Calor extremo representa ameaça crescente para gestantes e seus bebês

Altas temperaturas estão ligadas a partos prematuros, natimortos e outras complicações; para milhões de pessoas, gravidez está virando um

Calor extremo representa ameaça crescente para gestantes e seus bebês
Calor extremo representa ameaça crescente para gestantes e seus bebês

Agência Onu News - 06/10/2026 07:47:10 | Foto: Unfpa Moçambique/Mbuto Machilli

A gravidez e o parto são agora uma nova "linha de frente" da crise climática. O alerta foi feito nesta segunda-feira pelo secretário executivo da ONU para Mudanças Climáticas, Simon Stiell.

Durante uma reunião ministerial antes da conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP31, em Fiji, Stiell disse que as altas temperaturas estão cada vez mais associadas a partos prematuros, natimortos, baixo peso ao nascer e complicações maternas.

O que os profissionais de saúde estão observando
Segundo ele, “o quadro é claro e muito preocupante”. Stiell citou novos dados de uma pesquisa com profissionais de saúde materna na Austrália, Brasil, Índia, Reino Unido e Zimbábue.

Quase três em cada quatro, ou 73%, afirmaram que os casos ou complicações relacionadas ao calor aumentaram nos últimos cinco anos.

Cerca de 81% dos entrevistados se declararam preocupados com o fato de as altas temperaturas estarem colocando cada vez mais em risco a saúde de mães, fetos e recém-nascidos.

Além disso, praticamente todos os profissionais consultados disseram ter tratado uma grávida ou um bebê cuja saúde consideravam afetada pelo calor.

Aumento da ansiedade
O chefe de Clima da ONU disse que por trás desses números está “a jornada de uma gestante até uma clínica, atrasada pelo calor perigoso; uma parteira trabalhando em temperaturas inseguras; um recém-nascido que precisa de cuidados especializados”.

Ele adicionou que para milhões de pessoas, a gravidez está se tornando um período de ansiedade, à medida que os impactos climáticos introduzem novos riscos na vida diária.

Stiell enfatizou que ninguém está a salvo das ondas de calor, mas seus efeitos não são distribuídos igualmente.

O calor pode agravar as desigualdades
Trabalhar ao ar livre, morar em uma casa sem proteção adequada contra altas temperaturas, percorrer longas distâncias para chegar a uma clínica ou depender de centros de saúde sem água, eletricidade e refrigeração agravam os riscos.

Stiell declarou que “manter a calma simplesmente não é uma opção quando não há nenhum lugar fresco para ir”.

O responsável pelas questões climáticas observou que a segurança do parto já depende, com muita frequência, do local onde a mulher vive, de sua renda e de seu acesso a serviços de saúde. Sem medidas adicionais, alertou, o aumento das temperaturas irá agravar essas desigualdades.

Incluir a gravidez nos planos de adaptação
Stiell pediu que os países incorporem explicitamente os cuidados durante a gravidez e com recém-nascidos nos planos de adaptação às mudanças climáticas e nas estratégias de saúde relacionadas ao calor.

O argumento é que aquilo que não é mencionado em um plano muitas vezes fica sem financiamento, sem avaliação e sem proteção.

O Acordo de Paris estipula que a adaptação deve ser sensível à questão de gênero. O chefe de Clima observou que isso significa incluir a saúde materna e neonatal nos planos nacionais de adaptação e de ação contra o calor.

Stiell também destacou o Plano de Ação de Gênero de Belém , que foi acordado no ano passado, na COP3, no Brasil, e busca fortalecer a integração das questões de gênero na ação climática, nos dados, no financiamento e na participação.

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