Mensagens no celular de Vorcaro citam plano de assalto para intimidar jornalista Lauro Jardim

Daniel Vorcaro, do Banco Master, é preso em nova fase da operação Compliance Zero

Mensagens no celular de Vorcaro citam plano de assalto para intimidar jornalista Lauro Jardim
Mensagens no celular de Vorcaro citam plano de assalto para intimidar jornalista Lauro Jardim

São Paulo, Sp, E Brasília, Df (folhapress) - 04/03/2026 10:52:05 | Foto: Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — Divulgação

A decisão de prender novamente Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi tomada porque a Polícia Federal encontrou no celular do empresário mensagens que citam uma tentativa de assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, como forma de intimidação.

O banqueiro foi preso preventivamente (sem tempo determinado) nesta quarta-feira (4) em nova fase da Operação Compliance Zero. A ordem partiu do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), novo relator das investigações sobre o caso Master no Supremo.

O ministro tarjou o nome do jornalista no processo, mas Lauro Jardim foi informado.

"A ideia explicitada na troca de mensagens era primeiro me monitorar, me seguir, descobrir coisas ruins contra mim. Em segundo lugar, simular um assalto e, segundo o próprio Vorcaro, quebrar meus dentes. Foi planejado e dado OK do Vorcaro para que fosse seguido", disse o jornalista à rádio CBN.

O Globo divulgou nota de repúdio às iniciativas criminosas planejadas contra o colunista. "A ação, como destacado pelo ministro André Mendonça, visava 'calar a voz da imprensa', pilar fundamental da democracia. Os envolvidos nessa trama criminosa devem ser investigados e punidos com o rigor da lei. O Globo e seus jornalistas não se intimidarão com ameaças e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público", afirma.

A coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, revelou no ano passado a viagem do ministro Dias Toffoli com um advogado ligado ao caso Master para ver a final da Libertadores no Peru. Também mostrou que, de 2023 a 2024, o patrimônio da mulher de Alexandre de Moraes, Viviane Barci, saltou de R$ 24 milhões para R$ 79,7 milhões.

Mendonça avaliava a decisão desde a última sexta-feira (27). A informação é de que ele recebeu pouco material da PF até o momento.

Em sua decisão, Mendonça diz que as investigações indicam que o investigado manteve relação contratual com uma pessoa "responsável pela coordenação de atividades voltadas à obtenção de informações, monitoramento de pessoas e levantamento de dados considerados relevantes para os interesses do grupo".

Não há indício de envolvimento dos advogados de Vorcaro no suposto esquema de ameaça ao jornalista. Tampouco há menção a ligações de Vorcaro com Toffoli ou Moraes.

Mendonça está em Frankfurt, na Alemanha, onde participa de um evento do Dinter (Diálogos Intercontinentais).

Pouco antes da prisão de Vorcaro, o ministro deixou a sala de debates na qual ocorria um painel sobre energia nuclear com a participação do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

O magistrado deixou o prédio da Universidade Goethe, onde ocorre o seminário, sem falar com a imprensa.

Segundo sua assessoria, ele não voltará ao evento. O ministro acompanha mais tarde, de forma remota, sessão do STF, assim como já fez com as sessões do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nesta semana.

Mendonça tem como conduta pessoal não comentar casos ou investigações em curso no tribunal.

Foi constatada invasão indevida de sistemas, inclusive da própria PF, MPF (Ministério Público Federal) e falsificação de documentos públicos. Foi simulada a assinatura de membro do Ministério Público.

Um grupo chamado de "A Turma", liderada por uma pessoa com o apelido "Sicário", fez ameaças a integridade física também de outras pessoas.

Há também suspeita de agentes públicos envolvidos: dois ocupantes de altos cargos no Banco Central, que auxiliavam Vorcaro e atendiam interesses dele. Os dois foram afastados do cargo pela decisão.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, nesta quarta-feira foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais. As investigações contaram com o apoio do Banco Central.

Daniel Vorcaro, do Banco Master, é preso em nova fase da operação Compliance Zero

JOSÉ MARQUES E ADRIANA FERNANDES-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, voltou a ser preso nesta quarta-feira (4) em nova fase da Operação Compliance Zero.

A determinação de prisão preventiva (sem tempo determinado) é do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que se tornou relator dos inquéritos relacionados ao caso.

