Michelle Bolsonaro chama o ministro Alexandre de Moraes de 'irmão em Cristo'

Michelle Bolsonaro chama Alexandre de Moraes de 'irmão em Cristo'

Michelle Bolsonaro chama o ministro Alexandre de Moraes de 'irmão em Cristo'
Michelle Bolsonaro chama o ministro Alexandre de Moraes de 'irmão em Cristo'

Isadora Albernaz E Carolina Linhares-brasília, Df (folhapress) - 20/05/2026 19:27:38 | Foto: Ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) - PL Mulher/Divulgação

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro brincou ao chamar na terça-feira (19) o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de "irmão em Cristo" ao comemorar uma autorização dada pelo magistrado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar.

"Nosso ministro... Vou profetizar aqui, porque Deus transformou Saulo em Paulo. Nosso irmão em Cristo, Alexandre de Moraes, liberou o cabeleireiro, e ele [Bolsonaro] está com aquele cabelinho cortadinho, jogadinho, aqueles olhos azuis brilhantes", disse Michelle, ao fazer uma referência bíblica.

Na sequência, Michelle disse que, "brincadeiras à parte", sua atuação política nos últimos anos não mirou uma candidatura nacional, mas, sim, a eleição do maior número de mulheres pelo Brasil.

"Quero falar para vocês que aceitei um desafio muito grande de percorrer o Brasil. E não era porque eu queria uma candidatura nacional, não. Eles falam, eles nem sabem o que falam. Nós percorremos um ano para que a gente pudesse fortalecer e tivesse tempo para eleger o maior número de mulheres pelo Brasil", afirmou.

As declarações foram dadas durante o lançamento da pré-campanha da doceira Maria Amélia, pré-candidata a deputada federal pelo PL do Distrito Federal e de quem Michelle é amiga.

A ex-primeira dama foi uma das principais articuladoras da ofensiva pela prisão domiciliar humanitária do marido. Ela se encontrou em mais de uma ocasião com Alexandre de Moraes, relator da trama golpista no Supremo, para pedir que o ministro autorizasse a transferência da Papudinha.

Em 23 de março, a ex-primeira-dama foi até o gabinete de Moraes para reforçar o pedido. Um dia depois, o magistrado concedeu a medida. Na época, Bolsonaro estava internado para se recuperar de uma broncopneumonia nos dois pulmões.

A domiciliar foi autorizada inicialmente por 90 dias, até a recuperação completa do ex-presidente.

"O bônus é de todos aqueles que foram até o STF, até o ministro Alexandre de Moraes, interceder por essa prisão domiciliar. Não tem uma pessoa que tirou o Bolsonaro do batalhão. São várias. Todos aqueles que intercederam em oração e pessoalmente junto ao ministro", declarou Michelle depois de receber o marido em casa.

Na ocasião, ela afirmou que ainda não havia necessidade de procurar novamente o ministro para pedir a extensão do prazo. Os dois voltaram a se encontrar pessoalmente e se cumprimentaram durante a posse de Kassio Nunes Marques na presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em 12 de maio, quando Michelle sentou-se ao lado da mulher de Moraes, a advogada Viviane Barci -que prestou serviços ao Banco Master.

Michelle Bolsonaro também afirmou à Folha na terça que não está se envolvendo na crise que vive a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desde que veio à tona a relação entre o senador e Daniel Vorcaro, dono do Master.

Questionada sobre estar acompanhando a situação, a ex-primeira-dama respondeu que não. "Não estou me metendo nisso, não. Tenho que cuidar do meu marido", respondeu.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, Michelle tem se dedicado à rotina de Bolsonaro em casa e reclama de sobrecarga. A atividade política como presidente do PL Mulher e o empenho à própria pré-campanha tiveram que ser redimensionados, mas Michelle ainda trabalha para emplacar suas aliadas na eleição.

Hoje, diante da dúvida de integrantes do bolsonarismo e de partidos do centrão de que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria condições de seguir com a candidatura até outubro, o nome da ex-primeira-dama foi mencionado nos bastidores como alternativa. Até agora, porém, o PL não cogita substituir o senador.

Michelle ignora Flávio e critica 'aliança com o mal' em referência a Ciro Gomes

CAROLINA LINHARES E ISADORA ALBERNAZ-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) afirmou que o PL não pode se aliar com o mal, em referência ao apoio a Ciro Gomes (PSDB) no Ceará, e ignorou o enteado Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, em um discurso de mais de 20 minutos na noite desta terça-feira (19).

