Guillen comemora o retorno do público para a relação bonita, honesta e cheia de afeto do casal 'Loquinha'
Ana Carolina Vasconcelos e lucas Salum - Portal Bdf - 23/01/2026 10:55:36 | Foto: @bispo / BdF
Guillen também comenta sobre sua trajetória artística, os bastidores da novela e as perspectivas para o próximo período.
Interpretando Lorena em Três Graças , novela de Aguinaldo Silva, a atriz e modelo Alanis Guillen protagoniza um dos amores mais aclamados dos últimos tempos na televisão brasileira. Sua personagem vive um relacionamento com Juquinha, interpretada por Gabriela Medvedovski. O casal foi apelidado pelo público como “loquinha”.
Para Guillen, a trama reflete uma inflexão na arte brasileira, que, cada vez mais, tem se responsabilizado por transmitir nas telas a diversidade.
“Caminhamos a passos largos e estamos conseguindo chegar a um lugar necessário. A representatividade tem um poder de transformação e força na sociedade, e a televisão tem esse alcance de contar histórias do nosso povo. O público clama por verdade, por ser visto e por se sentir representado. Aqueles que estavam nesse lugar de privilégio branco na televisão foram entendendo que essas histórias precisam ser contadas”, avalia, ao Conversa Bem Viver .
Para a atriz, a arte e a cultura cumprem um papel social importante, ao ajudar a formar o pensamento. “Estamos formando um país. Se não contamos as histórias que nos representam, não estamos fazendo o trabalho direito”.
Guillen também comenta sobre sua trajetória artística, os bastidores da novela e as perspectivas para o próximo período.
Confira a entrevista completa:
Brasil de Fato – A novela vive um momento de auge. Como tem sido para você lidar com isso?
Alanis Guillen – Está sendo uma surpresa mesmo. Uma novela sempre é uma surpresa. É uma obra aberta. Nós sempre recebemos uma sinopse, mas ela nunca define exatamente até onde a novela chegará. Então, acaba sendo sempre uma surpresa, e maior ainda é esse retorno do público, a reação das pessoas, e como isso tem feito essa história caminhar e se desenvolver tanto.
Aguinaldo, Virgílio e Zé da Silva estão aprofundando, sem medo, cada personagem e cada trama. É uma novela em que todos os núcleos têm seus acontecimentos muito bem contados e vividos por esse elenco maravilhoso.
Mas, no geral, é realmente sempre uma surpresa como o público reagirá a tudo isso. Hoje a novela está em um novo momento. Já tivemos vários períodos na história da teledramaturgia brasileira, e fazer parte deste momento, tendo esse alcance com uma história de amor entre mulheres e com todo o desenrolar dos mistérios daquela família e da fundação, está sendo muito maravilhoso. Estamos muito envolvidos.
Não é a primeira vez que, na televisão, um casal lésbico protagoniza um momento de tanta paixão e verdade. Para você, estamos em um momento de avanço?
Com certeza, o fenômeno “Loquinha” é algo que se diferencia de todas as outras histórias que já foram representadas em novelas pelo fato de ser, talvez, a primeira que realmente não teve medo de se aprofundar, sem ser a “pauta pela pauta”.
Acho que essa história traz a relação de uma maneira muito naturalizada e horizontal entre ambas. Claro, trazendo os conflitos ao redor, como um pai homofóbico e tantas outras coisas. É legal ter esses dois pontos: a mãe que acolhe e o pai que rejeita.
Sobre a própria Lorena, posso falar por ela: nunca foi sobre a descoberta da sua sexualidade. A Lorena nunca colocou isso como uma questão. A narrativa dela é sobre se encontrar, se permitir viver e sentir a vida e as suas afetações da maneira dela. Ela é essa personagem contemporânea que não foge dos temas importantes da atualidade que antes eram tabus e geravam mais atritos.
Não que hoje não sejam, mas ela traz temas que naquela casa gerariam conflito de uma maneira corajosa. Ela expõe e enfrenta qualquer assunto que vier. Para a Gabi também não é uma questão e ela vai vivendo essa relação com a Lorena, desenvolvendo-a no passo delas, de uma maneira muito bonita, honesta e cheia de afeto.
Acho que se diferencia pela forma como a história está sendo contada e pelo fenômeno que se tornou para o público, rompendo fronteiras. A internet possibilita isso. Quando temos um tema importante e uma história interessante na televisão que ultrapassa a tela, ela vai para a mesa da família, para os debates no bar, para os diálogos na rua e na internet, o que amplia o diálogo para outros países e línguas.
Acho que este foi o diferencial. E é só o começo dessa história. Estamos no meio da novela, chegando ao capítulo 100, mas essa história continua se desenvolvendo. Também já posso dizer que soltaram a notícia de que haverá um spin-off, uma novela vertical focada apenas em “Loquinha”, para aprofundar essa história que, às vezes, não há tempo de mostrar na novela.
O Aguinaldo constrói a narrativa com muitos intervalos. Há momentos que não são contados explicitamente, mas entendemos, pelos diálogos, que elas passaram a noite fora ou dormiram juntas. A novela vertical poderá focar no que não dá tempo na televisão.
