Deputadas acionam PF e MPF por comentários sobre morte de jovem em ponte

Mãe se declara a jovem jogada de ponte no interior de SP

Deputadas acionam PF e MPF por comentários sobre morte de jovem em ponte
Deputadas acionam PF e MPF por comentários sobre morte de jovem em ponte

São Paulo, Sp (uol/folhapress) - 15/06/2026 20:37:33 | Foto: Ponte do Esqueleto, na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo Imagem: Divulgação/Prefeitura Municipal de Limeira

As deputadas federais Erika Hilton (PSOL-SP) e Tabata Amaral (PSB-SP) pediram nesta segunda-feira (15) à PF (Polícia Federal) e ao MPF (Ministério Público Federal) a abertura de investigação sobre comentários feitos após a morte de uma jovem arremessada de uma ponte em Limeira (SP).

Erika Hilton solicitou investigação criminal contra usuários da rede social X (antigo Twitter). Ela postou print com comentários de perfis que incitavam o estupro, a necrofilia e o vilipêndio do cadáver de Maria Eduarda.

"Isso é misoginia, isso é incitação e isso é crime! Um crime cometido pela internet e cuja responsabilidade de investigação recai sobre a PF. Não podemos permitir que a falta de moderação e de responsabilidade das big techs, que lucram bilhões de dólares, continue a normalizar tantos horrores", afirmou Erika Hilton, em post publicado nas redes sociais.

Tabata Amaral entrou com ação no MPF. "Estou entrando com uma ação no Ministério Público Federal para apurar crimes de ódio cibernéticos nesse caso. Nem mesmo no leito de morte, nós, mulheres, temos paz", escreveu ela.

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas caiu de aproximadamente 40 metros de altura. O Corpo de Bombeiros foi acionado e constatou a morte da jovem de 21 anos no local, na trilha da Ponte do Esqueleto, segundo a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo). O caso foi registrado na 3ªDP (Limeira) como homicídio.

Enfermeira tentou reanimar a vítima antes da chegada do socorro. Perto dela, estavam dois homens que se apresentaram como funcionários da empresa responsável por saltos no local, segundo o BO (Boletim de ocorrência). A dupla entregou os documentos pessoais mas, segundo o boletim, acabou fugindo para uma área de vegetação no momento em que um policial se afastou para prestar apoio ao resgate.

BO aponta que testemunha mostrou aos policiais um vídeo do momento da queda. No registro, foi possível ver três pessoas, que seriam da empresa responsável pelo saltos, erguendo a vítima acima de suas cabeças e, depois, arremessando a vítima da ponte. O documento destaca que, de acordo com a gravação, não havia qualquer equipamento de segurança e a jovem foi lançada em queda livre.

Pessoas que estavam no local apontam falha no procedimento de segurança. Funcionários responsáveis pela atividade esqueceram de conectar a corda antes do salto, de acordo com relatos registrados pela Polícia Militar.

Imagens mostram a reação logo após a queda. Um vídeo compartilhado nas redes sociais registra o momento em que a jovem é levada até a plataforma e lançada. Poucos segundos depois, pessoas que acompanhavam a atividade começaram a gritar alertando para a ausência da corda de segurança.

Seis pessoas foram levadas à delegacia para prestar esclarecimentos. Três delas foram liberadas, segundo informações da PM.

Três homens foram presos em flagrante por homicídio com dolo eventual —quando não há intenção direta de matar, mas se assume o risco de provocar a morte. Eles são Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor De Freitas Gonçalves e Maicon Fernandes Cintra. Nesta segunda, a Justiça de São Paulo converteu a prisão em flagrante do trio suspeito em preventiva (por tempo indeterminado).

Dois dos presos estavam sobre a ponte quando a polícia chegou. Ambos haviam trocado de roupa e não explicaram o motivo, segundo o boletim de ocorrência.

Presos não conseguiram explicar à polícia o que realmente aconteceu. A delegada plantonista Andréa Dantas afirmou que os homens não responderam se foi uma falha ou um lapso que fez com que a corda não fosse colocada na jovem. "Eles estão até desnorteados ali com a situação porque praticam isso há muito tempo e nunca tinha acontecido [um episódio como esse]", acrescentou Dantas em entrevista à EPTV (afiliada da TV Globo) e à página do jornalista Carlos Gomide no Instagram.