Michelle participou do evento de lançamento da pré-candidatura da sua amiga Maria Amélia (PL), dona de uma rede de docerias, que vai disputar o cargo de deputada pelo Distrito Federal. No palco, a ex-primeira-dama fez campanha para os nomes que apoia no pleito de outubro, mas não mencionou rivais internos no partido e se manteve distante da crise com o caso Master que atinge Flávio.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE), que vai concorrer ao Governo do Ceará e tem o apoio de Michelle, também subiu ao palco. "Eu estou com o senhor. E, se tiver que perder, vamos perder com dignidade, mas a gente não vai fazer aliança com o mal. Aqui não é projeto de poder, aqui é transformação e libertação para o nosso povo", disse ela em referência a Ciro Gomes.

Ela mencionou ainda as candidatas ao Senado que pretende emplacar como presidente nacional do PL Mulher -Bia Kicis (PL-DF), Caroline de Toni (PL-SC) e Priscila Costa (PL-CE). Bia estava presente no evento. Michelle disse que percorreu o Brasil não porque queria ser candidata à Presidência da República, mas porque queria incentivar candidaturas femininas.

Até agora, a ex-primeira-dama não confirmou se vai concorrer ao Senado pelo DF. "Vocês nunca ouviram eu falar que queria ser presidente ou senadora, nunca. Esse é o desejo do coração do meu marido, porque eu oro. Eu não dou um passo da minha vida sem Deus responder", disse.

Por outro lado, Michelle, que cumprimentou e saudou diversas personalidades em seu discurso, ignorou o senador Izalci Lucas (PL-DF), posicionado a poucos passos de distância no palco. Izalci pretende ser candidato ao Governo do Distrito Federal pelo PL, mas a ex-primeira-dama trabalha para que o partido apoie a reeleição da atual governadora Celina Leão (PP), de quem é próxima.

Michelle enfatizou entregas feitas por ela ou pelo marido, Jair Bolsonaro (PL), quando ele ocupava a Presidência da República e fez críticas veladas ao PT e à atual primeira-dama, Janja da Silva.

"Eu poderia ficar aqui a noite toda falando o que uma primeira-dama fez sem ter sido eleita pelo povo, mas porque entendeu o seu chamado, porque tem vocação para trabalhar. Porque não precisa ficar dando entrevista, viajando, viajando e viajando", disse.

Ela afirmou ter "esperança de dias melhores para o nosso Brasil". Em certo momento, o público fez coro de "volta, Bolsonaro". Michelle não falou, contudo, sobre a eleição presidencial deste ano e não mencionou o nome de Flávio.

A ex-primeira-dama e os filhos de Bolsonaro colecionam uma série de desavenças em meio à disputa pelo espólio eleitoral do ex-presidente. A falta de engajamento de Michelle na pré-campanha de Flávio tem sido criticada pelos aliados mais ideológicos do senador, enquanto o grupo mais pragmático diz que a relação entre eles melhorou e que ela vai subir ao palanque mais adiante.

A crise gerada pela relação entre Flávio e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, agravou a situação ao reavivar especulações de que o PL pudesse substituir o senador por Michelle na disputa presidencial -hipótese por ora descartada.

Ao sair do ato político, Michelle evitou responder sobre o caso "Dark Horse". "O Flávio, você tem que perguntar para ele", disse. Mais cedo, ao falar com a Folha de S.Paulo, a ex-primeira-dama disse que não se meteria na crise e que tinha que cuidar do marido.

Em seu discurso, Michelle brincou ao chamar o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de "irmão em Cristo" ao comemorar a autorização dada pelo magistrado para que Bolsonaro cortasse o cabelo.

Ela também falou sobre a rotina doméstica com Bolsonaro cumprindo prisão domiciliar. A interlocutores Michelle se queixa de estar sobrecarregada. Seu punho direito estava com uma tala imobilizadora, e, segundo aliados, a lesão tem a ver com as atividades de cozinhar para Bolsonaro e de ajudá-lo a se movimentar desde a cirurgia que o ex-presidente fez no ombro.

Michelle ainda criticou as feministas e disse que as mulheres são submissas, ao mesmo tempo em que exaltou a força feminina.

"Nós queremos fazer uma política colaborativa e nós precisamos, não é questão de cota, é a mulher entrar na política para influenciar outras mulheres de bem. [...] Nós cremos que o mundo vai ser transformado através da força delicada da mulher. E a mulher, ela tem esse olhar especial para a política", disse.

"Nós somos submissas porque Deus amou o mundo e entregou o seu único filho por ele. O contexto da submissão é: mas vocês precisam nos amar como Deus amou o mundo, entregando o seu primogênito. E as feministas gostam de falar... Eu estou aqui, já ajudei no banho do meu amor, já deixei a sopinha dele, cozinhei milho", completou.

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