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Família de brasileiro retido há meses em navio nos EUA pede ajuda: 'Temos medo de ele pegar a Covid-19'

Família de brasileiro retido há meses em navio nos EUA pede ajuda: 'Temos medo de ele pegar a Covid-19'Foto: Reprodução

Homem faz parte do grupo de risco para o novo coronavírus, segundo familiares. Retorno esbarra em normas de repatriação das autoridades norte-americanas.

Por Lucas Vidigal E Anna Camanducaia, G1 E Tv Globo - 15/05/2020 - 07:54:35

Familiares de um tripulante brasileiro retido há quase três meses em navios da companhia Princess Cruises na costa dos Estados Unidos pressionam a empresa e o Ministério das Relações Exteriores para que ele seja repatriado.

O homem, que prefere não se identificar por represálias, é hipertenso — um dos grupos de risco para a Covid-19. Por isso, ele não sai da cabine, a não ser para fazer as refeições.

"Temos medo de ele não conseguir voltar. E temos medo de ele pegar a doença", disse a mulher do tripulante ao G1.

Segundo o brasileiro, a companhia arca com a alimentação e permite que ele fique hospedado nas cabines do navio — que, segundo o homem, estão em boas condições. No entanto, o contrato de trabalho dele iria até 15 de abril e, por isso, não recebe mais salário, imprescindível para que compre itens de higiene e vouchers de acesso à internet.

"Só quero voltar para casa. E, assim como eu, existem milhares de tripulantes — de diversas nacionalidades, inclusive — querendo voltar para casa", disse, numa gravação obtida pelo G1 e pela TV Globo.

Em nota, a companhia Princess Cruises confirmou que os tripulantes retidos nos navios têm direito a três refeições por dia, além de lanches, "de acordo com as várias preferências ocidentais ou asiáticas" de alimentação. A empresa também diz que fornece opções de entretenimento como filmes, canais internacionais de televisão e aulas de ginástica.

"Estamos profundamente comprometidos e focados em reunir nossos tripulantes com suas famílias com segurança e continuar avançando em soluções para que retornem aos seus países de origem", disse a Princess Cruises, em comunicado.

Por que o tripulante não consegue retornar ao Brasil

Com o agravamento da pandemia em março, os Estados Unidos decretaram "No Sail Order" — ou seja, ordem que proíbe a navegação. Na prática, todos os navios na costa dos EUA foram colocados em quarentena.

E, para que os tripulantes desembarquem, a própria companhia deve fornecer o traslado de volta ao país de origem. Essa viagem, dizem autoridades dos Estados Unidos, não pode ocorrer em voos regulares, e, sim, fretados.

Em nota, a Princess Cruises diz que busca "meios diplomáticos" para resolver o problema da repatriação. "Porém, é um processo complexo dada as restrições de viagem que variam de país para país", diz o texto.

A família do tripulante brasileiro disse que foi orientada pelo Itamaraty a buscar o Consulado Brasileiro em Los Angeles. Os familiares enviaram ao G1 as cópias das mensagens trocadas com as autoridades consulares brasileiras, que alegam que o governo norte-americano "tem o poder soberano de decidir sobre o desembarque". Ainda segundo os representantes do Brasil, há outros profissionais em navios que estão nos grupos de risco.

Os familiares do brasileiro também disseram que tentam a solução de desembarcar os tripulantes em portos mexicanos. De acordo com as mensagens trocadas entre a família do profissional e o Consulado, as autoridades consulares afirmaram que "não receberam informações sobre o plano de repatriação" a partir do México.

O G1 procurou o Itamaraty para saber quais ações específicas o governo brasileiro está tomando para repatriar os brasileiros em navios, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

Preocupação com tripulantes

Ônibus com passageiros do cruzeiro japonês 'Diamond Princess' deixa o pier de Dailolu em Yokohama, onde passou o tempo atracado durante a quarentena. — Foto: Athit Perawongmetha/Reuters

Outros tripulantes brasileiros relatam ansiedade em voltar para casa enquanto aguardam em navios em alto mar ou perto da costa de outros países. O retorno, porém, esbarra nas severas regras sanitárias de governos como o norte-americano.

Embora as companhias garantam que mantêm os tripulantes em segurança e que proporcionam opções de alimentação e lazer, há funcionários que relatam preocupação com possíveis contágios pelo novo coronavírus dentro das embarcações ou mesmo com problemas de saúde mental que possam desenvolver no confinamento.

Segundo a agência France Presse, ao menos um tripulante morreu ao se jogar ao mar de um navio holandês no domingo passado (10). Outras três mortes em embarcações de cruzeiros não relacionadas à Covid-19 preocupam as companhias.

As companhias vivem a preocupação com o novo coronavírus desde o início da pandemia, quando o navio Diamond Princess teve um surto entre passageiros e tripulantes e precisou ficar em quarentena na costa do Japão.

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