Cade aprova sem restrições investimento da American Airlines na Azul

O acordo, desenhado no plano de reestruturação da Azul nos Estados Unidos.

Cade aprova sem restrições investimento da American Airlines na Azul
Cade aprova sem restrições investimento da American Airlines na Azul

Diego Felix-são Paulo, Sp (folhapress) - 01/08/2026 18:15:12 | Foto: Reprodução UOL - Avião da Azul

A Superintendência-Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou sem restrições os investimentos minoritários previstos pela American Airlines na Azul. Na decisão desta sexta-feira (31), a área técnica observou que a operação não apresenta riscos concorrenciais ao mercado aéreo brasileiro.

O acordo, desenhado no plano de reestruturação da Azul nos Estados Unidos, prevê que a companhia norte-americana realizará um investimento de US$ 100 milhões (R$ 508 milhões) na aérea brasileira.

Em troca, passará a deter 8,66% do capital social da Azul e terá direito a indicar um membro ao conselho de administração da Azul e outro para um comitê estratégico.

Além disso, as companhias também terão acordos comerciais conjuntos, como codeshare, quando uma empresa vende a passagem aérea e a companhia parceira opera o voo, e programas de milhagem e salas VIP compartilhados.

A aprovação se deu mesmo com a Superintendência-Geral entendendo que existem sobreposições relevantes em rotas operadas pelas companhias com destinos para Orlando e Miami saindo de São Paulo e Rio de Janeiro.

Um dos argumentos centrais utilizados para a liberação do acordo é que a Azul não é a principal rival da American Airlines. A companhia brasileira oferece voos para Miami a partir de Viracopos, e não de Guarulhos. Os dois aeroportos ficam a mais de 100 km de distância um do outro.

Além disso, pesa a avaliação de que um eventual aumento de preços pela American Airlines nos trechos saindo de Guarulhos desviaria a demanda para a Latam, que opera no mesmo terminal. Dessa forma, a Azul não seria diretamente beneficiada, por exemplo.

O órgão também afirma que as duas companhias adotam salvaguardas para operar de maneira complementar e mutuamente reforçada, estabelecendo camadas de proteção que impediriam acesso indevido ou troca de informações concorrencialmente sensíveis.

"Entre essas medidas protetivas destaca-se, por exemplo, a elaboração e circulação prévia das pautas das reuniões do Conselho de Administração e do Comitê Estratégico –procedimento que permite a identificação antecipada de matérias potencialmente sensíveis ou suscetíveis de gerar conflitos de interesse, possibilitando que aqueles com interesses conflitantes se abstenham previamente de participar das respectivas discussões e deliberações", afirma o parecer.

A Abra, holding que controla a Gol e a Avianca, que atuou como terceira interessada no assunto, chegou a alertar o Cade de que o acordo poderia redirecionar o fluxo de conexões da American Airlines para a Azul.

Ambas as companhias mantêm parceria atualmente, inclusive com um contrato de exclusividade. Existe, no entanto, o temor de que esse acordo seja descontinuado de forma abrupta em favor da Azul.

A holding ainda apresentou um estudo indicando que o acordo da Azul poderia ampliar a concentração de mercado nas rotas operadas, além da possibilidade de tarifas mais altas no corredor Brasil-EUA.

O parecer da Superintendência refutou o cenário desenhado e disse que Gol e Azul operam com malhas complementares, não substitutas. Atualmente, cerca de 62 rotas estariam sobrepostas, porém a Azul ainda terá 216 rotas exclusivas e a Gol outras 110 –concluindo que não haveria racional econômico para uma descontinuidade da parceria entre American Airlines e Gol.

Nesse sentido, a área técnica entendeu que as reclamações da Abra são meramente privadas.

Agora, se a Abra ou outro interessado não se manifestar, a operação será aprovada em definitivo. O Tribunal do Cade também pode avocar o caso para analisar os termos antes da aprovação final.

Em fevereiro, o Cade também aprovou o aumento de participação minoritária da United Airlines na Azul, que passou a deter uma fatia de 8% na companhia aérea.

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