Após Moraes se declarar impedido, Gilmar nega recurso de advogado por domiciliar para Bolsonaro

A fala aconteceu na colocação de grau dos alunos da turma 194 do curso de direito da USP (Universidade de São Paulo)

Após Moraes se declarar impedido, Gilmar nega recurso de advogado por domiciliar para Bolsonaro
Após Moraes se declarar impedido, Gilmar nega recurso de advogado por domiciliar para Bolsonaro

João Pedro Abdo-são Paulo, Sp (folhapress) - 17/01/2026 16:59:42 | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil - Agência Brasil

MATEUS COUTINHO E GÉSSICA BRANDINO-BRASÍLIA, DF E SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou nesta sexta-feira (16) um habeas corpus movido por um advogado que pedia que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fosse para prisão domiciliar, pois seus direitos não estariam sendo respeitados na cela na Superintendência da PF.

O pedido foi protocolado por advogado que não atua para o ex-presidente e encaminhada ao STF antes de Bolsonaro ser transferido, na quinta-feira (15), para a Papudinha por ordem do ministro Alexandre de Moraes. Ainda assim, Gilmar entendeu que não seria cabível o recurso de um terceiro sem relação com o processo, uma vez que a defesa oficial do ex-presidente está atuando no caso.

No X, o advogado de Bolsonaro, Paulo Cunha Bueno, explicou que a jurisprudência do STF não permite que a decisão de um ministro relator do STF seja modificada por meio de habeas corpus, motivo pelo qual a defesa não optou por essa via.

"Aguardamos a realização da perícia médica, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, após o que será apreciado o pedido de transferência para o regime domiciliar", escreveu.

Qualquer pessoa pode entrar com habeas corpus no STF. A análise do pedido, porém, depende de alguns critérios mínimos, como a pessoa não estar sendo já representada por advogados.

Como está presidindo o Supremo neste momento, devido ao recesso do Judiciário, Moraes foi quem analisou o pedido e se declarou impedido, como informou o portal Metrópoles, pelo fato de o habeas corpus questionar um ato dele. O caso foi então redistribuído para a ministra Cármen Lúcia, que está de recesso e não pôde analisar o pedido.

Como é o mais antigo da corte e segue atuando mesmo no recesso, Gilmar recebeu de Moraes o pedido para analisá-lo.

"O presente habeas corpus foi manejado contra ato de ministro desta Suprema Corte, apontado como autoridade coatora. Nessa hipótese, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é reiterada e pacífica no sentido de que não se admite o conhecimento de habeas corpus impetrado contra decisões de Ministros ou de órgãos colegiados da própria Corte", decidiu Gilmar Mendes.

O recurso foi apresentado em paralelo aos esforços da defesa de Bolsonaro para ele ir para a domiciliar. Familiares e aliados do ex-presidente têm feito uma campanha intensa nas redes sociais alertando sobre a fragilidade de saúde de Bolsonaro e argumentando que ele deveria estar cumprindo pena em casa. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro chegou a se reunir com Moraes e Gilmar para pedir a domiciliar.

Em resposta aos apelos, Moraes mandou Bolsonaro ser transferido para a Papudinha -uma ala especial da Papuda com celas maiores e onde Bolsonaro poderá ter mais tempo de visitas com seus familiares. Ex-presidente está sozinho em uma cela especial com cama, cozinha, banheiros e área externa que lhe permite tomar banho de sol quando ele quiser.

Tradicionalmente, as celas da Papudinha são utilizadas para quatro presos, mas ex-presidente está com o espaço todo à disposição dele. Ele ainda conta com equipe médica à disposição 24h para atendê-lo em caso de emergências.

'Hoje já fiz o que tinha que fazer', diz Moraes após mandar Bolsonaro para a Papudinha

Horas após determinar a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da superintendência da PF (Polícia Federal) nesta quinta (15), em Brasília, para o 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), comentou a decisão em um evento na zona sul de São Paulo.

O magistrado disse, em tom de brincadeira, que os discursos anteriores ao dele não respeitaram a duração de três minutos e, por isso, ele havia cogitado "tomar algumas medidas". Na sequência, ele mencionou a decisão tomada mais cedo: "Eu me contive hoje, né? Acho que hoje eu já fiz o que eu tinha que fazer".

Na decisão, Moraes também aceitou o acesso o pedido da defesa de Bolsonaro, que cumpre pena por liderar uma tentativa de golpe de Estado, por assistência religiosa. Está autorizado o acesso do deputado distrital Thiago Manzoni (PL), da igreja IDE Brasília, e do ex-deputado Robson Rodovalho, presidente da Sarah Nossa Terra.

A transferência ocorre após uma série de pedidos e reclamações dos advogados do ex-presidente, que haviam solicitado medidas como a troca do aparelho televisivo por uma Smart TV e a redução de um possível ruído do aparelho de ar-condicionado. O relator da trama golpista descartou a possibilidade do ruído e não atendeu à troca da TV.

A fala aconteceu na colocação de grau dos alunos da turma 194 do curso de direito da USP (Universidade de São Paulo). Moraes é bacharel, mestre e doutor pela instituição, onde é professor titular de direito eleitoral. O evento foi realizado no Teatro Vibra São Paulo (zona sul).

O ministro foi patrono da turma, homenagem concedida por alunos a docentes que são considerados referência profissional e intelectual. Além dele, os professores Guilherme Madeira Dezem, Julia Lenzi Silva, Marcelo José Magalhães Bonizzi e José Carlos Baptista Puoli foram paraninfos de cada uma das salas do que compõem a turma. Essa outra homenagem é entregue a professores com maior proximidade dos discentes. Também discursaram dois alunos oradores.

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