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Cultivo de urucum desperta atenção de produtores do Distrito Federal

Cultivo de urucum desperta atenção de produtores do Distrito FederalFoto: Emater-DF

Fruto é utilizado como tempero que dá cor e sabor a alimentos, na indústria de cosméticos, como protetor solar e até para produção de medicamentos fitoterápicos

Agência Brasília * | Edição: Fábio Góis - 27/07/2020 - 09:25:01

Coletores de sementes e agricultores souberam mais sobre a cultura no espaço da Agricultura Familiar da Emater-DF na AgroBrasília

O cultivo de urucum, conhecido popularmente como colorau, vem ganhando espaço entre produtores rurais do Distrito Federal, com perspectivas de renda extra. No espaço da Agricultura Familiar da Emater-DF na AgroBrasília, uma plantação de urucum serviu para mostrar o cultivo a pequenos agricultores da região e despertou o interesse também de pesquisadores e coletores de sementes.

De acordo com José Roberto Gonçalves, gerente do Parque Ivaldo Cenci, da AgroBrasília, o plantio foi realizado com a finalidade de demonstrar como é o cultivo e mostrar que a espécie pode servir como mais uma fonte de renda. “É uma cultura rápida. Com um ano de plantio já começa a produzir. Na comercialização do urucum tem a parte alimentícia e a de cosmético”, conta.

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O urucum é um corante natural utilizado como tempero que dá cor e sabor a alimentos, na indústria de cosméticos (com produtos de tintura) e como protetor solar, além do uso na produção de medicamentos fitoterápicos.

A possibilidade de venda das mudas ainda aumenta esse leque de variedades na hora de comercializar. A planta, que é de crescimento rápido, também pode ser cultivada para restauração de áreas degradadas.

Foi por meio de uma parceria entre a AgroBrasília, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF) e a empresa Verde Novo Sementes Nativas que o cultivo realizado no espaço da Agricultura Familiar passou a contar com coleta de sementes. Desde então a extensionista da empresa Yoko Odaguiri, que atua na região do PAD-DF, passou a pensar na questão da comercialização de mudas como alternativa de renda para pequenos produtores da região, no cultivo para o processamento na produção de óleo e, também, para as diversas formas de utilização do urucum na alimentação.

“Nós queremos incentivar os produtores no cultivo em boa parte para comercializar, como oportunidade de negócio, mas também para utilizar na própria alimentação. São vários os benefícios para a saúde humana”, aponta Yoko. Nos próximos dias haverá uma transmissão ao vivo sobre o processamento do urucum e sua utilização como óleo para alimentação.

A Verde Novo, por meio da bióloga e CEO da empresa, Bárbara Pacheco, já começou a coleta de sementes. De acordo com ela, ao visitar a feira no último ano, viu o plantio e se interessou.

“Estava cheio de frutas. Na hora, como coletora de sementes, eu pensei que seria legal fazer essa coleta e entrei em contato com a Emater”, conta. A Verde Novo é um negócio de impacto ambiental, que trabalha com geração de renda para coletores de sementes, mostrando que em seus biomas nativos há oportunidade de ganhar dinheiro com a atividade.

Produtores vislumbram mercado

Eliane Ministério, 74 anos, e o filho Élcio Ministério, 45, cultivam urucum no Núcleo Rural Riacho Frio, na região do PAD-DF. “A gente utiliza a semente bem madura e a ideia é tirar esses pigmentos que ficam nas sementes. É muito bom para tempero, dá uma coloração agradável, um aroma muito bom. Ele tem muitas utilidades”, conta Eliane.

A produtora relata que o processamento é mais lento do que o de outras culturas, mas pode ser “prazeroso e vantajoso”. “Para o pequeno produtor, a vantagem é que ele pode ser comercializado em várias épocas tendo em vista os estágios [de desenvolvimento da planta]. É vantajoso e, agora, existe até essa possibilidade de se vender a semente”, comemora.

Planta produz uma quantidade de biomassa muito grande por ano, diz produtor | Foto: Emater-DF

A colheita é realizada quando o fruto se apresenta maduro, com conteúdo em boa quantidade para ser processado. “Na minha propriedade eu processo, faço o colorau e utilizo no macarrão como tempero, na produção de biscoitos e até no tempero do feijão, que dá um gosto especial. Então, quem tiver dois pés de urucum na propriedade já tem uma riqueza muito grande”, afirma.

Já o filho diz que o cultivo ajuda ainda no sistema orgânico. “A gente trabalha com sistema agroflorestal, em que a gente tem algumas plantas de urucum já em produção há alguns anos. É uma planta que se adapta muito bem ao sistema de produção orgânico, é bastante rústica”, observa Élcio Ministério.

A comercialização ainda é tímida, acrescenta Élcio, mas a planta produz uma quantidade de biomassa muito grande por ano, o que ajuda no processo dentro do sistema agroflorestal. “A gente vende e também põe na compostagem. Ainda que com processamento artesanal, a gente consegue fazer um trabalho voltado para uma comercialização direta com o consumidor, em feiras, e pela cooperativa de que a gente participa. Ainda que em escala pequena, a gente consegue vender”, informa.

Sementes de urucum

O ponto forte do urucum, na atividade de coleta de sementes, é o fruto fechado, saudável e sem predadores. “A gente armazena em um saco e faz o beneficiamento de sementes, que é sair do fruto e ter a semente. Dentro do nosso trabalho de comercialização a gente entrega a semente para o consumidor final, não o fruto”, conta Bárbara.

Segundo ela, ao retirar o fruto ele é colocado para secar (a secagem pode ser ao sol) e os casulos vão abrindo naturalmente. Nesse processo é preciso colocá-los sobre uma lona, para que eles caiam sobre ela e fique mais fácil para limpar sem perder as mudas. Em seguida vêm as fases de armazenamento e comercialização.

“Nesse espaço de plantio da Emater, dentro do Parque Ivaldo Cenci, a gente tem frutos saudáveis, o que indica que vai ter sementes de ótima qualidade. Esses frutos servem para produção comercial de diversos segmentos. É uma planta de muito potencial, de crescimento rápido e que a gente tem que aproveitar tudo, desde a matéria orgânica, o fruto e a semente”, defende a bióloga.

* Com informações da Emater-DF

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