Disputa por mercado europeu deve acelerar transição para agroecologia no Brasil

Nível de exigência para disputar a abertura do mercado, em breve sem tarifas, estimulará a capacitação técnica, a melhora da produtividade, das condições de trabalho e da qualidade sanitária pela agricultura familiar. E na direção de uma produção sem veneno

Disputa por mercado europeu deve acelerar transição para agroecologia no Brasil
Disputa por mercado europeu deve acelerar transição para agroecologia no Brasil

Paulo Donizetti De Souza | Agência Gov - 21/01/2026 10:41:15 | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Acordo Mercosul-União Europeia, assinado no último sábado (17/1), tem potencial para proporcionar o desenvolvimento da agricultura familiar em diversos aspectos. Na avaliação do ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, a perspectiva de expansão dos negócios deve otimizar a composição dos credenciados com o Certificado de Agricultor Familiar (CAF), que já conta com 3,8 milhões de inscritos, e estimular o desenvolvimento da agroecologia.

Isso porque, explica o ministro, o interesse no mercado europeu vai estimular o aprimoramento técnico dos trabalhadores, associações e cooperativas. Tanto para melhorar a produtividade quanto para qualificar o manejo e as condições sanitárias, da semeadura à colheita.O mercado europeu, observa Teixeira, já funciona com uma série de exigências.

Isso pode acelerar a transição para a agroecologia, para os bioinsumos e para a saída dos agrotóxicos. Então, eu não tenho nenhum receio quanto à capacidade da agrigultura em disputar e fornecer para os europeus", afirma o ministro do MDA.

No quesito capacitação, o ministério já trabalha como a perspectiva da "recriação" de um programa nacional de assistência técnica e extensão rural: "Isso está no horizonte, nós precisamos avançar para isso, para que o agricultor tenha toda a assistência técnica, para ele ter qualidade sanitária e qualidade no manejo dos seus produtos e na sua produção".

Ou seja, a produção agrícola familiar do Brasil, resume Paulo Teixeira, tem tudo para "ganhar muito" com o Acordo Mercosul-União Europeia. "Veja, quem predomina na produção de café no Brasil são os agricultores familiares no Brasil inteiro. Eles, inclusive, poderão vender o café que tiver já processado, sem taxas, para a União Europeia", exemplifica.

E continua, mencionando a reação brasileira ao tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos centenas de produtos brasileiros. "O Brasil tem procurado diversificar os seus mercados. Abriu-se um mercado desse tamanho, um mercado consumidor rico, que poderá comprar vários produtos da agricultura familiar. Além do café, itens como frutas e açaí.

"O açaí está bombando no mundo inteiro, mas nós temos a manga, a uva, o melão. Então, os agricultores familiares poderão vender os seus produtos na Europa sem taxas. E vão ganhar muito abrindo todo o mercado para a agricultura familiar brasileira, porque eu acho que com esse acordo vai bombar. vai ajudar a aumentar a força da agricultura familiar no Brasil."

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