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Brasil ultrapassa a marca de 17 mil vítimas fatais pela pandemia e Bolsonaro discute volta do futebol

Brasil ultrapassa a marca de 17 mil vítimas fatais pela pandemia e Bolsonaro discute volta do futebolFoto: Tribuna da Internet

Sem distanciamento e sem pudor, o retrato da falta de compromisso

Deu Na Folha - Tribuna Da Internet - 20/05/2020 - 09:45:40

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) recebeu nesta terça-feira, dia 19, Rodolfo Landim e Alexandre Campello, mandatários de Flamengo e Vasco, no Palácio do Planalto. A reunião não estava prevista na agenda oficial de Bolsonaro. Até o final da tarde, a Secretaria Especial de Comunicação Social do Governo Federal não havia informado o motivo do encontro.

Bolsonaro voltou a manifestar o desejo de ver a retomada do futebol no país, que já ultrapassou a marca de 17 mil mortos pela Covid-19 e ainda não atingiu o pico da doença. Ele disse a Landim e Campello que isso seria importante para a sociedade e serviria como um passo para a volta à normalidade em meio à pandemia.

ATIVIDADES PARALISADAS – Por causa do vírus, o esporte está paralisado no Brasil desde a primeira quinzena de março. Poucos países do mundo retomaram suas atividades esportivas até agora.

No último fim de semana, a Alemanha voltou a ter jogos da Bundesliga, mas sem a presença de público nas partidas e sob um rígido protocolo sanitário. O país já registrou 8.176 mortes por Covid-19, mas já passou pelo pico do contágio e aos poucos implementa medidas de relaxamento da quarentena.

Durante o encontro, os dois presidentes se mostraram simpáticos à ideia de retomada do futebol, mas não se comprometeram com uma data para reiniciar os treinamentos.

RESULTADOS POSITIVOS – O Flamengo já realizou uma bateria de exames em que 38 dos 293 testados (13%) entre atletas, membros da comissão técnica, outros funcionários e seus familiares tiveram resultados positivos para o novo coronavírus.

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos) vetou o reinício das atividades nos clubes. Segundo ele, podem se reapresentar apenas os atletas que necessitam de sessões de fisioterapia. Bolsonaro citou a possibilidade de os clubes do Rio treinarem em Brasília. Flamengo e Vasco poderiam utilizar as instalações do estádio Mané Garrincha. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, já havia feito essa oferta.

RECEIO – Embora propensos a aceitá-las, os clubes têm receio da reação de seus elencos e torcedores. Segundo o Globoesporte.com, o Flamengo estuda pagar a hospedagem de familiares dos atletas, se a ideia vingar.

Também estiveram presentes na reunião, em que não foram respeitadas orientações de distanciamento social e uso de máscara, o chefe do departamento médico do Flamengo, Márcio Tannure, e o diretor de marketing Aleksander Santos. O filho de Jair Bolsonaro, o senador Flavio Bolsonaro (Republicanos-RJ) também acompanhou o encontro.

PRESENTE – Landim presenteou o presidente da República com o novo modelo de camisa do Flamengo. Bolsonaro o vestiu e posou para fotos. Palmeirense, ele já foi fotografado com diversos uniformes de times brasileiros, até mesmo modelos piratas.

A assessoria de imprensa do Flamengo disse que o clube não vai comentar nada sobre a reunião. O Vasco também não emitiu nenhum comunicado oficial até a publicação deste texto. A Folha entrou em contato com Campello e Landim, mas eles não retornaram às ligações.

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NOTA DA REDAÇÃO – É impossível entender Bolsonaro, Clã & Cia. Não se trata de respeitar a ideologia do outro, mas de tentar decifrar a mente lunática de um grupo que parece estar alheio à realidade. Milhares de pessoas mortas, outras tantas infectadas, hospitais sem braços para tanta demanda, a população sem ter para onde correr e o presidente do país posa, sorridente, ao lado dos interessados representantes do futebol, pensando em como voltar à tradicional pelada. E Bolsonaro ainda emenda, apontando que talvez o circo acalme a população e dê um jeito na pandemia. Não tem como discutir ou argumentar. É muito transtorno para uma cabeça só, e eleita para comandar o Brasil. Lastimável. (Marcelo Copelli)

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