Governo americano nega intenção de 'minar' eleições no Brasil

O Itamaraty negou os vistos ao secretário-assistente Riley M. Barnes e ao subsecretário-assistente Samuel Samson, funcionários do Departamento de Estado

Governo americano nega intenção de 'minar' eleições no Brasil
Governo americano nega intenção de 'minar' eleições no Brasil

Isabella Menon E Ana Bottallo-washington, Eua, E São Paulo, Sp (folhapress) - 26/07/2026 12:46:09 | Foto: O Itamaraty negou visto de entrada aos funcionários americanos - Divulgação/Secom

O Departamento de Estado dos EUA divulgou uma nota, no começo da noite de sábado (25), negando qualquer intenção de influenciar a eleição brasileira.

Segundo o governo Trump, tratava-se uma visita programada a Brasília entre os dias 27 e 30 de julho para se reunir com autoridades do governo, líderes religiosos e representantes da sociedade civil "a fim de discutir integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão".

"Qualquer insinuação de que essa viagem seria uma 'manobra' para minar a eleição de uma nação democrática é uma mentira sem qualquer fundamento."
O Itamaraty negou os vistos ao secretário-assistente Riley M. Barnes e ao subsecretário-assistente Samuel Samson, funcionários do Departamento de Estado. A intenção da viagem foi revelada pelo jornal americano The Washington Times.

Segundo quatro funcionários americanos e brasileiros ouvidos pelo jornal, o objetivo era lançar dúvidas sobre a integridade e a transparência do processo eleitoral brasileiro.

Em nota divulgada neste sábado (25), o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) informou que sua área internacional foi procurada pela embaixada dos Estados Unidos para tratar da visita dos representantes do governo Trump, mas o tema da reunião não havia sido informado.

A agenda não foi marcada, disse o TSE, em razão do recesso do Judiciário.

Antes, o presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, se reuniu em junho com embaixadores para explicar como funciona o sistema eletrônico de votação do Brasil. Segundo o TSE, ele defendeu as urnas na ocasião.

"No próximo dia 17 de agosto, um novo encontro com embaixadores será promovido dentro do próprio TSE, e a diplomacia dos EUA será convidada", diz o órgão.

TSE diz que foi procurado por governo Trump, mas que tema da agenda não foi informado

JOSÉ MARQUES-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) afirmou em nota neste sábado (25) que foi procurado pela embaixada dos Estados Unidos para tratar da visita dos funcionários do Departamento de Estado que viajariam ao Brasil nos próximos dias e tiveram o visto negado pelo Itamaraty.

Segundo o TSE, embaixada fez a consulta à área internacional do tribunal e não informou da temática da agenda. Nenhuma reunião foi marcada devido ao recesso de julho do Judiciário.

Em junho, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, se reuniu com 25 embaixadores para explicar como funciona o sistema eletrônico de votação do Brasil. O órgão afirma que ele defendeu as urnas eletrônicas aos representantes estrangeiros.

"No próximo dia 17 agosto, um novo encontro com embaixadores será promovido dentro do próprio TSE, e a diplomacia dos EUA será convidada, além de todos os países com representação no Brasil. Na ocasião, novamente o presidente falará sobre o funcionamento da urna eletrônica, patrimônio do povo brasileiro", diz a nota do TSE.

O tribunal lista que já aceitaram compor a missão de observadores eleitorais nas eleições de outubro a Organização dos Estados Americanos, a União Europeia, o Parlasul, o Carter Center, o Uniore e a Rojae-CPLP. "A União Africana e a Liga Árabe também receberam convites", diz.

Segundo revelou o The Washington Post nesta sexta-feira (24), o presidente americano, Donald Trump, planejava mandar os auxiliares para lançar dúvidas sobre a integridade e a transparência do processo eleitoral brasileiro, segundo quatro funcionários americanos e brasileiros ouvidos pelo jornal.

Integrantes do corpo diplomático brasileiro afirmaram que a decisão de negar o visto foi tomada após detectarem uma possível ligação entre o ataque às urnas promovido pelo pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) e o governo Donald Trump.

Os vistos foram solicitados no dia 20 de julho pelo secretário-assistente Riley M. Barnes e pelo subsecretário-assistente Samuel Samson. A divulgação de informação falsa sobre as urnas por Flávio ocorreu no dia 21, e a negativa do Itamaraty foi na sexta-feira (24).

A intenção dos funcionários do governo americano era chegar ao Brasil semanas antes do primeiro turno, que acontecerá no dia 4 de outubro. O governo Lula e o Itamaraty ligaram o alerta temendo a instrumentalização da viagem.

