No Distrito Federal: Festival de Curtas NaMoral transforma histórias de estudantes em cinema

Segunda edição reuniu quase 500 estudantes em produções sobre cidadania, integridade e desafios vividos dentro e fora da escola

No Distrito Federal: Festival de Curtas NaMoral transforma histórias de estudantes em cinema
No Distrito Federal: Festival de Curtas NaMoral transforma histórias de estudantes em cinema

Secretaria De Comunicação Do Mpdft - 08/10/2026 05:40:43 | Foto: Secretaria de Comunicação do MP do DF

Com um celular na mão, uma ideia na cabeça e histórias que fazem parte de suas próprias vidas, estudantes da rede pública do Distrito Federal transformaram questões como bullying, violência contra a mulher, desinformação e desigualdade em cinema. O resultado chegou à tela do Cine Brasília nesta quarta-feira, 7 de outubro, durante a segunda edição do Festival de Curtas NaMoral.

Sob o tema “Curtas que Transformam”, o festival reuniu produções criadas pelos próprios estudantes e abriu espaço para que eles contassem, a partir de seu olhar, histórias sobre cidadania, integridade e convivência. Cinco filmes selecionados pela comissão técnica foram exibidos e premiados durante a cerimônia.

A iniciativa integra o projeto NaMoral, desenvolvido pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) em parceria com a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF). Nesta edição, 12 escolas participaram do projeto, envolvendo 494 estudantes e 31 professores. Ao todo, os jovens produziram 18 curtas-metragens.

Da escola para a telona

Os cinco filmes selecionados para a mostra foram “Ecos da mentira”, “Entre becos e sonhos”, “Integridade: uma história contada em rascunhos”, “O peso do apelido” e “Nenhuma mulher a menos”. Na avaliação da comissão técnica, “Ecos da mentira” conquistou o primeiro lugar, seguido por “Entre becos e sonhos” e “Integridade: uma história contada em rascunhos”. Já na votação popular, o público escolheu “Nenhuma mulher a menos” como vencedor. “Integridade: uma história contada em rascunhos” ficou em segundo lugar e “Ecos da mentira”, em terceiro.

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O festival também premiou os destaques de atuação. Maria Clara Marques, de 16 anos, estudante do CEM 404 de Santa Maria, foi escolhida como melhor atriz por “Ecos da mentira”. Para ela, o reconhecimento teve um significado que ultrapassou o palco. “Participar do projeto NaMoral foi incrível e ajudou a mostrar o valor da nossa escola para além dos rótulos. Ver o nosso trabalho impactando as pessoas e gerando essa troca foi uma das experiências mais importantes da minha vida”, contou.

O prêmio de melhor ator ficou com Vitor Miguel Gomes, de 15 anos, do CED 17 de Ceilândia, pela atuação em “Entre becos e sonhos”. Ele fez questão de dividir a conquista com os colegas. “Essa conquista não é só minha, é de todo o nosso grupo. A gente começou do zero, apenas com um celular na mão, e ver esse reconhecimento agora é a prova de que dar o seu melhor vale a pena.”

Mais do que uma competição, o Festival de Curtas NaMoral convida os estudantes a observar o mundo ao redor e contar o que veem. Na construção dos roteiros, situações presentes no cotidiano escolar e na sociedade se transformam em personagens, cenas e histórias — e também em oportunidades para conversar sobre escolhas, respeito, ética e responsabilidade.

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Foi assim com “Nenhuma mulher a menos”, vencedor do júri popular. O curta levou à tela a violência contra a mulher e o feminicídio, mostrando que agressões graves podem ser precedidas por comportamentos muitas vezes naturalizados no dia a dia.Para Sofia Garcia, de 15 anos, estudante do CED 08 do Gama e integrante da produção, falar sobre o tema também é uma forma de prevenção. “A violência não começa do nada: ela acontece num ponto de ônibus, numa risadinha na escola, em pequenas coisas que muitas vezes acabamos relevando”, afirmou.

Isaac Carvalho, de 15 anos, do CEMAB, participou de “Integridade: uma história contada em rascunhos” e encontrou no processo de criação outra dimensão do projeto: aprender a construir junto. “Foi todo mundo juntando os seus próprios talentos para tentar criar algo interessante. Foi gratificante porque mostrou que esforço vale a pena”, contou.

Para a professora Raabe Lima, do CEM 404 de Santa Maria, acompanhar os alunos na criação de um filme mostrou que a aprendizagem pode ultrapassar os limites da sala de aula. “Ver os alunos engajados na criação do roteiro, discutindo cidadania, valores e as consequências de suas escolhas foi gratificante. Nossa maior expectativa é que tudo o que aprenderam com esse projeto seja levado para a vida toda.”

Reconhecimento

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Durante a cerimônia, o vice-procurador-geral de justiça jurídico-administrativo, procurador de justiça Nísio Tostes, destacou a capacidade das histórias de transformar a maneira como enxergamos situações aparentemente comuns. “O cinema nos convida a enxergar pelos olhos do outro. Uma boa história pode nos fazer perceber uma injustiça que passava despercebida, compreender uma dificuldade, repensar uma atitude que parecia normal. Por isso, fazer um filme também pode ser uma forma de exercer a cidadania”, afirmou.

