×
ContextoExato

Contexto Exato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 22 de maio de 2022

'Brasil deve ser o único país onde a vacina foi derrota para o presidente'

'Brasil deve ser o único país onde a vacina foi derrota para o presidente'Foto: Portal Notibras

O Brasil deve ser o único país onde o início da vacinação representou uma derrota política para o presidente.

Editorial - Estadão Conteúdo - 19/01/2021 - 06:17:00

O Brasil deve ser o único país do mundo onde o início da vacinação da população contra a covid-19 representou uma derrota política para o presidente da República. Foi assim porque Jair Bolsonaro em nenhum momento trabalhou com seriedade para conseguir um imunizante para os brasileiros. Ao contrário. Do alto do cargo que ocupa, fez o que podia e o que não podia para sabotar os esforços dos que lutaram incansavelmente para viabilizar a única solução para uma tragédia que já matou mais de 210 mil pessoas no País e levou milhões ao desemprego e à extrema pobreza.

Apesar das forças contrárias, da negação da realidade e de uma sórdida campanha de desinformação, prevaleceram a ciência, a boa governança e o espírito público dos agentes de Estado. E a Nação assistiu, enfim, ao início da tão ansiada campanha de vacinação.

Dois fatores foram decisivos para que na tarde de domingo passado a enfermeira Mônica Calazans, que trabalha na UTI do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na capital paulista, se tornasse a primeira brasileira a ser vacinada contra o novo coronavírus, evento que permitiu a seus concidadãos dar um suspiro de alívio e a esperança de que, embora ainda haja um longo caminho a ser percorrido, ao menos agora se vislumbra o fim deste pesadelo.

O primeiro fator foi o empenho do governo do Estado de São Paulo em firmar parceria com o Instituto Butantan e uma empresa farmacêutica internacional, a Sinovac Life Science, da China. Em meados de junho do ano passado, o governador João Doria anunciou o acordo com o laboratório chinês. A partir de então, organizou-se um minucioso processo para que a Coronavac fosse testada no Brasil e, uma vez aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pudesse ser produzida aqui pelo Butantan. Ato contínuo, teve início a campanha de Bolsonaro contra o que chamou de “vacina chinesa do Doria”. Em outubro de 2020, convém lembrar, o presidente chegou a afirmar que o Ministério da Saúde “não compraria a vacina”.

Igualmente determinante para o início da vacinação sem mais delongas foi a postura técnica e republicana dos servidores da Anvisa, que não se dobraram a pressões de natureza política, como se temia, e pautaram sua decisão por critérios rigorosamente científicos. Foi o que se viu durante a minuciosa apresentação da análise da Coronavac e da vacina da Universidade de Oxford e do laboratório AstraZeneca, que será produzida pela Fiocruz.

A Anvisa foi além e negou veementemente a existência de um “tratamento precoce” contra a covid-19, ao contrário do que o presidente e o Ministério da Saúde preconizam aos quatro ventos. Só as vacinas hão de pôr fim às aflições dos brasileiros, afirmou a agência.

Se pressão houve, foi a do tempo. Em apenas nove dias, os técnicos da Anvisa se debruçaram sobre centenas de documentos sobre ambos os imunizantes, concluindo que, em que pesem algumas pendências de dados a serem sanadas pelos laboratórios nas próximas semanas, os benefícios da aplicação imediata das vacinas superam muito os riscos. A transparência da reunião deu ao País a segurança de que nada parece ter escapado ao olhar rigoroso dos técnicos da Anvisa. Melhor assim.

Um importantíssimo passo foi dado com o início da vacinação dos grupos prioritários em São Paulo, primeiramente, e em outros Estados. Mas não se pode perder de vista que o País ainda não tem a quantidade de doses suficiente para vacinar toda a população-alvo, qual seja, os maiores de 18 anos. Cabe ao Ministério da Saúde fazer o que lhe compete e organizar um plano nacional de vacinação digno do nome. Urge garantir os estoques de vacinas e insumos acessórios para que todos os brasileiros que devem ser imunizados o sejam o quanto antes. Apenas com a Coronavac não se atingirá a cobertura vacinal apta a garantir a imunidade necessária para frear o espalhamento do vírus.

Comentários para "'Brasil deve ser o único país onde a vacina foi derrota para o presidente'":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório
Operação no Pará interdita garimpo ilegal de manganês e apreende 2.4t de minério

Operação no Pará interdita garimpo ilegal de manganês e apreende 2.4t de minério

No último domingo, 15, cerca de 800 toneladas de manganês foram apreendidas pela PRF na BR-155, em Marabá. O minério estava sendo transportado de forma ilegal, num comboio de 14 carretas

Projeto da ONU busca preservar a floresta amazônica no Maranhão

Projeto da ONU busca preservar a floresta amazônica no Maranhão

Unep Grid Arendal/Riccardo Pravettoni Plantações na Amazônia brasileira

Crise climática pode ser combatida com monetização de reflorestamento

Crise climática pode ser combatida com monetização de reflorestamento

Brasil tem vantagem competitiva com créditos de carbono

“É difícil lidar com um sistema que engessa a gente”, diz curadora indígena que deixou o Masp

“É difícil lidar com um sistema que engessa a gente”, diz curadora indígena que deixou o Masp

Sandra Benites pediu demissão do museu depois que seis fotos sobre o MST e a luta indígenas foram vetadas de uma mostra

Como os indígenas preservam o pirarucu

Como os indígenas preservam o pirarucu

Comunidades adotam o plano de manejo que gera renda e salva o gigante amazônico da extinção

Santa Catarina é destaque na geração de empregos no país

Santa Catarina é destaque na geração de empregos no país

Ampla oferta não garante contratação imediata

Pandemia evidencia violação de direitos humanos na agropecuária

Pandemia evidencia violação de direitos humanos na agropecuária

Antes da crise sanitária, 19,2% do total de pessoas empregadas na América Latina já estava em emprego rural

Biogás ganha protagonismo no setor de energia do Brasil através de investimentos e novas regulações

Biogás ganha protagonismo no setor de energia do Brasil através de investimentos e novas regulações

Segundo associações de gás brasileiras, 25 novas usinas têm orçamento de mais de R$ 55 bilhões para, até 2030, ofertar 30 milhões de m3/dia do combustível. O biogás também é uma alternativa para volatilidade do preço do óleo diesel.

Mais de 20% de médicos recém-formados migram para outros estados

Mais de 20% de médicos recém-formados migram para outros estados

'A migração interna de médicos é determinada por questões econômicas, sociais e demográficas, há fatores individuais e profissionais associados à decisão de mudar', afirma Mauro Ribeiro, presidente do CFM

Grupo MM fala dos desafios do mercado de eventos na retomada ao mundo presencial

Grupo MM fala dos desafios do mercado de eventos na retomada ao mundo presencial

O desafio agora, segundo Meire é reformatar o mercado, a partir das novas ferramentas e tecnologias que foram criadas durante a pandemia

Ibama remove servidor que investigou maus tratos a girafas no RJ; Categoria denuncia retaliação

Ibama remove servidor que investigou maus tratos a girafas no RJ; Categoria denuncia retaliação

Mudança de cargo foi determinada por militar indicado por Bolsonaro; servidores veem desmonte da fiscalização