Liquidado pelo BC, Will Bank foi criado para atender população de baixa renda e ganhou tração no Nordeste

Will Bank tem mais de R$ 6,5 bilhões em CDBs

Liquidado pelo BC, Will Bank foi criado para atender população de baixa renda e ganhou tração no Nordeste
Liquidado pelo BC, Will Bank foi criado para atender população de baixa renda e ganhou tração no Nordeste

São Paulo, Sp (folhapress) - 21/01/2026 08:22:24 | Foto:

O Will Bank, cuja liquidação foi anunciada pelo Banco Central nesta quarta-feira (21), é um banco digital do conglomerado do Banco Master. Criado em 2017, tinha a proposta de ampliar a inclusão financeira, oferecendo produtos como cartão de crédito sem anuidade a clientes fora do sistema bancário tradicional.

Com operações digitais e marketing forte na TV e redes sociais, sua atuação ganhou tração no Nordeste. No ano passado, chegou a 9 milhões de clientes.

Com a liquidação, a instituição tem cerca de R$ 6,5 bilhões em CDBs (Certificados de Depósito Bancário) a pagar, segundo dados mais recentes do BC, referentes a setembro de 2025. Os investimentos são elegíveis ao ressarcimento pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito), desde que respeitado o teto de R$ 250 mil.

O banco digital foi comprado pelo Banco Master no início de 2024. Na ocasião, o Will tinha cerca de 6 milhões de clientes e havia faturado R$ 2,8 bilhões no ano anterior.

Quando o BRB (Banco de Brasília) anunciou, em março de 2025, a compra do Banco Master, a estratégia declarada era usar a instituição como porta de entrada no mercado de serviços digitais e ampliar a presença nas classes C e D.

O Banco Central, porém, rejeitou a operação em setembro. Em novembro, o órgão anunciou o início do processo de liquidação do Master -quando conclui que a situação de uma instituição financeira é irrecuperável. Nesses casos, o funcionamento do banco é interrompido e ele é retirado do sistema financeiro nacional.

No processo de intervenção, o Will Bank foi preservado, diante do interesse de investidores em adquirir o banco digital. A ideia era que a venda do Will Bank pudesse reduzir parte do passivo do Master, controlado por Daniel Vorcaro.

Como a Folha mostrou, o apresentador Luciano Huck e o fundo Mubadala Capital, braço de investimentos alternativos do fundo soberano de Abu Dhabi, avaliaram a compra da fintech no ano passado.

Desde então, o Will Bank estava sob regime especial de administração temporária do Banco Central, mecanismo que permite a continuidade das operações enquanto se buscam alternativas para minimizar perdas para o FGC e demais credores.

O regime garante que o banco não sofra interrupções em suas atividades e autoriza sua venda mediante aprovação do interventor.

As tratativas com interessados em adquirir o Will Bank continuaram a acontecer depois da liquidação do Master, mas a passos lentos.

Nesta semana, a bandeira de cartão de crédito Mastercard decidiu suspender a aceitação de cartões emitidos pelo Will depois de o banco não honrar pagamentos, impondo mais uma dificuldade para a instituição.

Transações feitas por consumidores não foram honradas pelo banco nesta segunda-feira (19) junto a diversos participantes da indústria de cartões. Ao suspender as transações, evita-se que o valor devido pelo Will Bank aumente.

O banco digital encerrou setembro do ano passado com R$ 14,2 bilhões de ativos e um patrimônio líquido negativo de R$ 76,2 milhões, segundo dados do Banco Central. No terceiro trimestre de 2025, teve um lucro líquido de R$ 408,3 milhões.

Will Bank tem mais de R$ 6,5 bilhões em CDBs

JÚLIA MOURA-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Will Bank, cuja liquidação foi anunciada nesta quarta-feira (21) pelo Banco Central, tem R$ 6,508 bilhões em CDBs (Certificados de Depósito Bancário) a pagar, segundo as informações mais recentes do Banco Central, referentes a setembro de 2025.

Esses investimentos são elegíveis à cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), desde que respeitado o teto de R$ 250 mil.

Apesar de ressarcir 800 mil credores do Master, em R$ 40,6 bilhões,com as obrigações relacionadas ao Will Bank. Em novembro de 2025, o fundo tinha R$ 125 bilhões de liquidez.

"Mesmo após o pagamento das garantias do caso Master, o fundo permanece com reservas robustas, suficientes para suportar cenários severos de estresse de mercado", afirmou o FGC ao liberar o ressarcimento de quem tinha dinheiro no banco.

A instituição fazia parte do conglomerado do Banco Master e entrou em Regime de Administração Especial Temporária (Raet), decretado pelo BC (Banco Central) em novembro, quando o regulador liquidou o banco de Daniel Vorcaro.

Segundo as informações disponibilizadas pelo BC a partir de dados enviados pelo Will Bank, a financeira devia R$ 14,2 bilhões em setembro e estava com o patrimônio líquido negativo em R$ 76 milhões.

O Will Bank também tem R$ 1,3 bilhão em letras financeiras para pagar. Esses instrumentos, porém, não são garantidos pelo FGC.

No terceiro trimestre de 2025, o banco digital teve um lucro líquido de R$ 408,3 milhões.

Quando decretou a liquidação do Banco Master no dia 18 de novembro, o BC decidiu preservar o Will Bank devido ao interesse de investidores em adquirir o banco digital naquela época.

No regime de administração especial temporária, as atividades do banco são preservadas, apesar de seus dirigentes perderem o mandato.

Na terça-feira (20), a bandeira de cartão de crédito Mastercard decidiu parar de aceitar transações feitas via cartões emitidos pelo Will Bank após as operações realizadas por consumidores na segunda (19) não terem sido honradas pelo banco.

Em outubro, antes da liquidação do Master, pelo menos quatro investidores demonstraram interesse no banco digital. Segundo a Folha, entre os interessados, estavam dois fundos de private equity, um brasileiro e um estrangeiro.

Criado em 2017 e comprado pelo Master em 2024, o Will tinha cerca de 9 milhões de clientes no ano passado e contava com forte presença no Nordeste, nas classes C e D.

Totalmente digital, a fintech investiu muito em marketing. Entre seus garotos-propaganda estiveram o jogador Vinicius Junior, Whindersson Nunes, Pabllo Vittar, João Gomes, Simone Mendes, Maisa Silva, Thelma Assis e Danny Bond.

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COMO FUNCIONA A GARANTIA DO FGC
O valor máximo coberto pelo FGC é de R$ 250 mil por pessoa física (CPF) e jurídica (CNPJ). Estão garantidos:
- Depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio;
- Poupança;
- Depósitos a prazo, com ou sem emissão de certificado, como CDB e RDB;
- Depósitos mantidos em contas não movimentáveis por cheques destinadas ao registro e controle do fluxo de recursos referentes a prestação de serviços de pagamento de salários, vencimentos, aposentadorias, pensões e similares;
- LC (letra de câmbio);
- LH (letra hipotecária);
- LCI (letras de crédito imobiliário);
- LCA (letras de crédito do agronegócio);
- LCD (letras de crédito do desenvolvimento);
- Operações compromissadas que têm como objeto títulos emitidos, após 8 de março de 2012, por empresa ligada.

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