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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 02 de julho de 2022

Estrela em alta, governador Eduardo Leite do RS incomoda planos de Doria no PSDB

Estrela em alta, governador Eduardo Leite do RS incomoda planos de Doria no PSDBFoto: Portal UOL

Com ou sem intenção, Eduardo Leite é visto por aliados do paulista como obstáculo rumo a 2022

Portal Uol - 27/12/2019 - 20:04:17

O PSDB entrou 2019 sob a expectativa da consolidação do poder do governador João Doria (SP) sobre a sigla, pavimentando o caminho para sua provável candidatura a presidente em 2022.

O tucano conseguiu boa parte de seus objetivos, embora tenha sido pego de surpresa pela emergência de um velho conhecido dos políticos que se destacam na agremiação: o adversário interno, que impede a unificação do partido.


Desta vez, a dinâmica está a cargo do jovem governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Eleito na usual alternância de poder de seu estado, ele virou o talismã da velha guarda tucana, que não se vê representada por Doria.

Leite, 34, pode não ter comprado a briga para si de forma intencional, mas alguns de seus gestos neste ano foram assim interpretados por tucanos alinhados ao paulista.

Aliados de Doria viram nesses movimentos, que incluíram a negativa de disputar a reeleição em 2022 e o famoso “estou à disposição do partido”, uma aprovação tácita à especulação sobre seu papel na sucessão presidencial.

O gaúcho percebeu que poderia ser alvo do fogo amigo na semana que antecedeu a convenção nacional do PSDB, em 7 de dezembro.

Nela, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso incluiu o nome dele junto ao de Doria e ao do apresentador Luciano Huck como alternativas para o dito centro político se viabilizar em 2022.

Decano do tucanato, FHC é inimputável e reincidente. Numa entrevista à Folha em 2017, ele havia incluído o então prefeito paulistano Doria e o mesmo Huck numa lista de encarnações do “novo” —só para agastar tanto o hoje governador quanto o então presidenciável da sigla Geraldo Alckmin (SP).

Além disso, o presidente da agremiação, Bruno Araújo, concedeu entrevista ao jornal Valor dizendo que Doria não era a única alternativa tucana para 2022.

Fiador da posição de Araújo, Doria lhe passou uma descompostura ao telefone antes da convenção.

Na convenção, Leite tratou de acalmar os ânimos. Primeiro governador a falar, desceu do palco e foi abraçar Doria, pregando que não havia “disputa nenhuma” entre eles.

Recebeu afagos posteriores na mesma linha, embora com toques sutilmente hierárquicos: o paulista de 62 anos o chamou de “amigo jovem”, um recado entendido por partidários do gaúcho.

As armas foram recolhidas, mas estão carregadas. No entorno de Doria, Leite é visto como um instrumento da velha guarda para desgastá-lo.

Entre representantes dessa ala, que acompanharam a feia disputa entre o paulista e o grupo do deputado Aécio Neves (MG) pelo comando da bancada do partido na Câmara com preocupação, Leite é elogiado diuturnamente.

Ele acabou o ano em alta, conseguindo aprovar na Assembleia e sancionar uma reforma previdenciária que poderá começar a ajudar a desafogar seu estado, um dos mais encalacrados do ponto de vista fiscal da União, ao lado do Rio de Janeiro.

No segundo quadrimestre, a proporção dívida líquida/receita líquida dos gaúchos era de 226%, acima das duas vezes permitidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal. São Paulo está ainda dentro do limite, com 173%.

Segundo os entusiastas de seu nome, o importante agora é nacionalizar Leite, o levando para participar de eventos partidários e estimulando a publicação de artigos.

Mas tais movimentos podem colocá-lo novamente na mira de aliados de Doria.

De todo modo, eles minimizam o poder do gaúcho, que foi prefeito de Pelotas de 2013 a 2017. Muito jovem e desconhecido no resto do país, ele teria uma ladeira muito íngreme a subir.

E o peso político e econômico de São Paulo é incomparável, como a candidatura do então governador Alckmin à Presidência em 2018 prova: mesmo com todos os indicativos de que iria fracassar, o tucano institiu —só para acabar humilhado com cerca de 4% dos votos no primeiro turno.

Ainda assim, os pró-Doria dizem que a gravidade falará mais alto.

Não que a vida do paulista esteja fácil. Além de lidar com os problemas diários, Doria passou o ano numa disputa com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que já se colocou como candidato à reeleição na prática.

Tendo sido eleito em 2018 com ajuda do voto bolsonarista, o tucano buscou afastar-se, mas há dificuldades no processo. Eles transitam numa faixa semelhante da população, e se as condições econômicas e de gestão estiverem mais favoráveis em 2022, é incerto qual discurso faria esse voto migrar do presidente para o governador.

Observadores equidistantes ponderam que é ali e na composição de alianças que mora o maior problema de Doria —ou de Leite, na hoje improvável hipótese de ele virar candidato a presidente.

O gaúcho até faria contraponto ideológico a Bolsonaro, mas há entre estrategistas dos partidos a certeza de que não se pode abandonar o eleitor conservador que surgiu com força em 2018.

Aliados tradicionais estão preocupados com seus quintais neste ano, PSD e DEM à frente, e o reforço e possível fusão entre siglas após a eleição municipal tenderá a elevar o preço de acertos para 2022.

Esses tucanos mais neutros apontam, de todo modo, que o partido só quase reconquistou a Presidência em 2014 porque houve união de fato entre as forças concorrentes em torno do nome de Aécio.

Para eles, a sigla deveria apaziguar-se se quiser voltar a ter alguma chance de exercer protagonismo nacional.

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