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Marinho diz que Bebianno e demissão de Moro o motivaram a acusar Flávio

Marinho diz que Bebianno e demissão de Moro o motivaram a acusar FlávioFoto: Ellan Lustosa/Código19/Estadão Conteúdo

O empresário Paulo Marinho deixa a Superintendência da Polícia Federal, na zona portuária do Rio de Janeiro, após depoimento

Portal Uol - 26/05/2020 - 22:54:50

O empresário Paulo Marinho, que prestou hoje mais um depoimento à Polícia Federal, disse que a memória de seu "saudoso amigo" Gustavo Bebianno, morto em 14 de março, e a demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça o motivaram a acusar o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) de ter sido informado sobre uma investigação contra seu ex-assessor, Fabrício Queiroz, antes de seu desdobramento.

A declaração foi uma resposta a um jornalista que o questionou sobre a demora em revelar os fatos. "Tive duas motivações: primeiro, a memória do meu saudoso amigo Bebianno, que poderia estar falando o que estou falando agora. A segunda motivação foi o episódio da demissão do ministro Moro. Achei que o meu episódio se encaixa no dele", justificou Marinho na saída da sede da PF no Rio de Janeiro.

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Ele também informou que os delegados a quem prestou depoimento também pediram uma perícia em seu celular. O empresário deverá voltar à PF na próxima quinta-feira (28) para entregar o aparelho, já que hoje, por conta de outras operações que estão sendo deflagradas pela polícia, não seria possível analisá-lo.

Mais cedo, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão no Palácio das Laranjeiras, residência oficial do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC-RJ). São apurados indícios de desvios de recursos públicos originalmente destinados para o combate ao novo coronavírus.

"Pediram a perícia porque eles acreditam que meu celular tem alguma coisa que possa colaborar. Eu não acho nada, os delegados acham que precisa periciar meu celular", disse Marinho. "Também autorizei que tivessem acesso à nuvem para que pudessem buscar todas as informações que talvez não estivessem disponíveis no celular [agora]", completou.

O empresário ainda disse não se sentir "nem um pouco intimidado" com as ameaças que vem recebendo, mas acrescentou que agora, após seu último depoimento, a história é um capítulo encerrado em sua vida. "Não tenho nada a acrescentar na narrativa que eu dei. É página virada. Não tenho inimigos, não trabalho com gabinete do ódio. Minha missão como cidadão está cumprida", concluiu.

Entenda o caso

Em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, publicada na Folha de S.Paulo em 16 de maio, Marinho —que fez parte da campanha de Jair Bolsonaro (sem partido) à Presidência— acusou Flávio Bolsonaro de ter acesso antecipado à informação de que seu ex-assessor parlamentar, Fabrício Queiroz, seria alvo de uma operação da Polícia Federal.

À época das declarações, o senador disse que a acusação de Marinho era uma "invenção de alguém desesperado e sem votos". O empresário, que é presidente do PSDB no Rio de Janeiro, também é pré-candidato à prefeitura da capital fluminense.

O depoimento de hoje é o terceiro que Marinho dá sobre o caso —o segundo à PF. O primeiro foi concedido na última quarta-feira (20), também na Superintendência da PF no Rio; o segundo aconteceu no dia seguinte, na sede do Ministério Público Federal (MPF) na capital fluminense. O órgão também abriu um procedimento investigatório criminal para apurar as denúncias.

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