Trump tenta enviar assessores ao Brasil para questionar eleições, mas Itamaraty nega vistos

AUGUSTO TENÓRIO E ANA BOTTALLO-SÃO PAULO, SP, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Itamaraty negou o visto a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que viajariam ao Brasil nos próximos dias.

Segundo revelou o The Washington Post nesta sexta-feira (24), o presidente americano, Donald Trump, planejava mandar os auxiliares para lançar dúvidas sobre a integridade e a transparência do processo eleitoral brasileiro, segundo quatro funcionários americanos e brasileiros ouvidos pelo jornal.

À Folha, integrantes do corpo diplomático brasileiro afirmaram que a decisão de negar o visto foi tomada após detectarem uma possível ligação entre o ataque às urnas promovido pelo pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) e o governo Donald Trump.

Os vistos foram solicitados no dia 20 de julho pelo secretário-assistente Riley M. Barnes e pelo subsecretário-assistente Samuel Samson. A divulgação de informação falsa sobre as urnas por Flávio ocorreu no dia 21, e a negativa do Itamaraty foi na sexta-feira (24).

A intenção dos funcionários do governo americano era chegar ao Brasil semanas antes do primeiro turno, que acontecerá no dia 4 de outubro. O governo Lula e o Itamaraty ligaram o alerta, temendo a instrumentalização da viagem.

A avaliação é que, quando Flávio Bolsonaro repetiu uma informação falsa citando a CIA (sigla para Agência Central de Inteligência dos EUA), estava preparando seu discurso para o caso de derrota na eleição. Isso poderia fomentar uma tentativa de intervenção.

Durante uma conversa com embaixadores na segunda-feira, Flávio afirmou: "Há poucos dias, por coincidência, há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela. [...] Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma... Têm a mesma origem dessa empresa venezuelana".

Na convenção estadual do PT, neste sábado (25), Lula disse: "Quem de fora quiser vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo, vai apanhar muito nas eleições".

"É uma manobra completamente incompatível com a democracia brasileira", disse uma autoridade ao Washington Post, que falou sob condição de anonimato porque não estava autorizada a dar entrevista.

O Departamento de Estado confirmou, em comunicado, que a viagem ao Brasil está na agenda de Barnes e Samson, mas não deu detalhes sobre o motivo da visita.

Nem Barnes nem Samson responderam à reportagem do Post solicitando comentários.

Esta é a segunda vez que o Itamaraty nega vistos a funcionários dos EUA neste ano. Em março, o governo Lula proibiu a entrada no país de Darren Beattie, conselheiro de Trump para o Brasil. À época, Beattie pediu para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, mas o pedido foi negado. Integrantes do governo viram uma tentativa de tumultuar o processo pré-eleitoral no Brasil.

Além disso, segundo o próprio presidente Lula disse à época, o cancelamento do visto de Beattie era uma resposta ao cancelamento do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

"Aquele cara americano [Darren Beattie] que disse que vinha para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar [Bolsonaro] e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar o visto do meu ministro da Saúde, que está bloqueado", disse Lula na época.

Riley M. Barnes, natural de Uvalde, Texas, é cientista político pela Universidade de Washington, e Lee é mestre em relações internacionais pela Escola Bush de Serviço Público e Governança do Texas.

Barnes ocupa o cargo de secretário-assistente de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL, na sigla em inglês). Foi designado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, em fevereiro deste ano, para atuar também como coordenador especial do governo americano no Tibete. Em abril, o secretário delegou a ele as atribuições de embaixador itinerante para a Liberdade Religiosa Internacional, além de ter sido indicado para presidir a agência Corpos da Paz.

Já Samuel D. Samson, natural de Boston, Massachusetts, diz ser um "texano orgulhoso". Nomeado para o cargo de subsecretário-assistente do DRL, sua função inclui a proteção de direitos naturais e o desenvolvimento de políticas para preservar a herança das sociedades ocidentais, incluindo os Estados Unidos, de acordo com sua biografia na página do Departamento de Estado.

Ele é autor de textos que falam sobre a importância de "preservar civilizações ocidentais", formar parcerias entre os Estados Unidos e países da Europa e o "combate a governos que transformam instituições políticas em armas contra seus próprios cidadãos e nossa herança em comum". Samson afirma que a "Europa se transformou em um foco de censura digital, migração em massa, restrições à liberdade religiosa e inúmeros ataques à autogovernança democrática".

A sua agenda global inclui visitar países, sobretudo do continente africano, em defesa da "América em primeiro lugar", principal bandeira de Trump a seus apoiadores.

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