Quais caminhos o Brasil vem traçando que permitiram que vivêssemos esse momento tão bonito de “Loquinha”?
Eu acho que caminhamos a passos largos e estamos conseguindo chegar a um lugar necessário. A representatividade tem um poder de transformação e força na sociedade, e a televisão tem esse alcance de contar histórias do nosso povo.
Não acho que foi apenas uma adaptação das empresas. É um público que clama por verdade, por ser visto e por se sentir representado. Aqueles que estavam nesse lugar de privilégio branco na televisão foram entendendo que essas histórias precisam ser contadas e todos começaram a trabalhar para isso.
Acho que foi no ano passado que tivemos em quase todos os horários da grade novelas protagonizadas por mulheres pretas. É muito bonito e importante para desconstruirmos preconceitos. Estamos formando um país. Se não contamos as histórias que nos representam, não estamos fazendo o trabalho direito. As artes e a TV têm o papel de realizar um trabalho social fundamental. Se isso não é feito, reforçamos preconceitos.
Se vivemos esse momento de paixão entre as “Loquinhas”, também “vivemos um ódio” com o Ferretti, personagem do Murilo Benício. Como é isso nos bastidores?
O Murilo é tão legal e genial que é uma delícia vê-lo interpretando essa figura e observando como ele a constrói. Passamos muito tempo juntos. Embora haja o nosso estudo particular, muito acontece no encontro com a direção. Ver o Murilo construindo o Ferretti a cada ensaio é muito legal. Tenho aprendido muito com ele e com a Andreia Beltrão.
O Murilo está trazendo uma mistura desse “figurão” de São Paulo com um toque italiano. Essa crueldade dele é marcante, pois o personagem realmente acredita estar 100% correto. Nessas últimas semanas, gravamos muitos embates de quando ele descobre a minha relação com a Juquinha.
Ir para a cena com ele e olhar no fundo dos seus olhos permite sentir tudo o que aquele homem está sentindo. É mágico trabalhar com um ator assim, porque as coisas ganham camadas que só são possíveis nessa troca. Minha personagem começa a sentir nojo e, ao mesmo tempo, a dor de um amor que queria ter sentido de um pai que não demonstra afeto e que, pelo contrário, a rejeita e machuca.
Ele também mostra a dor da decepção dele. É tudo muito contraditório, porque os seres humanos são contraditórios. Na hora da ação, parece que realmente estamos vivendo aquilo.
Essa novela vai surpreender muito. Ela está resgatando personagens de outras tramas para dar uma quebra. Parece um metaverso. Mas a Lorena encara o Ferretti da maneira dela. Ela não chega a ser uma Juma, mas tem uma Juma dentro dela que, se deixarem, vai soltar.
Juma e Lorena têm semelhanças. Essas personagens são uma escolha sua ou os diretores te procuram por perceberem sua contundência em enfrentar paradigmas?
Acho que é uma mistura de muita coisa. Eu sou uma atriz muito intuitiva e sinto que, quando chegam alguns personagens, é quase uma força de outro lugar que se junta ao olhar de profissionais como produtores de elenco. Admiro muito essa profissão porque eles entendem quais são as forças de cada ator para servir a determinados personagens.
Fazendo uma linha do tempo, cheguei à televisão sendo a Rita, uma jovem de 18 anos que lutava ferozmente pela guarda da filha. Logo depois veio a Juma, essa mulher selvagem que não aceitava ordens e respeitava apenas seus próprios desejos.
Depois fiz a Flora em Vermelho Sangue , uma personagem mais mística que também não se conformava com as regras e tradições de seu lugar. E agora a Lorena também era um desafio, pois ela tem um texto ácido de provocar, enfrentar e colocar assuntos na mesa.
Antes, eu tinha um receio sobre como falaria desses assuntos importantes. Em um país que foi governado de maneira cruel, onde falar de certos temas com pessoas próximas ficou delicado, eu me perguntava se deveria me colocar a serviço disso ou me resguardar para evitar atritos.
Meu trabalho com a Lorena foi trazê-la de forma carismática para gerar o desconforto necessário na trama, fazendo com que o público se interessasse pelo debate em vez de repelir o tema. Estamos conseguindo aproximar o público e gerar transformação. O tema está sendo muito aceito, e não apenas pela Lorena e Juquinha; temos também a Gabriela Loran com o Pedro Novaes trazendo esse romance. A novela toda traz questões que pulsam em um lugar delicado. O público está ouvindo, se interessando e aprendendo.
O que mais podemos esperar da sua carreira?
Este ano estreamos a segunda temporada de Vermelho Sangue , que vai aprofundar assuntos de uma maneira muito legal. Estou louca para ver a reação do público. Também estarei na segunda temporada de Amor da Minha Vida , uma série da Disney que fala sobre amor. Minha personagem é muito interessante.
No geral, estou me organizando para voltar ao teatro. O ritmo da novela às vezes dificulta, mas estou aprendendo com atores mais experientes a canalizar esse desejo de fazer um pouco de tudo: teatro, cinema e televisão.
Conversa Bem Viver

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Editado por: Luís Indriunas
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