Empresas ligadas ao salto aparecem nas gravações. Os funcionários que surgem no vídeo usam camisetas identificadas com os nomes Entre Cordas e Ih Voei. O UOL tentou contato com as duas empresas, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

A reportagem tentou contato com o advogado de defesa dos detidos. Se houver resposta, o texto será atualizado.

Mãe se declara a jovem jogada de ponte no interior de SP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Rio de Janeiro concentra 64% dos acidentes e incidentes envolvendo helicópteros no Brasil em 2025 e 2026, segundo dados do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).

No recorte entre janeiro de 2025 e junho de 2026, das 317 ocorrências registradas no país, 204 aconteceram no estado, sendo 62 delas somente este ano.

O número não inclui o acidente causado pela colisão entre dois helicópteros neste domingo (14), no Recreio dos Bandeirantes. A ocorrência mais recente no painel do Sipaer (Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) é de 5 de junho.

Os helicópteros colidiram e caíram no pátio de uma concessionária da marca BYD, a cerca de 100 metros de distância um do outro. O acidente causou a morte de todas as seis pessoas a bordo. Cinco deles estavam na mesma aeronave -o piloto Alexandre Souza, o cantor americano Oliver Tree, o DJ brasileiro Lucas Brito Chaves Frota, o influenciador argentino Gaspar Prim e o cineasta argentino Lucas Vignale.

O piloto Charles Marsilac estava sozinho na outra aeronave.

O Rio de Janeiro possui a segunda maior frota de helicópteros do país. São 743 registros na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), atrás apenas de São Paulo (935). Em nota, a Anac afirmou que o fato de uma aeronave estar cadastrada em determinado estado não significa o uso neste local.

Das 204 ocorrências registradas no Rio desde 2025, 134 delas foram registradas como falha ou mau funcionamento de algum sistema ou componente. É a primeira causa mais comum de incidentes. A segunda é a colisão em voo ou perda de separação, com 37 ocorrências. A perda de separação ocorre quando duas aeronaves ficam abaixo da distância de segurança.

O Cenipa classifica as ocorrências como incidente, incidente grave e acidente, esta última em casos mais graves. A maior parte dos registros é de incidentes.

Os dados do Sipaer para o Rio também indicam um crescimento vertiginoso de ocorrências a partir de 2024. Entre 2016 e 2023, o estado teve, somadas, 97 ocorrências. Em dois anos e meio [de 2024 ao primeiro semestre de 2026] já ocorreram 273 casos, 181% a mais do que nos oito anos anteriores.

O marco do crescimento ocorreu na virada de 2023 [15 ocorrências] para 2024 [69 ocorrências]. A reportagem procurou o Cenipa, por email, para saber se houve alguma mudança metodológica nos registros e a que o órgão atribui o aumento, mas não houve resposta.

A mudança não ocorre em outros estados. Em São Paulo, houve sete ocorrências com helicópteros em 2023, seis em 2024 e 14 em 2025.

Moradores do Recreio dos Bandeirantes, região onde ocorreu o acidente de domingo, afirmaram que helicópteros voam muito próximos uns dos outros com frequência. A zona sudoeste possui muitos helipontos e aeródromos.

"A queda de uma aeronave desse porte oferece mais risco às pessoas que estão em solo do que em relação ao número de perda de vidas das pessoas na aeronave. Existe o potencial de uma aeronave dessa cair sobre um hospital, escola, condomínios, onde tenham mais pessoas. Os projetos dos aeródromos de menor porte são antigos e acabaram envolvidos pelo crescimento das cidades", afirma Gerardo Portela, engenheiro especialista em riscos e segurança.

"O Rio é uma cidade turística, cercada por outros destinos turísticos, e isso é convidativo para passeios de helicópteros. Entretanto, o mercado cada vez mais interessado em voar pode fazer com que surjam pilotos não tão preparados", diz.

O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, Fabio Contreiras, chamou de "alarmante" o que, na sua observação, seria um aumento no número de ocorrências envolvendo aeronaves.

"A gente vem observando um aumento, já atendemos a várias ocorrências este ano na Barra e no Recreio", disse Contreiras.

A Abraphe (Associação Brasileira de Pilotos de Helicópteros) disse em posicionamento público que as regiões de Jacarepaguá, no Rio, próximo ao local do acidente, e Campo de Marte, em São Paulo, são consideradas as mais sensíveis para a operação de helicópteros no país atualmente.

