em 2010, foi reformado e hoje abriga uma estrutura com capacidade para 70 mil pessoas.

Não esteve no Maracanaço
A histórica derrota do Brasil para o Uruguay na final da copa de 1950, chamada de Maracanaço, não foi vivida pelo ponta-direita brasileiro. O jogador preferiu ir pescar e não teve notícias do fatídico encontro que ficou marcado na história do futebol. Aquele encontro em que um empate era suficiente para que o Brasil, que jogava em casa, fosse campeão, começou em vantagem, mas acabou com o vice-campeonato.

Uma questão de atitude
Garrincha sempre considerou o futebol como um trabalho, diferentemente de outros jogadores que o viam como uma atividade prazerosa que, além disso, era muito rentável. É por isso que, no começo da sua carreira, quando foi fazer um teste do Vasco, ele não foi aceito por não estar de chuteiras. E, no Fluminense, ele foi embora antes de terminar a prática do teste.

Sua família numerosa
Mané se casou três vezes e teve 14 filhos. Foram oito os que teve com sua primeira mulher, Nair. Depois teve um com a cantora Elza Soares, dois com Iraci, uma com Vanderléa, um com uma sueca cujo nome não se sabe e a última com Alcina. Assim como gols, ele também distribuiu amor pelo mundo afora.

O melhor driblador de todos os tempos?
O que o atacante mostrava dentro de campo era um show, um espetáculo que enchia os olhos com sua habilidade. Ele conseguiu ultrapassar a barreira do esporte e contagiar o público e, por isso, é considerado por muitos o dono do melhor drible de todos os tempos. Mudava de direção, iludia e driblava com facilidade.

Não sentia paixão pelo futebol
É comum que muitos jogadores desejem o ofício que lhe deu de comer toda a sua vida antes mesmo de praticá-lo ou de aprender, no caminho, a amá-lo. Isso não aconteceu com Garrincha, que trabalhou numa fábrica têxtil e que, antes de começar no futebol, pensava que era um esporte que não se devia levar a sério.

Não estava apto para jogar na Copa
A notícia que o Brasil revelou na prévia do mundial que se deu na Suécia, em 1958, foi que Garrincha não havia passado no exame psicotécnico. Ele obteve apenas 38 pontos, quando eram necessários 123 para superar a avaliação. “Ele é fraco mentalmente, não apto para se desenvolver num jogo coletivo”, comentou João de Carvalhaes, psicólogo do time.

Brilhou na ausência de Pelé
Na Copa do Chile, em 1962, Pelé sofreu uma lesão que fez com que Garrincha ganhasse mais protagonismo. O Rei só disputou o primeiro jogo contra o México e parte contra a Tchecoslováquia antes de abandonar o embate. Manuel Francisco do Santos foi um dos muitos artilheiros do torneio com 4 gols.

Morreu por causa do álcool
Uma vida de abusos que começou muito cedo marcou o final de sua experiência neste mundo. Aos 50 anos, ele faleceu por causa de seu alcoolismo crônico, algo que nunca pôde superar desde que começou a beber. Foi o único problema que esse jogador tão habilidoso não conseguiu driblar.

A admiração de Pelé
“Era capaz de fazer coisas com a bola que nenhum outro jogador podia fazer. Sem Garrincha, eu nunca teria sido tricampeão do mundo” foram as palavras de Pelé em relação a seu colega de equipe. O que marca a importância destes dois astros é que, com os dois em campo, o Brasil não perdeu nenhum jogo na história.

Tem um filme
Foi o cineasta Joaquim Pedro de Andrade que realizou um dos primeiros filmes baseados em sua vida. O título Garrincha, alegria do povo inspirou-se no sentimento que o mítico atacante despertava nos demais. O documentário estreou em 1962 e expôs tanto o lado positivo como o negativo da vida do craque.

Mito ou verdade?
Há uma história que diz que Garrincha era o único jogador irritado quando o árbitro francês Marcel Guigue marcou o fim daquele jogo decisivo na Suécia, em 1958, contra os locais. A razão teria sido a vontade do ponteiro de continuar jogando e fazer o que ele mais gostava: esquivar-se dos adversários.

Foi velado no Maracanã
O estádio onde Garrincha mais proporcionou alegrias ao longo de sua vida futebolística foi também o recinto que abrigou sua despedida deste mundo, onde foi velado. A bandeira do Botafogo, seu eterno time, foi protagonista daquela trágica noite na história do futebol vivida no Maracanã.

Vivia para se divertir
Uma demonstração do que era viver para esse brilhante jogador se vê nas declarações feitas por Walter Roque, o ex-treinador da Venezuela de origem uruguaia: “Ele esteve mais tempo conosco, os uruguaios, porque a gente ria com ele”. E acrescentou: “Os outros brasileiros eram sérios não podiam brincar como ele”.

Um brincalhão
Sua personalidade fora de campo marcava seu estilo dentro dos limites do gramado verde. Tinha essa essência brincalhona como quando fugia dos treinos ou fazia piadas com seus colegas. Num confronto com uma equipe inglesa, ele se sentou em cima da bola porque ninguém o marcava. Inusitado!

Nasceu e morreu pobre
Garrincha saiu de um bairro marginal de Magé, cidade do estado do Rio de Janeiro. A falta de uma concepção de mundo e de contenção acabou fazendo com que, anos depois, ele acabasse se tornando alcoólatra. Apesar de dar nome a um dos estados mais caros do Brasil 2014, as homenagens não lhe deram de comer e ele morreu do jeito que começou: na pobreza.

