×
ContextoExato

Contexto Exato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 02 de julho de 2022

Farinha de mandioca da Amazônia: Produção artesanal e floresta em pé

Farinha de mandioca da Amazônia: Produção artesanal e floresta em péFoto: No Amazonas, produção de farinha de mandioca é símbolo da identidade cultural e fonte de renda - Felipe Rosa/Embrapa

No Amazonas, produção de farinha de mandioca é símbolo da identidade cultural e fonte de renda para as famílias

Murilo Pajolla - Portal Brasil De Fato - 31/05/2022 - 09:33:44

O mais importante é que a gente faz o que gosta

A farinha de mandioca é uma paixão nacional. Mas, para quem mora na Amazônia, ela é mais do que um alimento: é um símbolo da identidade cultural. A produção é feita de maneira artesanal, em pequenas propriedades familiares e sem agrotóxicos.

Dá para sentir o cheiro da farinha sendo torrada só de se aproximar da propriedade de Ronaldo Albuquerque, na zona rural de Lábrea, no Sul do Amazonas. Na casa de farinha do Ronaldo, a produção é garantia do sustento de 20 pessoas, que se revezam todos os dias na atividade.

"Rapaz, nós nos criamos dentro da roça. Desde novinho que nós já trabalhamos na agricultura. O nosso pai desde novo já trabalhava na agricultura", destaca o produtor.

O processo começa no plantio da mandioca-brava, uma variedade que tem toxinas perigosas. Elas serão neutralizadas somente ao longo do preparo. Depois de um ano embaixo da terra, a mandioca está pronta para a colheita, depois de ter crescido em meio à vegetação.

Leia também: Aipim, mandioca ou macaxeira? Escolha o nome e a consistência na preparação do bolo

Com um terço na mão, dona Sueli abre caminho até chegar à mandioca. Em seguida, é hora de descascar e limpar bem, pra tirar todas as impurezas que podem interferir na qualidade final.

Limpa, a mandioca é deixada para fermentar por três dias coberta por água. E um dos segredos para uma farinha boa é justamente a qualidade dessa água. Como no local não chega água encanada, o abastecimento com poços artesianos é fundamental.

"Se colocar, por exemplo, numa água barrenta, ela não vai dar boa. Vai dar uma farinha suja. Se você colocar ela numa água limpinha, lavadinha a mandioca, ela vai dar uma farinha de primeira", explica Albuquerque.

Leia ainda: Conheça o sistema agroflorestal de produção do café idealizado pelo MST no Sul da Bahia

Já bem amolecida, a mandioca é ralada e vai para uma prensa. O líquido que escorre ajuda a eliminar as toxinas naturais da planta e torná-la apta para o consumo.

Na etapa final, a mandioca ralada é torrada e começa a ganhar aparência do produto final. Aí entra em cena a habilidade do torrador, que não pode deixar a farinha queimar, mesmo com o fogaréu bem intenso. Para ficar bem fininha, a farinha é peneirada e depois volta pro fogo.

Ronaldo Albuquerque compartilha alguns dos segredos pra deixar a farinha bem ao gosto dos amazonenses.

"Essa amarela o cara tem que torrar; quando ela estiver meio molhadinha, bem amarelinha, aí a gente traz para escaldar. E também tem que ver o fogo. Se ficar fogo demais, ela embola, aí não fica nada que preste", ensina o produtor.

A farinha feita assim serve de alimento e renda para muitas comunidades ribeirinhas e indígenas, moradores de unidades de conservação que ajudam a manter a floresta em pé.

"O mais importante é que a gente faz o que gosta, e o outros gostam, que é o mais importante", finaliza.

Edição: Douglas Matos

Comentários para "Farinha de mandioca da Amazônia: Produção artesanal e floresta em pé":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório
Destilaria de Santa Catarina participa de concurso em Singapura e conquista duas medalhas

Destilaria de Santa Catarina participa de concurso em Singapura e conquista duas medalhas

Destilaria de Santa Catarina participa pela primeira vez de concurso renomado do setor de bebidas em Singapura e conquista duas medalhas de bronze

Para especialista, inverno reforça a combinação de queijos e vinhos

Para especialista, inverno reforça a combinação de queijos e vinhos

Para exemplificar esse cenário, Kambilis traz alguma das harmonizações mais clássicas

Alimentação equilibrada: É preciso ter cuidado com os

Alimentação equilibrada: É preciso ter cuidado com os "lanchinhos diários"

O ideal é priorizar produtos sem açúcar e com nutrientes que contribuem para a saúde

Festival Nacional Mel, Chorinho e Cachaça movimenta o Ceará

Festival Nacional Mel, Chorinho e Cachaça movimenta o Ceará

Promoção será nos dias 16, 17 e 18 próximos

Maior queijo do mundo será produzido em Ipanema, Minas Gerais

Maior queijo do mundo será produzido em Ipanema, Minas Gerais

Produção do queijo, doce de leite e queimadinha

Dia Mundial do vinho Chardonnay foi celebrado em 27 de maio

Dia Mundial do vinho Chardonnay foi celebrado em 27 de maio

O Chile produz vinhos que, de forma geral, possuem um estilo que agradam ao paladar do brasileiro

A busca pela saúde por meio da alimentação aumenta no mercado

A busca pela saúde por meio da alimentação aumenta no mercado

É fato que o desejo pela longevidade é o principal motor de muitas das instituições da sociedade durante sua história

Dia do Hambúrguer: TABASCO e Chef Júnior Marinho indicam receita

Dia do Hambúrguer: TABASCO e Chef Júnior Marinho indicam receita

O queridinho dos brasileiros ganha uma versão com hambúrguer de linguiça apimentado pelo molho de pimenta TABASCO®

Três enotrips obrigatórias para os amantes do vinho

Três enotrips obrigatórias para os amantes do vinho

Agência Abreu indica roteiros fabulosos pela Europa para provar os melhores vinhos do mundo

Batata frita de Marechal Hermes agora é Patrimônio Cultural Material do Estado do RJ

Batata frita de Marechal Hermes agora é Patrimônio Cultural Material do Estado do RJ

Comerciante Ademar Moreira vende a tradicional batata frita em frente à estação de trem há mais de 30 anos

Alimentação decolonial: Tradições quilombolas mudam forma de cozinhar da chef Aline Guedes

Alimentação decolonial: Tradições quilombolas mudam forma de cozinhar da chef Aline Guedes

Pesquisadora segue uma transformação processual das referências colonizadoras da cozinha eurocêntrica