Junho Laranja: Saiba por que é importante avaliar a saúde do sangue e como fazer

Campanha reforça a importância dos exames de rotina para identificar alterações hematológicas antes do surgimento de complicações graves

Junho Laranja: Saiba por que é importante avaliar a saúde do sangue e como fazer
Junho Laranja: Saiba por que é importante avaliar a saúde do sangue e como fazer

Redação Com Informações De Assessoria - 17/06/2026 11:46:32 | Foto: Divulgação de assessoria

Um estudo publicado em 2025 por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica (PUC) revelou que, entre 2020 e 2024, o Brasil registrou mais de meio milhão de internações por doenças do sangue e dos órgãos hematopoéticos (estruturas responsáveis pela formação e manutenção das células sanguíneas), além de alguns transtornos imunitários. O dado reforça o alerta da campanha Junho Laranja, dedicada à conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce de doenças hematológicas.

Entre as condições que mais exigem atenção estão a hemofilia, doença genética sem cura caracterizada pela deficiência na coagulação do sangue, e a talassemia, causada por alterações nas hemácias e que afeta cerca de 30 a 50 mil pessoas no país. Já a anemia, uma das doenças hematológicas mais comuns, atinge aproximadamente 25% dos brasileiros.

Muitas dessas enfermidades podem evoluir silenciosamente, dificultando o diagnóstico precoce. “Algumas doenças hematológicas evoluem lentamente e podem permanecer sem sintomas por meses ou até anos. Como muitos pacientes não realizam exames de rotina regularmente, alterações importantes acabam passando despercebidas”, afirma o hematologista e consultor médico do Sabin Diagnóstico e Saúde, Felipe Magalhães Furtado.

Sinais de alerta

Cansaço excessivo, palidez, falta de ar, tonturas, febre sem causa aparente, perda de peso involuntária, suor noturno e aumento de linfonodos (popularmente conhecidos como “ínguas”), podem indicar alterações no sangue, principalmente quando surgem de forma associada. Hematomas frequentes, sangramentos gengivais ou nasais, fluxo menstrual intenso e infecções recorrentes também merecem atenção.

“Esses sintomas muitas vezes são confundidos com estresse, viroses ou até deficiências nutricionais. Por isso, é importante procurar avaliação médica para investigar a origem do problema”, explica Furtado. Segundo o especialista, alguns sinais menos conhecidos também podem ter origem hematológica, como coceira intensa após banho quente e episódios de trombose em pessoas jovens.

Investigação clínica

O hemograma costuma ser o primeiro exame solicitado durante a investigação clínica. Ele avalia componentes do sangue, como hemoglobina, leucócitos e plaquetas, podendo indicar anemias, infecções, alterações imunológicas e até doenças da medula óssea. Para complementar a análise, também podem ser solicitados exames como ferritina, perfil de ferro, vitamina B12, ácido fólico, reticulócitos e provas de coagulação.

Quando há sintomas persistentes ou alterações mais significativas, exames específicos passam a ser indicados. Entre eles estão a eletroforese de hemoglobina, utilizada para identificar alterações hereditárias; a imunofenotipagem, que caracteriza células sanguíneas; o mielograma, responsável pela análise da medula óssea; além de testes moleculares capazes de detectar alterações genéticas.

Esses recursos ajudam no diagnóstico de doenças mais graves, como leucemias, linfomas e distúrbios de coagulação. “O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de controle da doença e melhora a resposta ao tratamento. Além disso, reduz o risco de complicações graves, como infecções, sangramentos, tromboses e falência medular”, destaca o hematologista.

Furtado ressalta ainda que alguns grupos precisam de acompanhamento mais frequente, como idosos, pacientes com doenças crônicas, pessoas com histórico familiar de doenças hematológicas e portadores de doenças autoimunes. “Gestantes e crianças também merecem atenção especial em determinadas situações, devido à maior frequência de deficiências nutricionais e alterações hematológicas específicas dessas fases da vida”, orienta.

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