FAO alerta para riscos crescentes de doenças animais transfronteiriças

Aumento da circulação de animais, pessoas e produtos impulsiona propagação de doenças entre regiões do mundo; as patologias representam riscos para a segurança alimentar, o comércio e os meios de subsistência.

FAO  alerta para riscos crescentes de doenças animais transfronteiriças
FAO  alerta para riscos crescentes de doenças animais transfronteiriças

Agência Onu News - 16/06/2026 09:19:10 | Foto: © FAO Divulgação

O aumento da propagação de doenças animais transfronteiriças tem aumentado a pressão sobre os sistemas de prevenção e resposta dos países, que enfrentam a disseminação de doenças e pragas com maior rapidez.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, FAO, sublinha o risco de doenças como a gripe aviária, a febre aftosa, a peste suína africana, bem como outras ameaças zoonóticas emergentes, como o hantavírus dos Andes, o Ébola e o vírus Nipah.

O setor pecuário sustenta mais de mil milhões de pessoas
De acordo com a FAO, os setores pecuários globais sustentam mais de mil milhões de meios de subsistência e contribuem com biliões de dólares em valor económico todos os anos.

A agência das Nações Unidas destaca que a proteção da saúde animal é crucial para os agricultores e produtores pecuários, contribuindo ainda para a segurança alimentar, o comércio, a estabilidade económica e a prosperidade rural.

Os fatores que impulsionam a propagação das doenças estão a tornar-se cada vez mais complexos, sublinha a FAO, que destaca o aumento da circulação de animais, pessoas e produtos, a alteração dos sistemas de produção, as pressões ambientais e a desigualdade na capacidade veterinária e de vigilância.

Novas ameaças exigem reforço da prevenção e vigilância
A FAO sublinha que a resposta a estas ameaças exige uma vigilância mais forte, deteção mais precoce, maior partilha de informação e uma cooperação internacional mais estreita.

Tiensin Thanawat, diretor-geral adjunto da FAO, afirmou que os impactos dos surtos não se limitam à saúde animal. Estes “perturbam a produção agrícola, o comércio e o turismo, ameaçam os meios de subsistência, aumentam os riscos para a segurança alimentar e, em alguns casos, representam riscos diretos para a saúde humana”, declarou o responsável.

Os impactos económicos das doenças animais transfronteiriças são substanciais, associados a perdas nas ordens de milhões ou biliões de dólares anuais, o que sublinha a importância da sua prevenção.

Agência apela ao investimento na saúde animal
Segundo a FAO, a prevenção e a preparação dos serviços veterinários continuam a ser os instrumentos mais eficazes e menos dispendiosos para reduzir os impactos associados aos surtos de doenças animais.

“A experiência mostra-nos de forma consistente que a prevenção e a preparação são mais eficazes e menos dispendiosas do que responder depois de um surto já se ter instalado”, afirmou Beth Bechdol, diretora-geral adjunta da FAO.

A responsável reforça a necessidade de investimento nos sistemas de saúde animal e outros meios eficazes de “proteger os meios de subsistência, apoiar o comércio, reforçar a segurança alimentar e melhorar a resiliência dos sistemas agroalimentares”, concluiu.

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