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Meu pet sumiu! E agora?

Meu pet sumiu! E agora?Foto: Arquivo pessoal

Especialistas explicam por que é tão importante identificar os animais de estimação e ensinam como agir caso o seu bichinho se perca

Bruna Yamaguti* - Correioweb - 28/02/2021 - 18:11:03

Bichinhos de estimação são como parte da família. Sabem ser leais e dar amor de forma genuína e, até mesmo, terapêutica. Por isso, só quem já passou por uma situação de perda desses companheiros sabe como é torturante a dor da incerteza. A identificação dos pets torna-se essencial para a segurança dos animais e para a tranquilidade dos donos, em caso de alguma fuga inesperada.

A maquiadora Luiza Guedes, 22 anos, conta que perdeu seu gatinho há cinco anos e, apesar de ter procurado incessantemente com a família, não o encontrou. “Na época, a gente saiu batendo de porta em porta, perguntando se alguém o tinha visto, porque era um gatinho filhote, então achamos que ele não teria ido muito longe. Também fizemos cartazes, mas não o achamos”, lamenta a jovem.

Heloí Fernandes só encontrou Capitão Sirius graças à identificação na coleira -  (crédito: Arquivo pessoal)

Heloí Fernandes só encontrou Capitão Sirius graças à identificação na coleira - (crédito: Arquivo pessoal)

O drama de um bichinho que se perde, infelizmente, nem sempre tem final feliz. Acostumados com a criação dentro de casa, a maioria dos animais domésticos não consegue se virar nas ruas nem achar o caminho de volta. Alguns têm a sorte de encontrar alguém que os acolha, mas, se não estiverem identificados, as chances de voltarem para seus lares diminuem drasticamente.

Especialistas explicam que, além de facilitar na hora das buscas, identificar os bichinhos previne que eles se tornem reféns dos perigos do abandono. “Com o estreitamento das relações entre pets e donos, a distância prolongada pode ser prejudicial à saúde dos animais. Os que ficam na rua não sabem procurar abrigo e comida, além de ficarem vulneráveis a acidentes, brigas com outros animais e maus-tratos. Os que são acolhidos, geralmente, estranham muito, sofrem de tristeza, saudade, medo. Alguns ficam dias sem sequer se alimentar”, explica a médica veterinária Rebecca Gonçalves.

“Recomendo que o pet seja treinado ao uso da coleira desde filhote. Primeiro, uma bem leve, fazendo a transição para a definitiva, conforme o crescimento do animal. Mantenha aproximadamente um dedo de folga, para não apertar ou escapar”, aconselha a profissional.

Amiga do imprevisto

Olívia e Ciano estão sempre com a coleira com o telefone e o Instagram da tutora
Olívia e Ciano estão sempre com a coleira com o telefone e o Instagram da tutora (foto: Arquivo pessoal)

Capitão Sirius, um vira-lata muito simpático, pôde se encontrar novamente com sua dona depois de se perder em um parque na Octogonal. Heloí Fernandes, 27 anos, conta que perdeu o bichinho de vista enquanto brincavam e até achou que alguém o tivesse roubado, por ser um animal muito manso. O reencontro só foi possível graças à coleirinha do cachorro, que tinha o número da dona.

“Costumo deixar o Capitão solto para correr e brincar com os amigos. Ele é bem tranquilo, adora explorar. Um dia, eu o perdi de vista. Chamei e ele não voltou. Procurei por horas na Octogonal, e nada. Estava sem meu celular na hora, então, depois de um tempo, resolvi voltar pra casa e ver se alguém tinha me ligado. Graças a Deus, uma moça o achou e ligou para mim várias vezes para avisar que estava com ele”, conta Heloí.

“A gente nunca acha que o cachorro vai fugir ou desaparecer. O Capitão costuma ir longe, mas sempre volta pra mim. Nesse dia, por conta de uns segundos, ele desapareceu. Se não fosse a identificação na coleira dele, talvez eu nunca o tivesse encontrado”, pontua a jovem, que optou por identificar o cãozinho desde o momento da adoção. “Ele usa até em casa.”

A arquiteta Liliane Almeida, 28, tem dois gatinhos, Olívia e Ciano. Os dois possuem coleiras com o número do celular e o Instagram da dona. “Certos tipos de cuidado nunca são demais, não tenho nem saúde mental para perder algum bichinho (risos). Nem se um deles quisesse muito se perder, eu não ia deixar.”

Microchip e GPS

Além das coleiras tradicionais, há outros recursos mais tecnológicos para identificar os bichinhos de estimação. A microchipagem, por exemplo, consiste em um componente eletrônico revestido por uma cápsula de vidro, que é implantado próximo à nuca do animal. O recurso não fornece a localização geográfica, mas oferece segurança em caso de roubo ou perda do bichinho, uma vez que, se levado a uma clínica veterinária, um leitor de escâner poderá fazer a leitura dos dados contidos no chip, como nome, endereço e número telefônico dos donos.

Além disso, o microchip pode armazenar informações importantes de vacinas, medicações e histórico clínico do animal, facilitando bastante na hora de consultas ou emergências. A aplicação do dispositivo é rápida e indolor, feita através de uma seringa esterilizada. Em alguns países, a microchipagem em animais é obrigatória.

“O microchip é, nada mais nada menos, do que o CPF e/ou RG do animal. Serve como uma identificação vitalícia e uma segurança para os tutores depois de implantado”, explica o diretor da empresa Microchip Animal, Paulo Cinerman. “O preço. no Brasil, varia de R$ 16 a R$ 25 cada, dependendo do tamanho”, completa o empresário.

Outro recurso utilizado para ajudar na identificação dos animais são os rastreadores com GPS, geralmente acoplados às coleiras. Por meio deles, os tutores podem acompanhar onde os pets estão em tempo real, por meio de um aparelho smartphone. Essa é uma ótima ferramenta para quem não quer perder o companheiro de vista, possibilitando monitorar e resgatar o animal com muita facilidade.

Opções não faltam para assegurar que o bichinho não se perca por aí, mas, caso uma situação adversa venha a acontecer, Rebecca dá algumas dicas: “A internet tem sido uma boa aliada na busca de animais perdidos. Hoje, existem muitos grupos que divulgam cães e gatos desaparecidos. Ao anunciar, é importante mencionar quando e onde ele se perdeu. Também é válido procurar veterinários e pet shops da região. No caso dos cães, dar uma boa volta nos locais habituais de passeio também pode ajudar”.

*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte

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