×
ContextoExato

Contexto Exato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 17 de maio de 2022

Menina escreve carta para amiga denunciando padrinho por estupros no Ceará: 'Não aguento mais'

Menina escreve carta para amiga denunciando padrinho por estupros no Ceará: 'Não aguento mais'Foto: Facebook

Mãe da jovem registrou o caso na polícia após descobrir a carta que relatava os abusos sofridos. Crime ocorreu na residência do padrinho da vítima.

G1ce - 11/12/2019 - 18:06:45

O padrinho de uma jovem do município de Ubajara, interior do Ceará, é suspeito de estuprar a própria afilhada. A mãe da vítima afirmou que descobriu o caso somente após após ler uma carta na qual a adolescente relatava os abusos sofridos durante todo o ano para uma colega de escola. Um boletim de ocorrência foi registrado pela mãe da adolescente e a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) afirma que está investigando o caso.

De acordo com a mulher, que trabalha de forma autônoma nas festividades de diversos municípios do estado, em uma das viagens, na cidade de Sobral, no mês passado, ela, ao organizar os pertences da filha em uma bolsa, descobriu uma carta escrita à mão em que há o desabafo da jovem sobre as violências sofridas. “No papel, ela disse tudo o que estava passando. Eu não tinha ideia de que isso poderia estar acontecendo. Ela nunca havia me falado nada”, disse.

A adolescente, conforme a autônoma, foi estuprada na residência do padrinho, marido da irmã da mulher. Ela informou que, por conta do trabalho, desde quando nasceu, a filha é deixada na casa dos padrinhos.

“Ela sempre ficou lá. Por causa das viagens, geralmente ela ficava durante toda a semana na casa deles e, na sexta-feira, eu a buscava, para ficar conosco, com o pai e o irmão dela. Eu deixava ela na casa da minha irmã. Eles eram os padrinhos dela. Ele era como se fosse o segundo pai para ela, que viu minha filha crescer.”

Na carta, a jovem faz um pedido de socorro para uma amiga. Ela afirma que os abusos aconteceram quando ela era criança e também neste ano. “Amiga, eu não aguento mais! Eu te disse naquele dia que o abuso aconteceu só quando eu era criança, mas não foi, não. Esse ano todo, eu sofri com esse monstro que é o meu 'padrinho' e eu não consigo mandar ele parar por medo de ele machucar o meu irmão. Eu sofri esse tempo todo calada, sem coragem de contar para alguém, até que decidi falar para ti", desabafou a vítima na carta.

A adolescente afirma também que já não aguenta mais a violência sofrida e que, por isso, decidiu se pronunciar. “Eu já não aguentava mais, amiga. Eu não quero mais sofrer. A única vez que não sofro é quando estou com minha mãe, quando estou longe daquele monstro.”

A mãe da jovem disse que, ao ler a carta, perplexa, decidiu primeiramente conversar com a filha que, de prontidão, confirmou tudo o que estava escrito: “Eu a chamei para conversar no quarto e ela, ao me abraçar, chorando, me disse que tudo era verdade. Eu pensei que ele tinha tocado nela, mas não que tinha consumado o ato. ”

Após conversar com a filha, a mulher afirmou que levou a adolescente a um ginecologista para, assim, ter provas sobre o que aconteceu. Nos exames, o laudo médico comprovou que havia sinais recentes de relações sexuais. “Minha filha tem 14 anos, na época, tinha 13, mas é uma criança. Ela nem havia menstruado ainda. É uma menina que só ia da escola para casa e vice-versa”, disse a mãe da menina.

Ao reportar o caso para a irmã, a mulher afirmou que, apesar de ter acatado a denúncia, a irmã ainda continua morando com o suspeito. “Ela ficou triste quando eu falei para ela sobre o caso, cheguei a conversar nos dias seguintes, até aconselhando-a. Mas, depois de um tempo, não falei mais com ela. Eu acreditava que quando todo mundo soubesse, ninguém iria apoiar mais ele. Ela disse que tem vergonha de mim e da minha família por causa de tudo o que aconteceu, mas quem deveria ter vergonha é ele. Para mim, ele não é mais nada da minha filha. Ele é um monstro!”

