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Milhares de navios estão em risco por fraude em combustível

Milhares de navios estão em risco por fraude em combustívelFoto: Mar Sem Fim

Na tentativa de mitigar o estrago uma descoberta foi feita: Milhares de navios estão em risco por fraude em combustível

Por João Lara Mesquita - Mar Sem Fim / Estadão - 04/01/2021 - 23:00:30

É objetivo deste site trazer luz sobre os protagonistas dos oceanos. Desde cientistas que o estudam até as indústrias que dele vivem, como a da pesca e a dos transportes marítimos mundiais, passando pelos ecossistemas, a poluição, os grandes navegadores, entre muitos outros; até chegar aos frequentadores de fim de semana, somos todos protagonistas. Hoje falaremos sobre a indústria naval mundial e um escândalo que acaba de ser descoberto protagonizado pela IMO , a Organização Marítima Mundial . Tudo começou quando o graneleiro japonês MV Wakashio, que navegava da China para o Brasil ‘escalou’ um recife de coral na costa das Ilhas Maurício, provocando o pior acidente ecológico de 2020. O naufrágio aconteceu a pouco metros das praias, em meio a recifes de corais e águas prístinas. Na tentativa de mitigar o estrago uma descoberta foi feita: Milhares de navios estão em risco por fraude em combustível.

Milhares de navios estão em risco

A notícia chegou através de matéria da revista Forbes , publicada em 21 de dezembro sob o título Escândalo global de combustível tóxico para navios é revelado pelo derramamento de óleo nas Ilhas Maurício , ou Global Toxic Ship Fuel Scandal Revealed By Mauritius Oil Spill .

A farsa da indústria naval mundial se desfez com o encalhe e derramamento de óleo causado pelo navio japonês Wakashio. Uma festa de aniversário a bordo foi a causa do derrame de óleo nas Ilhas Maurício, afirmou o regulador do Panamá (bandeira do navio).

Esta atitude negligente, adiantada por este site quando comentamos o acidente em Maurício, foi confirmada pelo site www.scmp.com em matéria de 22 de dezembro. O navio, que deveria passar a 22 milhas das ilhas, aproximou-se porque havia uma festa de aniversário a bordo e oficiais e tripulação queriam ter sinal de celular. Esta foi a razão do pior acidente ambiental marítimo de 2020.

imagem do navio MV Wakashio encalhado soltando óleo
Não bastasse a negligência do comandante o combustível ainda era uma ‘bomba’ mortal. Imagem, https://www.scmp.com/.

Numa atitude, no mínimo negligente, o capitão e oficiais não tinham cartas náuticas detalhadas das ilhas, nem tomaram qualquer outra providência. Apenas aproximaram-se de tal forma que acabaram por ‘escalar’ um recife de coral a poucos metros da praia, em plena luz do dia e com mar de almirante!

Acidente atine em cheio sítio Ramsar

Pior, o navio se partiu nos recifes de Pointe d’Esny, uma área úmida classificada sítio Ramsar (zona úmida classificada como local de importância ecológica internacional ao abrigo da Convenção sobre as Zonas Úmidas de Importância Internacional), como o vizinho Blue Bay Marine Park também ameaçado.

Mas no centro deste escândalo está um novo combustível experimental usado em grandes navios transoceânicos.

O nome do combustível, Very Low Sulfur Fuel Oil or VLSFO , em tradução livre, Óleo Combustível com Muito Baixo Enxofre. Na verdade o VLSFO não passa de uma mistura de produtos químicos perigosos a ponto de ser apelidado de ‘ Frankenstein Fuel ’ por ONGs.

Os problemas da indústria marítima mundial

Faz tempo que este site alerta para dois sérios problemas provocados intencionalmente nos mares do planeta. E ignorados pela mídia nacional. Ambos são liderados por indústrias globais fortes. Uma é a da pesca oceânica que, com subsídios que atingem US$ 35 bilhões de dólares ao ano , depredam o que resta da vida marinha impunemente.

A outra, é a indústria de transportes marítimos e a poluição que provocam ao usarem combustíveis altamente poluentes. O caso que agora veio à tona é ainda mais escandaloso. A fraude foi descoberta no momento em que a ONU pede que todos os países membros declarem emergência climática e neutralidade em emissões.

imagem do navio MV Wakashio encalhado em Maurício
Imagem, https://www.scmp.com/.

Combustível considerado ‘bomba química’ autorizado pela IMO

Pior que isso, o escândalo envolve a IMO, Organização Marítima Mundial, uma agência da ONU, em cujo site está escrito: ‘agência especializada das Nações Unidas responsável pela segurança e proteção dos navios e pela prevenção da poluição marinha e atmosférica por navios. O trabalho da IMO apoia os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU’.

A IMO é tão ‘sustentável’ como a indústria mundial da pesca e seus subsídios.

Indústria marítima mundial na mira dos formadores de opinião

Faz tempo que líderes mundiais pedem mudanças urgentes nos combustíveis usados pela indústria naval. Não por outro motivo foi formado o grupo Ocean Elders , um grupo global independente integrado por alguns dos titãs da conservação marinha como Sylvia Earle , James Cameron, Sir Richard Branson, o príncipe Albert, de Mônaco, Ted Turner, e Jean-Michel Cousteau, entre outros pesos pesados.

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