A coordenadora do NaMoral no MPDFT, promotora de justiça Fernanda Molyna, convidou os jovens a não deixarem de imaginar o próprio futuro. “Todo sonho começa com uma ideia. Toda grande invenção começou na cabeça de alguém. Toda profissão, antes, foi idealizada na imaginação de uma pessoa”, disse. Ela também lembrou a importância de quem acompanha os estudantes nessa trajetória: “Lembrem-se dos professores de vocês, daquelas pessoas que acreditaram em vocês muitas vezes quando vocês não acreditavam.”

A secretária-geral do MPDFT, Claudia Tomelin, acompanhou a premiação e ressaltou o talento e a dedicação dos estudantes e educadores envolvidos no projeto. Também estiveram presentes a assessora de Políticas Institucionais, Polyanna Silvares, e as promotoras de justiça Rosana Viegas e Yara Maciel.

Histórias que transformam

O estudante Isaac Carvalho, de 15 anos, do CEMAB e participante do curta “Integridade: uma história contada em rascunhos”, destacou o trabalho coletivo desenvolvido durante a produção. “Foi uma experiência nova, foi um trabalho coletivo que todo mundo colaborou, tentando colocar as próprias ideias, todo mundo tentou contribuir do melhor jeito que entendia. Foi todo mundo juntando os seus próprios talentos para tentar criar algo interessante. Foi gratificante porque mostrou que esforço vale a pena”, contou.

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Sofia Garcia, de 15 anos, do CED 08 do Gama, comemorou o reconhecimento do curta “Nenhuma mulher a menos”, vencedor do júri popular, e destacou a importância de discutir a violência contra a mulher antes que ela se agrave. “A violência não começa do nada: ela acontece num ponto de ônibus, numa risadinha na escola, em pequenas coisas que muitas vezes acabamos relevando. O feminicídio não pode ser o ponto final dessas mulheres. Acreditamos que uma sociedade de verdade se constrói com senso crítico”, afirmou.

A chefe da Assessoria Especial de Cultura da Paz, Ana Beatriz Goldstein, também destacou a construção coletiva proporcionada pela iniciativa. “Educação não se faz sozinha, só se faz em muitas mãos. Elas estão aqui, nós estamos de braços dados.”

O diretor-geral da Faculdade Uninassau no DF, Diogo Ferreira, ressaltou o papel da educação na construção de novos caminhos. “Vocês vão perceber o quanto sonhos podem ser descobertos e realidades podem ser atendidas através da educação, através da pesquisa, através do ensino, através da qualidade do professor pegar na mão de cada um de vocês e fazer a coisa acontecer.”

A secretária adjunta da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal, Iedes Braga, parabenizou os estudantes pelo protagonismo. “Parabéns a vocês estudantes, a quem aqui eu faço reverência, porque vocês de fato são os principais agentes de transformação dessa nossa sociedade.”

O gerente da Assessoria de Políticas Públicas e Ecossistemas de Negócios do Sebrae no DF, Jorge Adriano da Silva, relacionou a integridade à construção do futuro. “Não existe uma forma da gente construir o tudo bom para a gente que não seja pela ética, pela integridade. Vocês têm uma grande oportunidade de construir para vocês esse futuro. E o futuro de vocês é o futuro da cidade, é o futuro de Brasília, é o futuro do Brasil.”

O secretário executivo de Relações Institucionais da Secretaria de Segurança Pública do DF, Mauro Oliveira, também abordou o tema. “A integridade ela é expressa quando a gente age quando ninguém tá vendo. São nesses momentos que a gente prova para nós mesmos que nós somos íntegros, que nós somos honestos.”

O coordenador regional de Cidadania Fiscal da Receita Federal do Brasil, Reginaldo Araújo, destacou a participação dos estudantes. “Estamos aqui para prestigiar e parabenizar principalmente vocês, estudantes vencedores, que com suas obras nos inspiram e agregam valor à educação brasileira. A Receita Federal tem orgulho de colaborar com iniciativas que transformam a sociedade por meio da ética, da integridade e da cidadania.”

Premiação:


Júri popular
1º lugar: Nenhuma mulher a menos;
2º lugar: Integridade: uma história contada em rascunhos;
3º lugar: Ecos da mentira.


Comissão técnica
1º lugar: Ecos da mentira;
2º lugar: Entre becos e sonhos;
3º lugar: Integridade: uma história contada em rascunhos.


Destaques de atuação
Melhor atriz: Maria Clara Marques, 16 anos, CEM 404 de Santa Maria, por Ecos da mentira;
Melhor ator: Vitor Miguel Gomes, 15 anos, CED 17 de Ceilândia, por Entre becos e sonhos.


Comissão técnica
A comissão responsável pela avaliação dos curtas foi formada pela promotora de justiça Fernanda Molyna e por Gustavo Resende, do MPDFT; Adriano Ramos, da Assessoria Especial de Cultura da Paz (AECP); Luiz Eduardo Almeida, da Unidade-Escola de Formação Continuada dos Profissionais da Educação (Eape); João Rafael Barbosa, da Eape; e Paulo Moraes, da Eape.


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