A autônoma alegou que registrou o caso na Delegacia Municipal de Ubajara, mas que, até agora, apenas a filha e as colegas prestaram depoimento, mas que ela não foi chamada para para ser ouvida, bem como também o suspeito não foi notificado pela Polícia sobre as acusações:

“Eu não entendo, pois já temos todos os documentos. Eu pensei que ele seria chamado. Nós não temos condições de pagar um advogado, mas já solicitei orientações para um profissional, pois eu espero que ele seja preso", afirmou.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) afirmou que inquérito policial foi instaurado na Delegacia Municipal de Ubajara para que o caso de estupro de vulnerável seja investigado. O órgão informou ainda que A Polícia Civil enviará o inquérito ao Poder Judiciário.

Comentários para "Menina escreve carta para amiga denunciando padrinho por estupros no Ceará: 'Não aguento mais'":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório
Influenciadora digital compartilha a rotina de viver com a Doença de Crohn

Influenciadora digital compartilha a rotina de viver com a Doença de Crohn

Lorena fala que durante a adolescência se sentia isolada e até excluída, mas viu na internet um refúgio. Ela revela que demorou um tempo para falar sobre a doença e sua deficiência.

Especialista em finanças lança obra voltada a mulheres que querem independência financeira

Especialista em finanças lança obra voltada a mulheres que querem independência financeira

Para a escritora, a obra é necessária porque ajuda as mulheres a trilhar um caminho de mentalidade financeira abundante

No Dia das Mães, mulheres falam sobre adoção monoparental no Brasil

No Dia das Mães, mulheres falam sobre adoção monoparental no Brasil

A chamada adoção solo tem as mesmas regras do processo biparental

Mujeres Fuertes: Mães venezuelanas recebem apoio para conquistar autonomia no Brasil

Mujeres Fuertes: Mães venezuelanas recebem apoio para conquistar autonomia no Brasil

Conciliar família, trabalho e estudo é uma tarefa inevitável para mulheres mundo afora. Em Manaus, mães venezuelanas têm ganhado apoio em sua jornada

Bolsonaro sanciona Plano de Enfrentamento à Violência contra a Mulher

Bolsonaro sanciona Plano de Enfrentamento à Violência contra a Mulher

Lei integra a Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social

Filme recupera a luta feminista pós-ditadura

Filme recupera a luta feminista pós-ditadura

O filme dá ideia perfeita da trajetória e das dificuldades dessa luta.

Meninas melhoram desempenho em matemática e se igualam a meninos

Meninas melhoram desempenho em matemática e se igualam a meninos

É o que revela estudo feito pela Unesco

Banco Mundial e cidades brasileiras em parceria contra violência de gênero

Banco Mundial e cidades brasileiras em parceria contra violência de gênero

Em 2006, a lei brasileira Maria da Penha trouxe o reconhecimento e a responsabilização criminal da violência contra a mulher, mas ainda existem muitos desafios a serem superados

Mulheres negras são 65% das trabalhadoras domésticas no país

Mulheres negras são 65% das trabalhadoras domésticas no país

Maioria recebe menos que um salário mínimo e não tem carteira assinada

Professoras da USP criam projeto de mentoria para mulheres economistas

Professoras da USP criam projeto de mentoria para mulheres economistas

Objetivo é ajudar jovens profissionais a entrar no mercado de trabalho

Rayssa Leal conquista ouro e sobe pela primeira vez no pódio do X-Games

Rayssa Leal conquista ouro e sobe pela primeira vez no pódio do X-Games

Antes da medalha de Rayssa, o Brasil havia conquistado outras duas com Gui Khury, de 13 anos