Aposta em tecnologia nuclear quer salvar 1 bilhão de toneladas de comida

Enquanto milhões passam fome, um quinto de tudo o que chega ao prato vai para o lixo; prejuízo de US$ 400 bilhões destrói recursos e acelera crise climática; para virar esse jogo, agências FAO e Aiea unem forças na iniciativa Atoms4Food

Aposta em tecnologia nuclear quer salvar 1 bilhão de toneladas de comida
Aposta em tecnologia nuclear quer salvar 1 bilhão de toneladas de comida

Agência Onu News - 05/10/2026 11:40:07 | Foto: © Adobe/Arie Studio

As Nações Unidas declaram que o mundo vive uma crise global silenciosa: de um lado, a fome; do outro, o desperdício de um quinto de toda a comida produzida no mundo.

Como um dos pontos centrais dessa crise, cerca de 1 bilhão de toneladas de alimentos são desperdiçadas por ano. É o equivalente a quase 20% de todos os alimentos comestíveis destinados aos consumidores.

Principais pontos da crise alimentar
O impacto é arrasador para a economia global, sobrecarrega os recursos naturais e impulsiona as emissões de gases de efeito estufa.

O prejuízo econômico chega a US$ 400 bilhões, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, FAO. A agência aponta que 13,2% dos alimentos são perdidos antes mesmo de chegar às prateleiras, gerando baixas financeiras gigantescas para o setor agrícola e a cadeia de suprimentos.

Para combater o problema, uma parceria entre a FAO e a Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, aposta em ampliar a validade dos alimentos via irradiação nuclear.

Alimentos seguros por mais tempo
Nessa iniciativa, o Centro Conjunto FAO/Aiea aplica técnicas de irradiação que eliminam microrganismos para prolongar o frescor dos produtos, mantendo os alimentos seguros por mais tempo e reduzindo as perdas durante o transporte.

Existem ainda diagnósticos avançados que protegem a cadeia de suprimentos: os testes laboratoriais isotópicos e de base nuclear, que detectam rapidamente resíduos de pesticidas e toxinas. Essa precisão evita que alimentos seguros sejam descartados desnecessariamente por atrasos na fiscalização.

Em outra frente, há o incentivo a culturas resistentes ao clima e ao controle de pragas. A indução de mutações por radiação e a Técnica do Inseto Estéril, TIE, protegem as lavouras contra o estresse climático, doenças e pragas invasoras prevenindo grandes perdas no campo antes mesmo que a colheita chegue ao mercado.

A lógica da irradiação de alimentos
A irradiação de alimentos é um processo que expõe os produtos a doses controladas de radiação ionizante, como raios gama, raios X ou feixes de elétrons de alta energia.

O método destrói patógenos nocivos e desacelera a deterioração natural dos alimentos, sem alterar seu sabor e sem torná-los radioativos.

As duas agências atuam juntas em iniciativas colocando essa inovação nuclear em prática como a Atoms4Food, ou átomos pela comida em tradução livre.

A expectativa é que, ao proteger colheitas, reforçar a segurança alimentar e otimizar o comércio internacional, a ciência nuclear se torne uma das aliadas mais poderosas na construção de um futuro sustentável e sem desperdício.

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