Humilde
O que todos destacam desse grande jogador é que sempre manteve sua humildade e sua inocência. A mesma que tinha no bairro e a mesma que teve ao conquistar, por duas vezes, a Copa do Mundo. Dizem que guardava os cheques sem saber que eles venciam e que a única coisa que lhe importava era o futebol… o futebol, o álcool e as mulheres, na verdade.

Não conheceu um de seus filhos
Desse festival de filhos que o ponta deixou espalhados pelo mundo, um deles tem uma história particular: Ulf Lindberg, concebido durante o Mundial da Suécia em 1958, quando o Brasil foi campeão. Em 2005, Ulf viajou ao Brasil para conhecer a história de seu pai, já que nunca pôde vê-lo em pessoa.

Descansa sozinho e em paz
O coveiro que se encarrega do cemitério onde o craque ex-Botafogo está enterrado descreveu de uma maneira arrepiante a situação do seu túmulo: “Só o visitam o vento e a chuva”. E pensar que o atacante durante anos fez tantas pessoas felizes, que gritavam, em coro, seu nome…

Fez parte de um ataque histórico
Assim como em 2016 se destacaram Cristiano Ronaldo, Karim Benzema e Gareth Bale ou Lionel Messi, Luis Suárez e Neymar Junior, no fim dos anos 50 se destacaram outros. Pelé, Mario Zagallo, Vavá e Garrincha brilharam naquele torneio no qual todos iam atrás da referência principal: o Rei.

Como foi seu declínio?
Até os 29 anos, seu corpo resistiu bem ao álcool, à cortisona e à quantidade de chutes que ele acumulava no seu dia a dia. Foi aí que isso, somado a sua operação dos meniscos, começou a pesar sobre ele, que acabou tendo que abandonar o futebol de maneira brusca.

Estrela solitária
Estrela solitária foi o título do filme que resume a vida do atacante. Ele se baseia na Copa do Chile, em 1962, na qual os astros foram Mané Garrincha e Pelé. Eles levaram o Brasil a um novo campeonato, mas também conseguiram estabelecer a seleção como uma potência mundial.

O estado deplorável de sua casa
A lenda do Botafogo tinha uma casa no distrito de Pau Grande, em Magé, onde ele morou por grande parte da sua vida, enquanto jogava nesse clube. Dois agentes bancários se dirigiram a sua casa e encontraram dinheiro apodrecendo nos armários: algo típico de Garrincha, a quem não importavam as coisas materiais.

A alegria
Devido a sua personalidade, a como tratava seus colegas, a como era com os adversários e, sobretudo, ao carinho e alegria que oferecia aos espectadores, Garrincha despediu-se com uma frase no seu epitáfio que diz: “Aqui descansa em paz o homem que foi a alegria do povo”.

Uma mensagem para todos
A vida de Garrincha pode servir aos demais esportistas e seres humanos como uma ilustração das consequências do abuso do álcool e de não ter um controle real de sua própria vida. Uma lição que server no trabalho, depois da competição ou em momento prévio: tudo interfere no rendimento e, acima de tudo, na vida.

Sua sogra faleceu em sua presença
Devido a seu problema com o álcool, Mané chegou a ter vários acidentes de trânsito. Seu estado de embriaguez ao volante era um perigo constante e foi assim que se envolveu em vários acidentes, como o de 1969. Naquele ano, ele viajava com sua sogra e, ao bater contra um caminhão, ela faleceu.

“Eu ri muito com Garrincha!”
Todos os testemunhos que ficaram sobre essa estrela do Brasil são positivos em relação a sua forma de ser e ao seu companheirismo. Arturo Segovia Pacheco foi um jogador do Junior de Barranquilla, onde dividiu equipe com ele. “Sem dúvidas, Dida era um grande jogador, mas Garrincha era uma coisa à parte”, expressou.


A razões de sua morte
Em janeiro de 1983, Garrincha faleceu depois de ter vivido abandonado pelo resto das pessoas. Os médicos explicaram que a causa de seu falecimento foi uma congestão pulmonar, pancreatite e pericardite. Todas essas doenças estavam baseadas num quadro de alcoolismo crônico.

Declarações depois da morte
Fiquem tranquilos! Sabemos que os mortos não podem falar, mas neste caso pode-se dizer que sim. Um ano depois da sua morte, revelou-se uma entrevista completa de Garrincha para a revista ESPN em que não falava bem de Pelé. “Pelé é um sem vergonha, virou estrela agora”, disse quando se aposentou, quando o Rei não o visitava.

Tinha largado a bebida
Em outro fragmento da entrevista que apareceu depois de sua morte, Garrincha explicava que tinha deixado de beber por recomendação médica. Apesar de estar ciente da sua condição, pessoas se aproximavam oferecendo-lhe uma cerveja, oferta que ele recusava.

Títulos pessoais
Ainda que o louro mais importante que um jogador de futebol possa receber seja levantar uma Taça do Mundo, Garrincha pôde obter também outras três distinções. Em 1962, foi eleito o melhor jogador da Copa, em 2004 foi selecionado como o oitavo melhor jogador do século e, em 2006, como o quarto melhor sul-americano do século.


 

Comentários para "A gloriosa e trágica vida de Garrincha":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório