PIB acelera no 1º trimestre e cresce 1,1% com destaque do agro e impulso do consumo
Leonardo Vieceli E Eduardo Cucolo-rio De Janeiro, Rj, E São Paulo, Sp (folhapress) - 29/05/2026 16:45:58 | Foto: © VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL
Os três grandes setores da economia brasileira mostraram crescimento no PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre de 2026, apontam dados divulgados nesta sexta-feira (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Na comparação com os três últimos meses de 2025, o IBGE destacou o avanço da agropecuária, que foi de 2%, acima dos verificados na indústria (1%) e nos serviços (0,5%). A economia, em termos gerais, cresceu 1,1%.
A agropecuária teve a maior alta desde o primeiro trimestre do ano passado, quando o setor teve forte expansão de 15,8%. O primeiro trimestre é o período do ano que concentra o impacto da safra de grãos no PIB.
A agropecuária, a indústria e os serviços integram o cálculo do indicador pela ótica da oferta. O principal setor é o de serviços, que responde por cerca de 70% do PIB.
O intervalo de janeiro a março registrou novos sinais de força do mercado de trabalho em 2026, além de medidas de estímulo do governo Lula (PT) à economia, como liberação de crédito, reajuste do salário mínimo e isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 por mês.
Esses fatores, segundo analistas, beneficiaram a produção de parte dos bens industriais e dos serviços.
Por outro lado, o país convive com endividamento das famílias em trajetória de alta e juros elevados para conter a inflação, o que dificulta o consumo e os investimentos.
A inflação passou a ser pressionada pela guerra no Irã, que gerou disparada do petróleo no mercado internacional. A escalada das cotações causou aumento de preços de combustíveis no Brasil.
PIB acelera no 1º trimestre e cresce 1,1% com destaque do agro e impulso do consumo
LEONARDO VIECELI E EDUARDO CUCOL-RIO DE JANEIRO, RJ, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A economia brasileira acelerou no primeiro trimestre de 2026, com crescimento de 1,1% em relação aos três últimos meses do ano passado, apontam dados do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados nesta sexta (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Houve destaque da agropecuária, que avançou 2%, e impulso do consumo das famílias, com alta de 1%.
A variação do PIB foi a maior em quatro trimestres, desde o primeiro de 2025 (1,3%). O resultado veio após três trimestres consecutivos de relativa estabilidade, com taxas próximas a zero.
O avanço de 1,1% ficou praticamente em linha com a mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 1%, conforme a agência Bloomberg. O intervalo das estimativas ia de 0,6% a 1,7%.
Analistas dizem que o crescimento em 2026, ano de eleições no país, tende a ser maior no período de janeiro a março do que nos trimestres seguintes.
A perspectiva de perda de ritmo está associada ao fim do impulso da safra de grãos, concentrado no PIB de janeiro a março.
Juros ainda elevados para conter a inflação, aumento de preços com a guerra no Irã, endividamento das famílias e incertezas eleitorais também são apontados como desafios para o consumo e os investimentos produtivos no restante do ano.
Caso as previsões se confirmem, o PIB terá uma trajetória semelhante à do ano passado, quando a expansão ficou mais localizada no primeiro trimestre.
Analistas preveem alta próxima a 2% para a economia no acumulado de 2026, após avanço de 2,3% em 2025.
"É um primeiro semestre em que a gente cresce um pouco mais e um segundo semestre em que a economia anda mais de lado. No ano, vamos garantir um crescimento perto de 2%", afirma o economista-chefe do Sicredi, André Nunes de Nunes.
"Não é recessão. Não é um dado ruim", acrescenta.
AGRO CRESCE ACIMA DE INDÚSTRIA E SERVIÇOS
Pela ótica da produção, o IBGE destacou em nota o crescimento da agropecuária (2%), que ficou acima da indústria (1%) e dos serviços (0,5%).
Houve influência da safra de soja. A estimativa é de aumento de 4,8% para a produção do grão em 2026, segundo o instituto.
A variação de 2% da agropecuária, contudo, foi menor do que a registrada pelo setor nos três meses iniciais de 2025 (15,8%), 2024 (3,4%) e 2023 (14,9%).
O IBGE também citou a contribuição da extrativa mineral (3,6%) e de outras atividades de serviços (0,8%) para o PIB do primeiro trimestre deste ano.
