Os produtos foram fabricados em 3 e 4 de abril de 2026 e têm validade até abril de 2027
Gabriela Cecchin-são Paulo, Sp (folhapress) - 16/07/2026 16:30:14 | Foto: Mamba Water/Divulgação
VITOR HUGO BATISTA-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou nesta quarta-feira (15) o recolhimento de dois lotes de água Mamba Water após a detecção da bactéria Pseudomonas aeruginosa, a mesma encontrada recentemente em produtos Ypê.
Consumidores que tiverem produtos dos lotes afetados devem interromper o consumo. A medida afeta a Mamba Water Água Mineral sem Gás, em lata de 350 ml, dos lotes 13 e 14. O lote 13 foi fabricado em 3 de abril de 2026 e tem validade até 3 de abril de 2027. O lote 14 foi fabricado em 4 de abril de 2026, com validade até 4 de abril de 2027.
A ingestão de pequenas quantidades da bactéria geralmente não causa doença em pessoas saudáveis, mas o risco aumenta em caso de exposição a uma carga bacteriana elevada e entre pessoas imunossuprimidas ou gravemente enfermas, segundo especialistas.
"Quando a carga bacteriana é muito elevada ou a pessoa apresenta fatores de risco, a bactéria pode causar uma infecção. Nesses casos, pode provocar gastroenterite, com sintomas como diarreia, dor abdominal, náusea e vômito", afirma Gabriela Leite de Camargo, infectologista do Hospital Pró-Cardíaco, da Rede Américas.
"Se houver febre, vômito persistente, diarreia intensa ou piora clínica, [o consumidor deve] procurar atendimento", diz Henrique Lacerda, infectologista do Hospital Brasília, da Rede Américas. "Não se deve tomar antibiótico por conta própria", acrescenta.
Em nota ao mercado, a Mamba Water afirma que cerca de 82% do volume dos lotes envolvidos já havia sido bloqueado preventivamente e permanecia fora de circulação comercial.
A empresa diz não ter registro de reclamações ou de impactos à saúde de consumidores relacionados aos lotes em seus canais de atendimento. A marca orienta que consumidores que tenham unidades dos lotes afetados não consumam o produto e entrem em contato para solicitar reembolso.
A Pseudomonas aeruginosa esteve recentemente no centro de uma medida da Anvisa contra produtos da Ypê. A agência determinou o recolhimento de lotes de detergentes, sabão líquido para lavar roupas e desinfetantes da marca e suspendeu a produção na fábrica da Química Amparo, em Amparo (SP), após identificar falhas em etapas críticas do processo produtivo.
Presente em ambientes hospitalares, a Pseudomonas aeruginosa é até cem vezes mais resistente a antibióticos do que bactérias comuns. Possui uma taxa global de mortalidade que pode variar de 32% a 58% em casos graves, como infecções na corrente sanguínea ou pneumonia associada à ventilação.
A bactéria é considerada oportunista, ou seja, o risco de quadros graves tende a ser maior entre pessoas com o sistema imunológico comprometido, como pacientes com câncer, com HIV, transplantados, idosos e internados em unidades de terapia intensiva. O tratamento é feito com antibióticos.
"É uma bactéria que tem mecanismos naturais e adquiridos de resistência, e isso pode limitar bastante o antibiótico disponível para tratar aquela infecção", afirma Lacerda.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) identifica a resistência antimicrobiana como uma das dez principais ameaças à saúde pública mundial.
Um estudo da Universidade Politécnica de Hong Kong, publicado em 2025 na revista Microorganisms, classifica a Pseudomonas aeruginosa como uma das principais causas de infecções hospitalares.
Os pesquisadores destacam a capacidade de formar biofilmes, colônias protegidas por uma matriz viscosa que atua como um escudo físico, permitindo que a bactéria sobreviva até mesmo em ambientes hostis, como frascos de produtos de limpeza.
Em pessoas saudáveis, a pele e as mucosas normalmente dificultam a entrada do microrganismo. O risco, porém, depende de fatores como a quantidade de bactérias presente e a forma de exposição.
Em ambiente doméstico, o contato com a Pseudomonas aeruginosa pode causar irritação na pele, alergias, coceiras e ardências nos olhos. Há ainda riscos de problemas respiratórios e dermatite, uma inflamação na pele caracterizadas por coceira, vermelhidão e descamação.
Anvisa suspende lotes de água Mamba Water com mesma bactéria encontrada em produtos Ypê e Crystal
A Anvisa suspendeu a venda e consumo dos lotes 13 e 14 da água mineral sem gás Mamba Water, envasada em latas de 350 ml, após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa durante análises de controle de qualidade. Os produtos foram fabricados em 3 e 4 de abril de 2026 e têm validade até abril de 2027.
Segundo a agência, o recolhimento foi solicitado de forma voluntária pela fabricante HNK BR Indústria de Bebidas após a detecção da bactéria em análises de rotina. A empresa informou à Anvisa que os lotes afetados são restritos à água mineral sem gás em lata de 350 ml.
Em comunicado, a Mamba Water afirma que não há registro de reclamações de consumidores nem de impactos à saúde relacionados aos produtos recolhidos. Segundo a empresa, cerca de 82% do volume dos lotes já havia sido bloqueado preventivamente e permanece fora de circulação. A fabricante informa ainda que medidas corretivas foram adotadas junto ao fornecedor.
A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria encontrada naturalmente na água e no solo. Ela ganhou notoriedade no Brasil após ser detectada em lotes de detergentes da Ypê recolhidos pela Anvisa. Em pessoas saudáveis, o risco costuma ser baixo, mas a bactéria pode provocar infecções em indivíduos imunossuprimidos.
Vale lembrar que detergentes e desinfetantes da Ypê produzidos a partir de 1º de janeiro de
2026, bem como lava-roupas líquidos fabricados desde 31 de março, já foram liberados pela agência. A empresa ainda não informou como será o recolhimento dos lotes anteriores.
Apesar de classificar a ocorrência como pontual, a Mamba Water orienta que consumidores que possuam unidades dos lotes 13 e 14 não consumam o produto.
Os consumidores poderão solicitar reembolso sem custo por meio do SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) a partir desta quinta-feira (16), pelo e-mail contato@mambawater.com.br ou pelo telefone 08008881090, de segunda a sábado, das 9h às 21h.
De acordo com a Mamba Water, em pessoas saudáveis o risco associado ao consumo é considerado baixo. Já indivíduos com o sistema imunológico comprometido, como pessoas imunossuprimidas ou com doenças preexistentes, podem apresentar maior risco de complicações e devem procurar assistência médica caso tenham ingerido o produto.
Segundo a Anvisa, a presença da bactéria em água mineral está fora dos padrões microbiológicos permitidos pela legislação sanitária, motivo pelo qual os lotes foram recolhidos.
No mês passado, o órgão já havia suspendido lotes de água mineral Crystal, também devido à presença da Pseudomonas aeruginosas.
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