Acordo com americanos por terras raras vai permitir crescimento da Serra Verde, diz empresa

Acordo com americanos por terras raras vai permitir crescimento da Serra Verde, diz presidente da empresa

Acordo com americanos por terras raras vai permitir crescimento da Serra Verde, diz empresa
Acordo com americanos por terras raras vai permitir crescimento da Serra Verde, diz empresa

Felipe Gutierrez São Paulo, Sp (folhapress) - 21/04/2026 16:45:47 | Foto: De acordo com a mineradora brasileira, o negócio possibilitará a criação da maior empresa global do ramo | Crédito: Reprodução/Linkedin/Serra Verde Group

A mineradora brasileira de terras raras Serra Verde foi adquirida pela americana USA Rare Earth e fechou um contrato que prevê preços mínimos para dois elementos, disprósio e térbio, que terão cotações garantidas.

O acordo garantirá receitas mais previsíveis, abrindo caminho para investimentos mais seguros, disse o presidente da companhia, Ricardo Grossi, que é também COO (diretor de operações).

Historicamente, segundo Grossi, esses produtos são vendidos por preços que não refletem seu valor real. "Passamos a ter maior visibilidade de receitas e condições mais seguras para investir, preservando a participação em qualquer valorização acima desses níveis", disse.

A USA Rare Earth anunciou na segunda-feira (20) a compra da Serra Verde, mineradora de terras raras em operação no estado de Goiás, por US$ 2,8 bilhões. O pagamento será em dinheiro e ações, e a conclusão da transação está prevista para o terceiro trimestre de 2026.

Terras raras são 17 elementos químicos de difícil extração e refino. Alguns são importantes para a indústria de ímãs para veículos elétricos, energia renovável e sistemas de defesa.

Também está previsto um contrato de compra antecipada da produção que está programada para ocorrer no futuro. Nos próximos 15 anos, toda a extração da primeira fase da mina Pela Ema, na cidade de Minaçu (GO), será vendida a uma empresa de propósito específico capitalizada pelo governo dos EUA.

Para Grossi, o acordo dá à companhia a previsibilidade comercial e "uma base sólida de receitas, reduz o risco ao longo do ciclo".

A meta inicial é atingir produção de cerca de 6.400 toneladas de óxidos de terras raras até o fim de 2027. Ainda se avalia a possibilidade de uma expansão para dobrar a capacidade da mina.

Grossi também afirmou que a equipe brasileira manterá papel na operação após a aquisição. O trabalho na mina em Minaçu continuará a ser liderada localmente, com foco no ramp-up (aumento gradual da produção), segundo ele.

Como toda a produção da fase inicial já está comprometida com o contrato de longo prazo, uma eventual demanda brasileira pelo material não poderia ser atendida por ora. Grossi reconheceu a limitação, mas sinalizou que o cenário deve mudar: "À medida que a empresa evoluir, incluindo com uma potencial expansão futura, as possibilidades de atender diferentes mercados e clientes também irão, naturalmente, se ampliar".

O executivo também descartou a necessidade de aprovação do governo brasileiro para o contrato. "Acordos de offtake (compra garantida) são muito comuns e fazem parte normal de muitas indústrias, incluindo a mineração e a agricultura", afirmou.

OPERAÇÕES PASSADAS
Em fevereiro deste ano, a Serra Verde anunciou que um banco estatal dos Estados Unidos aumentou para US$ 565 milhões o financiamento concedido à empresa. Com isso, o governo americano passou a ter o direito de adquirir uma participação acionária minoritária na mineradora.

Em novembro de 2025, a companhia já havia anunciado que o DFC (Development Finance Corporation) tinha se comprometido a aportar US$ 465 milhões na empresa.

RAIO-X | Serra Verde e USA Rare Earth
Serra Verde
Fundação: 2010
Origem: Minaçu (GO)
Atuação: extração e processamento de terras raras no depósito Pela Ema, com foco em neodímio, praseodímio, térbio, disprósio e ítrio
Receita: Não divulga dados abertos, mas projeta um Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) anualizado entre US$ 550 milhões a US$ 650 milhões até 2027
Prejuízo: Não divulga dados abertos
Investimentos totais: US$ 1,1 bilhão desde a fundação
USA Rare Earth
Fundação: 2019
Origem: Stillwater (Oklahoma, EUA)
Atuação: Mineração, separação, metalização e fabricação de ímãs permanentes; opera na jazida de Round Top Mountain, no oeste do Texas, depósito de granito rico em gálio, berílio e lítio
Receita: US$ 1,6 milhão em 2025
Prejuízo: US$ 59,5 milhões em 2025
Investimentos totais: em fase de pré-produção, recebeu US$ 40,5 milhões entre 2024 e 2025 (sem registro de anos anteriores)

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