×
ContextoExato

Contexto Exato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 28 de novembro de 2021

Agronegócio do Brasil perderá US$ 10 bilhões com acordo de China e EUA, diz o Insper

Agronegócio do Brasil perderá US$ 10 bilhões com acordo de China e EUA, diz o InsperFoto: Tribuna da Internet

Jank, do Insper, analisa as consequência do acordo comercial

Arthur Cagliari-folha-tribuna Da Internet - 24/12/2019 - 20:09:35

Em um cenário de fim da guerra comercial entre China e Estados Unidos, num primeiro momento as exportações brasileiras para o país asiático podem recuar US$ 10 bilhões, segundo projeção feitas pelo Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa). O montante equivale a 28% das vendas do agronegócio brasileiro para os chineses.

O impacto é calculado a partir do que os produtos agrícolas do Brasil perderiam se a China viesse a cumprir as medidas que foram anunciadas pelo governo americano na semana passada. Uma delas estabelece que os chineses devem elevar a importação do agronegócio americano.


R$ 32 BILHÕES – Segundo o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, os chineses se comprometeram a incrementar o volume de importação em produtos agrícolas dos americanos em US$ 32 bilhões nos próximos dois anos.

Esse acréscimo ocorreria sobre uma base de US$ 24 bilhões –que equivale ao total de produtos agrícolas exportado pelos americanos em 2017, antes de guerra comercial.

Para cumprir essa parte do acordo, os chineses teriam que comprar entre US$ 50 bilhões e US$ 60 bilhões do agronegócio dos EUA em dois anos –valores que, mesmo se analisados anualmente, estão muito distantes dos US$ 13,2 bilhões exportados em 2018 pelos americanos aos asiáticos.

TERIA DE OPTAR – O problema, segundo análise feita pelo Insper, é que, para recuperar os US$ 24 bilhões anteriores à guerra comercial e ainda acrescentar mais US$ 32 bilhões, em apenas dois anos, a China teria de deixar de comprar de outros fornecedores, como o Brasil.

“Em um cenário otimista para os americanos, em que eles consigam exportar US$ 30 bilhões para os chineses, como ocorreu em no seu maior pico, a China ainda teria que encontrar um caminho para os outros US$ 25 bilhões”, disse Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global.

“Parte disso vai vir do que nós exportamos hoje. Então é possível que voltemos ao patamar anterior a guerra comercial, perdendo cerca de US$ 10 bilhões em exportações de produtos agrícolas”, assinala.

CRESCIMENTO – As vendas do agronegócio brasileiro para os chineses tiveram um crescimento acentuado em 2018, enquanto as dos americanos despencaram. As exportações de produtos agrícolas do Brasil passaram de US$ 26,6 bilhões em 2017 para US$ 35,4 bilhões no ano passado. Enquanto isso, no mesmo período, os produtos americanos recuaram de US$ 24 bilhões para US$ 13,2 bilhões.

“Se a China suspender a taxação sobre os produtos americanos, a primeira coisa que vai ocorrer é o reequilíbrio nas vendas de soja [dos EUA aos chineses]. A soja devolve para os americanos entre US$ 11 bilhões e US$ 12 bilhões. Agora de onde virá todo o resto que o acordo prevê?”, afirmou Jank.

Os valores restantes podem vir de outros produtos da pauta agrícola dominada pelo Brasil, e que têm os EUA como grande concorrente. Carne de frango e o algodão são os exemplos destacados pelo Insper.

FRANGO E ALGODÃO – No caso da carne de frango, o produto brasileiro domina o mercado chinês há quase uma década, sendo que no ano passado os produtores brasileiros exportaram mais de US$ 1,1 bilhão em frango, enquanto os americanos não chegaram em US$ 100 milhões.

Já na situação do algodão, os Estados Unidos dominaram por muito tempo o mercado do gigante asiático, mas neste ano o Brasil deve bater seu recorde e encostar nos americanos. A projeção é que a exportação brasileira fique em US$ 711 milhões em 2019, ante os US$ 714 milhões dos americanos.

Além desses mercados, os chineses podem rever as compras de carne bovina de fornecedores americanos, cuja participação é inexpressiva, enquanto a do Brasil é predominante (vide a atual alta do preço do produto no mercado brasileiro com a forte demanda dos chineses).

OUTROS PRODUTOS – Já no que tange à carne suína, embora os EUA superem o Brasil, as exportações brasileiras têm apresentado um crescimento expressivo, com menos de US$ 14 milhões em 2010 para algo em torno de US$ 570 milhões neste ano.