A decisão foi tomada, entre outros motivos, porque a Polícia Federal encontrou no celular do empresário mensagens que citam intenção de forjar um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, como forma de intimidação.

"Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto", disse Vorcaro em uma mensagem.

Outro alvo de mandado de prisão foi Fabiano Zettel, pastor e marido da irmã de Vorcaro. Ele é apontado como um dos principais operadores do banqueiro.

Também foram presos Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão, apontado como operador financeiro do grupo, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.

A PF disse ao ministro que "há vasta prova da existência do crime e indícios suficientes de autoria, bem como se encontra devidamente evidenciado o perigo concreto gerado pelos investigados se permanecerem em liberdade".

Segundo a decisão de Mendonça, "identificou-se a emissão de ordens diretas de Daniel Vorcaro para que fossem praticados atos de intimidação de pessoas (dentre as quais, concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas) que seriam vistas como prejudiciais aos interesses da organização, e com vistas à obstrução da justiça".

O Globo divulgou nota de repúdio às iniciativas criminosas planejadas contra o colunista. "A ação, como destacado pelo ministro André Mendonça, visava 'calar a voz da imprensa', pilar fundamental da democracia. Os envolvidos nessa trama criminosa devem ser investigados e punidos com o rigor da lei. O Globo e seus jornalistas não se intimidarão com ameaças e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público", afirma.

Também foram identificados registros que indicam que Vorcaro "teve acesso prévio a informações relacionadas à realização de diligências investigativas, tendo realizado anotações e comunicações relativas a autoridades e procedimentos associados às investigações em andamento".

A PF também fez operação de busca e apreensão na casa do ex-diretor de fiscalização do BC (Banco Central) Paulo Sérgio Neves de Souza e do servidor Bellini Santana. Ambos já estavam afastados de suas funções na autoridade monetária, decisão agora reforçada por ser judicial.

A decisão de Mendonça diz que Vorcaro "manteve interlocução direta e frequente com servidores do
Banco Central do Brasil responsáveis pela supervisão bancária, discutindo temas relacionados à situação regulatória da instituição financeira e encaminhando documentos e minutas destinados à autarquia
supervisora para análise prévia".

"Nesse contexto, foram identificadas comunicações nas quais o investigado solicitava orientações estratégicas sobre a condução de reuniões institucionais, a elaboração de documentos e a abordagem de
temas sensíveis perante autoridades regulatórias."
A defesa de Vorcaro foi procurada pela reportagem, mas ainda não se manifestou.

Os advogados de Fabiano Zettel, Maurício Campos e Juliano Brasileiro, disseram que seu cliente se apresentou à Polícia Federal. "Em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades", diz a defesa, em nota.

A ordem de prisão não chegou a ser requisitada pela PGR (Procuradoria-Geral da República), que pediu mais tempo para se manifestar, e disse que não via perigo iminente para que as medidas fossem tomadas com urgência.

"Não se entrevê no pedido, nem no encaminhamento dos autos à Procuradoria-Geral da República, a indicação de perigo iminente, imediato, que induza a extraordinária necessidade de tão rápida e necessariamente sucinta análise do pleito", disse a PGR.

"Assinalo que antes dessa análise, a Procuradoria-Geral da República não pode ser favorável aos pedidos cautelares, não podendo aboná-los." Mendonça disse que deu prazo de 72 horas para a análise.

Foi constatada invasão indevida de sistemas, inclusive da própria PF, do Ministério Público Federal e falsificação de documentos públicos. Foi simulada a assinatura de membro do Ministério Público, segundo as investigações.

Um grupo chamado de "A Turma", liderado por Mourão, que tinha o apelido "Sicário", fez ameaças a integridade física também de outras pessoas consideradas oponentes.

Foram cumpridos os quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e de Minas Gerais. As investigações tiveram o apoio do Banco Central.

Também foram determinadas ordens de sequestro e de bloqueio de bens, no valor de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e de preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas, segundo a PF.

De acordo com a Polícia Federal, são investigadas suspeitas da prática de crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos praticados por organização criminosa.

Vorcaro havia sido preso pela primeira vez na noite de 17 de novembro, em São Paulo, quando se preparava para embarcar num voo para o exterior. Foi solto dez dias depois.