O ramo extrativo integra a indústria e teve impulso da produção de petróleo e gás. Assim como a agropecuária, é visto por analistas como um segmento menos sensível ao choque de juros e com presença relevante no mercado externo.
Já as outras atividades fazem parte dos serviços. Elas incluem, por exemplo, serviços pessoais, alimentação e alojamento, além de saúde e educação na rede privada.
Dentro da indústria, o ramo de transformação ficou estagnado. Variou apenas 0,1% em relação aos três últimos meses de 2025.
CONSUMO ACELERA E DÁ IMPULSO
Quando a análise considera o PIB pela ótica da demanda, o IBGE chamou a atenção para o consumo das famílias, cuja alta acelerou a 1% no primeiro trimestre.
Foi a maior taxa desse componente em seis trimestres, desde o terceiro de 2024 (1,4%). O consumo responde por cerca de 65% do PIB pelo lado da demanda.
"É o agregado com mais peso e contribuiu para o maior crescimento da economia este trimestre", disse o novo coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Ricardo Montes de Moraes.
Outra contribuição foi a dos investimentos produtivos, que cresceram 3,5%. A nova taxa, porém, veio após uma queda de 3,4% no quarto trimestre de 2025.
A retomada foi associada por analistas a investimentos na construção, que integra a indústria no cálculo do PIB. A construção aumentou 2,9% no primeiro trimestre, após queda de 2,4% nos três meses anteriores.
"É um ano eleitoral. Várias obras de infraestrutura acabam sendo lançadas, e tem também programas de habitação do governo", afirma o economista-chefe do Sicredi, André Nunes de Nunes.
MERCADO DE TRABALHO E ESTÍMULOS DO GOVERNO IMPACTAM
No início de 2026, o mercado de trabalho deu novos sinais de força, com desemprego baixo e renda em alta.
Segundo analistas, isso beneficiou o consumo, assim como o estímulo de medidas do governo Lula (PT) antes das eleições.
A lista de incentivos do governo incluiu liberação de crédito, valorização do salário mínimo, manutenção de programas sociais e isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 por mês, indica o economista Rodolpho Sartori, da agência classificadora de risco Austin Rating.
"Tem um cabo de guerra. Por um lado, há os estímulos vindos do governo federal e, por outro, uma taxa de juros que prende a atividade."
Na visão de Sartori, o nível elevado dos juros é o "mal necessário" para conter a inflação, que passou a ser pressionada pela guerra no Irã.
O conflito iniciado em 28 de fevereiro gerou disparada das cotações do petróleo, afetando os preços dos combustíveis no Brasil.
A carestia em ano eleitoral preocupa o governo, que lançou ações para conter o aumento dos preços dos combustíveis. Lula deve tentar a reeleição em outubro.
A desaceleração do PIB ao longo de 2026 já era esperada, e a guerra tornou essa perspectiva ainda evidente, afirma a economista Juliana Trece, coordenadora do núcleo de contas nacionais do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).
Segundo ela, a pressão inflacionária provocada pelo conflito pode deixar o BC (Banco Central) mais cauteloso na condução da política monetária.
A taxa básica de juros (Selic) começou 2026 em 15% ao ano, caindo a 14,75% em março e a 14,5% em abril.
"A gente deve ter os [próximos] trimestres com resultados próximos a zero, mas não negativos", afirma Juliana.
O FGV Ibre trabalha com uma projeção de alta de 1,7% para o PIB no acumulado deste ano.
Na mediana, as projeções do mercado financeiro apontam avanço de 1,89% para a economia em 2026, conforme a edição mais recente do boletim Focus, publicada pelo BC na segunda (25). O Ministério da Fazenda trabalha com uma expectativa maior, de 2,3%.
Os estímulos do governo em ano eleitoral acenderam alerta de uma parcela dos analistas que vê risco de prejuízos à política do BC de combate à inflação.
MUDANÇA NO IBGE
A divulgação do PIB desta sexta foi a primeira da nova equipe do IBGE responsável pelos cálculos.
No início do ano, a gestão do presidente Marcio Pochmann anunciou a exoneração da pesquisadora Rebeca Palis do cargo de coordenadora de contas nacionais.
O departamento é o responsável pelo PIB. Rebeca foi substituída pelo servidor Ricardo Montes de Moraes.
Com a mudança, outros técnicos da mesma área pediram exoneração.
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