Jank disse ainda que houve uma quebra de safra nos EUA, o que vai dificultar a reposição rápida do volume das exportações ao anterior ao da disputa. “Isso demoraria mais do que dois anos. Então mais uma vez, chegar em US$ 55 bilhões nesse período parece inexequível”, disse.

Assim, para conseguir responder a demanda prevista num eventual acordo pleno com o governo Trump, os chineses teriam que fazer concessões para novos produtos, o que também pode impactar o Brasil. “Os chineses podem criar um sistema preferencial para os Estados Unidos, como o de milho, arroz e etanol”, segundo o coordenador do Insper.

SISTEMA PREFERENCIAL – Embora aberturas preferenciais, como a desenhada acima, possam ser questionadas na OMC (Organização Mundial do Comércio), Jank lembra que há meios para os chineses contornarem a situação e também há a questão do desmonte da entidade, com o enfraquecimento do Órgão de Apelação. “Os chineses não podem conceder a outro país da OMC um tratamento privilegiado sem fazer a mesma concessão aos outros países- membros. A única maneira para fazer isso é utilizando suas empresas estatais para fazer as compras”, disse.

“E nós vamos reclamar para quem? A não nomeação dos juízes da OMC é exatamente o mundo em que a gente vai viver agora, de toma lá da cá. É complicado o mundo em que estamos vivendo”, conclui Jank.

Comentários para "Agronegócio do Brasil perderá US$ 10 bilhões com acordo de China e EUA, diz o Insper":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório
Necessidade crítica de um setor de commodities agrícolas resiliente para cumprir os compromissos da COP26

Necessidade crítica de um setor de commodities agrícolas resiliente para cumprir os compromissos da COP26

Com compromissos renovados na COP26, a Airbus, a CottonConnect, a Earthworm Foundation, a Tropical Forest Alliance e o World Resources Institute solicitaram ações colaborativas em todas as cadeias de suprimentos durante a mesa redonda da RSPO de 2021 para conseguir um impacto positivo para os povos e o planeta

Ministra da Agricultura saúda decisão chinesa de autorizar entrada de carne brasileira

Ministra da Agricultura saúda decisão chinesa de autorizar entrada de carne brasileira

Segundo a ministra, trata-se do primeiro passo para a retomada integral das exportações do produto brasileiro.

Mapa: 89% dos vegetais comercializados são seguros para consumo

Mapa: 89% dos vegetais comercializados são seguros para consumo

Amostras para o levantamento foram coletadas em 2019 e 2020

Pesquisa inédita no DF vai coletar dados de 6 mil domicílios rurais

Pesquisa inédita no DF vai coletar dados de 6 mil domicílios rurais

Pdad permitirá aperfeiçoar políticas públicas para moradores dessas áreas do DF; empresa que fará o levantamento será contratada por pregão eletrônico

Liberação de crédito rural em 2021 no DF chega a R$ 8,8 milhões

Liberação de crédito rural em 2021 no DF chega a R$ 8,8 milhões

Valor corresponde aos meses de janeiro a outubro e já é maior do que em todo o ano de 2020

Fazendas já conseguem reduzir as emissões de metano no Brasil

Fazendas já conseguem reduzir as emissões de metano no Brasil

Um método que propicia mais eficiência é o de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), que mistura ao menos dois desses sistemas produtivos em uma mesma propriedade.

Como fazer compostagem de resíduos orgânicos

Como fazer compostagem de resíduos orgânicos

Processo é alternativa ao descarte em lixo

Agrovila do MST recebe certificação de produção agroecológica em Castro, Paraná

Agrovila do MST recebe certificação de produção agroecológica em Castro, Paraná

Conquista reflete o esforço coletivo de 40 famílias

Alho orgânico direto do DF para o mercado de São Paulo

Alho orgânico direto do DF para o mercado de São Paulo

Renan e Katiana ampliaram a área de plantio e investem no potencial da região

‘Põe na Cesta’ ganha reconhecimento em nível nacional

‘Põe na Cesta’ ganha reconhecimento em nível nacional

Ministério da Saúde e OMS situam iniciativa do DF entre as dez melhores do país no incentivo à produção de frutas, legumes e verduras

Campanha da Emater-DF orienta sobre uso correto do herbicida 2,4-D

Campanha da Emater-DF orienta sobre uso correto do herbicida 2,4-D

Campanha vai orientar sobre temas como tecnologia de aplicação e aspectos de segurança do trabalhador em relação à pulverização de agrotóxicos