Levantamento aponta pressão das redes sociais contra Congresso pelo fim da escala 6x1

O fim da escala 6x1 foi aprovado na Câmara em 27 de maio

Levantamento aponta pressão das redes sociais contra Congresso pelo fim da escala 6x1
Levantamento aponta pressão das redes sociais contra Congresso pelo fim da escala 6x1

Cristiane Gercina-são Paulo, Sp (folhapress) - 08/06/2026 17:00:58 | Foto: Presidente faz pressão no Congresso para que fim da atual escala seja aprovada no Senado / Ricardo Stuckert / PR

A pressão nas redes sociais pelo fim da escala 6x1 -na qual se trabalham seis dias com um de folga- tem sido direcionada ao Congresso Nacional e aponta para explosão de menções em momentos-chave, como nos dias que antecederam a votação da medida na Câmara dos Deputados, ou quando parlamentares se mostram contrários à redução ou querem que ela ocorra apenas no futuro.

Levantamento inédito da 2L Digital mostra que, entre 1º de março e 24 de maio, mais de 220 mil publicações e compartilhamentos sobre o tema foram registrados em plataformas como X, Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, Bluesky, blogs e portais.

Os dados apontam ainda que 7 em cada 10 postagem (68%) tiveram tom negativo, em especial contra parlamentares quem quer manter a escala de trabalho como está, enquanto 22% foram neutras e apenas 10% positivas. A maior parte das críticas foi direcionada ao Congresso, que tem sido visto pelo trabalhadores nas redes sociais como o principal obstáculo ao avanço da pauta.

O fim da escala 6x1 foi aprovado na Câmara em 27 de maio. A PEC (proposta de emenda à Constituição) reduz a jornada de 44 horas semanais para 42 horas em 60 dias, e para 40 horas em 2027, criando a escala 5x2, sem redução de salário. Há ainda outras mudanças.

O estudo identificou um crescimento das menções ao tema ao longo de abril, culminando em um pico de engajamento nos dias 20 e 21 de maio, durante a tramitação da proposta na Câmara dos Deputados.

Segundo a análise, quatro momentos estruturaram a narrativa digital: o envio do projeto em regime de urgência em 15 de abril, o Dia do Trabalhador em 1º de maio, a votação na Câmara em 20 de maio e a reação à emenda que previa adiar o fim da jornada para 2036, em 21 de maio.

De acordo com a 2L Digital, a escala 6x1 deixou de ser um assunto ligado apenas a movimentos sociais e sindicatos para ocupar o centro do debate público nas últimas semanas, o que tende a se repetir neste mês, quando o Senado se prepara para votar a medida. O levantamento aponta que o interesse pelo tema cresce sempre que há movimentações institucionais, especialmente no Legislativo.

Responsável pelo estudo, Leonardo Lima, chefe da 2L, afirma que a pressão exercida pelas redes sociais teve papel relevante na construção do ambiente político que antecedeu a aprovação da proposta pela Câmara, o que deve se repetir no Senado.

"Esse acúmulo de pressão digital, somado às mobilizações de 1º de Maio e ao pico expressivo de 20 e 21 de maio, ajudou a transformar o tema em custo político real", diz ele.

Para Lima, embora a aprovação não possa ser atribuída apenas à mobilização online, já que no Congresso há outras formas de pressão, como a ação dos empresários e dirigentes de centrais sindicais, há uma relação evidente entre o aumento da cobrança pública e a mudança de posicionamento dos parlamentares.

"A aprovação na Câmara não pode ser explicada apenas pela conversa nas redes, mas é difícil dissociá-la desse ambiente de cobrança pública sustentada, que tirou o assunto da esfera sindical e o colocou no debate cotidiano do brasileiro comum", destaca.

O estudo também registra um episódio considerado emblemático pelos pesquisadores, quando após repercussão negativa nas redes, sete dos nove deputados federais baianos que haviam assinado uma emenda para adiar a implementação da medida por até dez anos retiraram suas assinaturas em menos de 48 horas.

Na avaliação da consultoria, o debate na internet tende agora a mirar o Senado. Segundo Lima, a pressão digital poderá se intensificar na nova etapa da tramitação. "Quando a pauta tem dono na opinião pública, ela migra de casa legislativa com facilidade", afirma ele, lembrando que o foco vai para onde a pauta está.

O chefe da 2L avalia que, diferentemente da Câmara, onde as críticas foram direcionadas de forma mais ampla ao Congresso, no Senado a tendência é de personalização das cobranças de forma específica sobre parlamentares identificados como contrários à proposta.

A pesquisa foi realizada com monitoramento de mais de 220 mil publicações e compartilhamentos, utilizando análise de volume, polaridade, identificação de picos de repercussão e mapeamento dos principais atores envolvidos no debate.

Uma segunda fase do estudo já está em andamento e acompanhará os desdobramentos da votação na Câmara e a tramitação da proposta no Senado.

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