"Nós operamos num ambiente altamente movimentado nas metrópoles. No Rio de Janeiro há os voos de asa-delta e parapente, e os pilotos de helicóptero fazem a operação de forma exemplar. Acidentes como o de domingo são extremamente raros: nos últimos 20 anos foram três ocorrências desse tipo [com colisão] no mundo", afirma Thales Pereira, porta-voz da Abraphe.

Delegada aponta amadorismo de equipe em morte de jovem em salto sem cordas em SP

ANDRÉ FLEURY MORAES-LIMEIRA, SP (FOLHAPRESS) - A delegada Andrea Dantas Levy, que investiga a morte da jovem arremessada de uma ponte em Limeira, interior de São Paulo, sem equipamentos de proteção durante a prática de "rope jump", afirmou nesta segunda (15) que o acidente representa "um amadorismo e uma falta de experiência" por parte da equipe responsável pelo salto.

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21, sofreu múltiplos traumas quando atingiu o chão, na manhã de sábado (13). Ela morreu no local, mas ainda apresentava sinais vitais quando foi socorrida por uma enfermeira que testemunhou a cena.

A jovem deveria estar presa a duas cordas, mas nenhuma delas foi afixada em seu corpo. Imagens do salto mostram quando ela é erguida por instrutores e lançada da ponte, a uma altura de 40 metros, sem o equipamento de segurança.

Os responsáveis pelo salto não tinham uma empresa constituída e operavam na informalidade, declarou Andréa. Eles praticavam a modalidade havia cerca de cinco anos, mas o acidente deste sábado, segundo ela, mostra que "não havia nenhum preparo para um esporte que é de alto risco".

"A corda era o principal adereço. Como que acontece isso?", questionou.

A reportagem tenta contato com a Entre Cordas, que comercializou o salto, por telefone, dois endereços de email, rede social e WhatsApp, desde a tarde deste domingo (14), mas não obteve qualquer retorno além de uma mensagem automática.

Pelo menos outros dez saltos haviam ocorrido antes da morte de Maria Eduarda. Mas ela seria a primeira a ser arremessada na modalidade "aviãozinho", quando um grupo segura a pessoa e a arremessa da ponte, segundo Andréa.

A jovem segurava uma câmera para registrar o momento do salto. O equipamento estava acoplado ao pulso dela, mas até agora não foi encontrado. Para a delegada, há indícios de que essa câmera tenha sido descartada após o acidente.

A filmagem do salto não estava inclusa no pacote inicial, que custa em torno de R$ 180, segundo as investigações. Quem quisesse registrar as imagens deveria pagar um valor a mais, explicou Andréa.

Após o acidente, seis pessoas foram detidas no local. Dessas, três ficaram presas.

Luis Felipe Feliciano Egoroff, 32, Vitor de Freitas Gonçalves, 27, e Maicon Fernandes Cintra, 42, tiveram a prisão convertida em preventiva (sem prazo) e responderão por homicídio com dolo eventual. Neste caso, a imputação é de que os três diretamente envolvidos na tragédia da jovem assumiram o risco de matá-la ao não prendê-la às cordas.

A reportagem procurou o advogado Rafael Gomes dos Santos, por telefone e email na noite de domingo e foi ao escritório dele em Limeira na manhã desta segunda, mas não conseguiu localizá-lo. Em entrevista ao "Fantástico", da TV Globo, ele afirmou que os presos estão abalados emocionalmente e, por isso, não conseguem explicar o que aconteceu.

Os outros foram ouvidos e liberados, mas seguem sob investigação. Segundo a delegada, a polícia ainda pode representar pela prisão deles caso entenda haver indícios de que participaram da ocorrência. Uma delas é a mulher que disse em depoimento ser a responsável por divulgar os saltos nas redes sociais.

Ela afirmou à Polícia Civil que apagou a conta que anunciava o esporte com medo de represálias. Em seguida, ligou para a mãe a fim de comunicar o que havia acontecido.

A polícia ainda procura testemunhas que possam colaborar com as investigações e obteve o extrato de pagamentos da maquininha de cartão usada pelos envolvidos para receber pagamentos.

A partir daí, diz a delegada, novos relatos podem ser incorporados ao inquérito.

O salto ocorreu na ponte do Esqueleto, uma estrutura que pertence à antiga RFFSA, a Rede Ferroviária Federal, que já registrou outros acidentes envolvendo saltos. No ano passado, duas pessoas ficaram feridas ao se chocarem contra o solo, e a ponte chegou a ser bloqueada em 2024 após a morte de uma ciclista -a interdição não vingou.

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