No Dia Mundial dos Refugiados, Guterres pede solidariedade e proteção

Mais de 117 milhões de pessoas encontram-se deslocadas à força em todo o mundo enfrentando barreiras legais, administrativas e práticas no acesso ao trabalho digno; António Guterres lança apelo à proteção de todos os deslocados por conflitos e perseguições

No Dia Mundial dos Refugiados, Guterres pede solidariedade e proteção
No Dia Mundial dos Refugiados, Guterres pede solidariedade e proteção

Agência Onu News - 20/06/2026 07:56:53 | Foto: © Unicef/Royena Rasnat

Este 20 de junho é o Dia Mundial dos Refugiados. A data, declarada pela Assembleia Geral da ONU, destaca a força e a coragem das pessoas obrigadas a fugir dos seus países de origem por perseguições, violência, conflitos e guerras. Este ano, o tema é “Até que todos estejam em segurança.”

Segundo a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, até o fim do ano passado, havia 41,6 milhões de refugiados, 9 milhões requerentes de asilo e 68,7 milhões deslocados internos. Essas são as pessoas que fogem de violência e se abrigam em outras áreas de seu próprio país.

Guterres apela à solidariedade renovada
Com o aumento de conflitos armados à escala global, um número cada vez maior de mulheres, crianças e homens é forçado a deslocar-se em busca de segurança, longe dos seus lares.

Para o secretário-geral da ONU, António Guterres, “estes tempos turbulentos devem ser um momento de solidariedade renovada e de ação robusta para proteger as pessoas deslocadas por conflitos e perseguições”.

Ele afirmou que a comunidade internacional deve reforçar o apoio “a todos os que foram forçados a fugir, bem como aos países e comunidades que os acolhem”.

Crises agravam o problema
De acordo com a ONU, cerca de sete em cada 10 refugiados provêm de apenas um pequeno número de países: Venezuela, Territórios Palestinos, Ucrânia, Síria, Afeganistão, Sudão e Sudão do Sul.

O Sudão continua também a ser a maior crise de deslocação interna do mundo, com mais de 9 milhões de pessoas deslocadas dentro do país.

Os últimos conflitos elevaram o número de iranianos e libaneses obrigados a fugir do fogo cruzado. A recente escalada já forçou mais de um milhão de pessoas a abandonar suas casas.

Integração e trabalho digno
Num momento em que os deslocamentos atingem níveis recorde, a Organização Internacional do Trabalho, OIT, destaca o papel crítico da inclusão no mercado de trabalho para a segurança duradoura dos refugiados e deslocados em todo o mundo.

A agência sublinha que estes continuam a enfrentar barreiras legais, administrativas e práticas no acesso ao trabalho digno, ao reconhecimento de competências, à proteção social e à igualdade de tratamento no emprego.

“O acesso ao trabalho digno é essencial, não apenas para os refugiados e outras pessoas deslocadas à força, mas também para apoiar as comunidades de acolhimento, promover a coesão social e apoiar um desenvolvimento económico inclusivo”, afirma Gladys Cisneros, chefe da Unidade de Migração Laboral da OIT.

“Até que todos estejam em segurança”
O Acnur pretende mobilizar as gerações mais jovens para recuperar e defender o asilo como um bem global partilhado e um pilar da proteção internacional.

O tema “Até que todos estejam em segurança”, recorda a relevância duradoura da Convenção de 1951 sobre os Refugiados, responsável pela definição do estatuto dos refugiados e dos seus direitos ao abrigo do direito internacional.

“Essa promessa era universal e foi concebida para perdurar. Foi pensada para os nossos avós, para nós e para todas as gerações futuras”, como disse o alto-comissário do Acnur, Barham Salih.

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