Realizado no auditório do MPDFT, evento mostrou os primeiros resultados da pesquisa. Medida atende a uma Recomendação da Prodema
Secretaria De Comunicação Do Mpdft - 30/06/2026 15:53:47 | Foto: Secretaria de Comunicação do mpdft
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) sediou, nesta sexta-feira, 26 de junho, a audiência pública de apresentação do relatório técnico parcial do projeto de monitoramento de capivaras no Distrito Federal. A iniciativa, desenvolvida pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e pela Universidade Católica de Brasília (UCB), em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e a Secretaria de Saúde (SES), atende à Recomendação nº 7/2025, expedida pela 4ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e do Patrimônio Cultural (Prodema), que orienta a adoção de medidas para reduzir conflitos entre capivaras e a população, especialmente na região do Lago Paranoá.
Na abertura do evento, a promotora de justiça Luciana Bertini, da Prodema, destacou que os resultados apresentados contribuirão para orientar decisões baseadas em evidências sobre o manejo das capivaras e a convivência entre a fauna silvestre e a população. "Quando o Ministério Público fez a recomendação e mencionou a cerca-guia, a proposta sempre foi identificar os pontos críticos para evitar atropelamentos, preservando a flora e a fauna. Essa conectividade precisa ser preservada, porque é um conceito fundamental para a biodiversidade", afirmou.
Resultados parciais
A coordenadora do projeto, professora da UCB Morgana Bruno, apresentou os resultados preliminares e explicou que a iniciativa busca compreender a dinâmica da espécie para subsidiar estratégias que conciliem a preservação ambiental e a convivência entre a fauna silvestre e a população.
Segundo ela, o monitoramento registrou variações sazonais na população de capivaras. Na orla do Lago Paranoá, foram contabilizados 475 animais durante o período de seca, em agosto de 2025, e 317 no período chuvoso, em janeiro de 2026. Conforme a equipe de pesquisa, essa oscilação ocorre em razão do deslocamento natural dos grupos ao longo do ano.
Os pesquisadores também destacaram que, até o momento, não há indícios de uma superpopulação de capivaras na região do Lago Paranoá. Atualmente, o monitoramento abrange a orla do lago, o Parque Ecológico de Águas Claras e o Jardim Zoológico de Brasília, além de análises sobre a conectividade entre diferentes populações no Distrito Federal.
Febre maculosa e próximas etapas
Outro eixo da pesquisa investiga a circulação de bactérias causadoras da febre maculosa. As análises sorológicas realizadas até o momento não identificaram evidências da Rickettsia rickettsii, responsável pela forma mais grave da doença, nas amostras analisadas.
O estudo também contempla análises genéticas, identificação de corredores ecológicos, mapeamento de áreas com maior risco de atropelamentos e desenvolvimento de protocolos que poderão subsidiar futuras ações de manejo.
Os resultados apresentados servirão de base para as próximas etapas da pesquisa e para a definição de medidas de manejo, entre elas a identificação das áreas de maior concentração de capivaras e de suas rotas de deslocamento, a implantação de corredores de fauna, cercas-guia, sinalização e ações de educação ambiental voltadas à prevenção de acidentes e à proteção da fauna silvestre.
Também participaram do evento Marcos João da Cunha, superintendente de Unidades de Conservação, Biodiversidade e Água do IBRAM; Rodrigo Santos, biólogo do IBRAM; e Giovanna de Carvalho, professora da UCB. Durante as apresentações, foram abordados diferentes aspectos do projeto, incluindo o monitoramento da fauna silvestre, os estudos sobre zoonoses, os desafios para o manejo ético das capivaras e a importância da atuação integrada entre os órgãos públicos e as instituições de pesquisa.
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