A pedido de delegação chinesa, TCDF apresenta iniciativas do DF voltadas à gestão ambiental

A programação foi construída a partir do intercâmbio formado entre a Corte e o Beijing Municipal Audit Bureau, voltado à troca de experiências relacionadas à fiscalização de temas como gestão de resíduos, sustentabilidade e prevenção de incêndios florestais

A pedido de delegação chinesa, TCDF apresenta iniciativas do DF voltadas à gestão ambiental
A pedido de delegação chinesa, TCDF apresenta iniciativas do DF voltadas à gestão ambiental

Luciana Corrêa/tribunal De Contas Do Df - 15/09/2026 07:12:35 | Foto: Tribunal de Contas do DF

O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) acompanhou, na última quinta-feira (10), uma comitiva formada por 21 representantes do órgão de auditoria de Pequim em uma visita técnica a iniciativas ambientais e de prevenção de incêndios desenvolvidas pelo Governo do Distrito Federal. A programação foi construída a partir do intercâmbio formado entre a Corte e o Beijing Municipal Audit Bureau, voltado à troca de experiências relacionadas à fiscalização de temas como gestão de resíduos, sustentabilidade e prevenção de incêndios florestais.

O TCDF articulou uma agenda que incluiu a Usina de Tratamento Mecânico-Biológico (UTMB), em Ceilândia, e o projeto de monitoramento inteligente de incêndios desenvolvida pela Universidade de Brasília (UnB) em parceria com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do DF (Sema-DF). A comitiva e a equipe do tribunal visitaram projetos reconhecidos pelo impacto ambiental, social e tecnológico.

O roteiro foi estruturado para apresentar diferentes formas de aplicação das políticas ambientais no DF, desde a gestão sustentável de resíduos sólidos até o uso de tecnologias avançadas para monitoramento ambiental. A proposta era mostrar como órgãos públicos, universidades e centros de pesquisa atuam de forma integrada na busca por soluções para desafios ambientais complexos.

O presidente do TCDF, conselheiro Manoel de Andrade, destacou o valor da cooperação entre instituições e da troca de conhecimentos promovida durante a visita. “Precisamos, em nome de Brasília, agradecer à delegação chinesa. Foram praticamente 72 horas de muita aprendizagem. O mundo precisa de sinergia e de troca de conhecimentos para superar desafios e aproximar as pessoas”, afirmou.

A escolha de um dos temas abordados junto à comitiva dialoga com ações recentes de controle externo desenvolvidas pelo TCDF. Em 2025, a Corte identificou a relevância de aprofundar a fiscalização das políticas de prevenção e combate aos incêndios florestais no DF. A medida foi motivada por informações que apontam milhares de ocorrências registradas nos últimos anos e desafios relacionados à prevenção, ao monitoramento e à resposta aos incêndios.

Na Decisão nº 4522/2025, o Tribunal determinou que o tema seja incluído no próximo ciclo de planejamento das fiscalizações, permitindo uma avaliação mais aprofundada das ações governamentais voltadas à proteção ambiental.

Experiências do DF

A primeira parada da comitiva foi a Usina de Tratamento Mecânico-Biológico (UTMB), localizada no P Sul, em Ceilândia. A unidade integra o sistema de gestão de resíduos sólidos do DF e é considerada uma das maiores estruturas de compostagem da América Latina. No local, os visitantes conheceram as etapas de separação e tratamento dos resíduos urbanos, que possibilitam o aproveitamento de materiais recicláveis e da fração orgânica.

A visita à UTMB permitiu à delegação conhecer uma experiência de economia circular aplicada à gestão de resíduos urbanos. Na unidade, resíduos orgânicos são transformados em composto utilizado por produtores rurais, em um modelo que alia destinação ambientalmente adequada, reaproveitamento de materiais e geração de benefícios para a agricultura local.

A segunda etapa da visita levou a delegação à Universidade de Brasília (UnB), onde foi apresentada uma solução tecnológica desenvolvida para ampliar a capacidade de prevenção e resposta a incêndios florestais no Cerrado. O projeto, denominado Semfogo-DF II, utiliza câmeras de alta resolução, inteligência artificial e visão computacional para identificar sinais de fumaça e possíveis focos de incêndio ainda nos estágios iniciais, além de gerar alertas para os órgãos responsáveis pelo combate.

Segundo os responsáveis pelo projeto, a tecnologia reduziu o tempo de identificação de possíveis focos de incêndio de cerca de 10 minutos para aproximadamente 1 minuto e 30 segundos, permitindo uma resposta mais rápida dos órgãos responsáveis e aumentando as chances de conter focos ainda em estágio inicial.

A iniciativa foi incluída no roteiro por dialogar diretamente com um dos desafios ambientais enfrentados pelo Distrito Federal. Segundo dados apresentados durante a visita, o DF registrou mais de 10 mil ocorrências de incêndios florestais em 2022. Em 2024, o território enfrentou períodos críticos de queimadas, incluindo um incêndio de grandes proporções no Parque Nacional de Brasília, que atingiu aproximadamente 2 mil hectares.

Também participaram da agenda o subchefe de gabinete do Tribunal, Luciano Ramos; o chefe da Assessoria Técnica do Gabinete da Presidência (GPAT), Klinger Henrique Queiroz de Souza; a analista administrativa de controle externo, Ana Cristina Borges Carvalho; e o auditor de controle externo, Paulo Egídio.

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