Vorcaro tinha grupo de WhatsApp com servidores do BC, pagava propina e viagem à Disney, diz PF

LUCAS MARCHESINI, JOSÉ MARQUES E ADRIANA FERNANDES-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mantinha um grupo em aplicativo de mensagens com o ex-diretor de Fiscalização do BC (Banco Central) Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-servidor Belline Santana.

Segundo a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, ambos atuavam como consultores privados de Vorcaro para assuntos relacionados ao BC e recebiam propina por isso. Entre os pagamentos, a decisão menciona uma viagem a Disney feita por Souza cujo guia foi pago pelo dono do Master
O documento cita também a simulação de um contrato de consultoria com a empresa Varejo Consultoria Empresarial para justificar pagamentos para Santana.

De acordo com a decisão, há diversas comunicações entre Vorcaro e Souza nas quais o banqueiro "solicitava orientações estratégicas sobre a condução de reuniões institucionais, a elaboração de documentos e a abordagem de temas sensíveis perante autoridades regulatórias".

Nessas conversas, o ex-diretor "chega a dar sugestões a Daniel Vorcaro sobre como deve se comportar em reunião com o presidente do BC". Na época, a autoridade monetária era presidida por Roberto Campos Neto.

O mesmo acontecia com o Belline Santana. Assim, segundo a decisão de Mendonça, os dois articulavam dentro do BC os interesses do Banco Master.

Isso acontecia a partir da influência na análise de processos administratibos, fornecimento de informações sobre procedimentos em curso e a indicação de estratégias para contornar dificuldades regulatórias enfrentadas pelo Master.

Em algumas situações, aponta o documento, Vorcaro recebia alertas previos sobre movimentações financeiras que o BC tinha identificado em seus sistemas de monitoramento, o que o permitia adotar medidas para mitigar os questionamentos futuros.

Para facilitar a comunicação entre Vorcaro e os dois servidores do BC, foi criado um grupo de mensagens. Nele, aponta o relatório de Mendonça, eram compartilhados documentos e informações.

No caso do ex-diretor Paulo Sérgio de Souza, aponta Mendonça, há indícios de que ele intermediava ou auxiliava o Banco Master em operaçõeas societárias e financeiras, chegando a indicar potenciais interessados na compra de uma instituição financeira vinculada ao grupo de Daniel Vorcaro. Ele também teria atuado como interlocutor informal entre o banqueiro e agentes do mercado.

Já em relação a Belline Santana, o relatório de Mendonça aponta contatos telefônicos entre ambos em diversas ocasiões, o que indicaria a intenção de evitar registros por escrito, e encontros fora das dependências do BC. Nesses encontros, era discutido como o Banco Master deveria se portar diante das cobranças da autoridade monetária.

Mensagens no celular do Vorcaro citam plano de assalto para intimidar jornalista

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A decisão de prender novamente o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, nesta quarta-feira (4), foi tomada porque a Polícia Federal encontrou no celular do empresário mensagens que citam uma tentativa de assalto contra um jornalista como forma de intimidação. O nome do jornalista não foi revelado.

O banqueiro foi preso preventivamente (sem tempo determinado) em nova fase da Operação Compliance Zero. A ordem partiu do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), relator das investigações sobre o caso Master.

Mendonça avaliava a decisão desde a última sexta-feira (27). A informação é de que ele recebeu pouco material da PF até o momento.

No material recebido por Mendonça, não há indício de envolvimento dos advogados de Vorcaro no esquema de ameaça ao jornalista.

Também não há menção a ligações de Vorcaro com Dias Toffoli ou Alexandre de Moraes.

O ministro tarjou o nome do jornalista no processo, mas o profissional foi informado. Depende dele agora abrir a informação.

Foi constatada invasão indevida de sistemas, inclusive da própria PF, MPF (Ministério Público Federal) e falsificação de documentos públicos. Foi simulada a assinatura de membro do Ministério Público.

Um grupo chamado de "A Turma", liderada por uma pessoa com o apelido "Sicário", fez ameaças a integridade física também de outras pessoas.

Há também suspeita de agentes públicos envolvidos: dois ocupantes de altos cargos no Banco Central, que auxiliavam Vorcaro e atendiam interesses dele. Os dois foram afastados do cargo pela decisão.

Como mostrou a Folha, nesta quarta-feira foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais. As investigações contaram com o apoio do Banco Central.

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