Uma das intervenções mais aplaudidas foi a de Iara Bernardi, ex-deputada federal e atual vereadora de Sorocaba pelo PT de São Paulo
Reportagem De Maria José Rocha Lima - 01/07/2026 12:03:36 | Foto: Maria José Rocha Lima
O Encontro Nacional de Parlamentares Municipais e Estaduais do Brasil reuniu lideranças políticas de diferentes regiões do país para debater a participação política das mulheres e a produção legislativa voltada à igualdade de gênero. A Mesa 2 teve como tema “A participação política das mulheres e produção legislativa para a igualdade de gênero no país”, destacando a importância das leis de proteção, da ampliação da presença feminina nos parlamentos e da defesa das conquistas já alcançadas.
Uma das intervenções mais aplaudidas foi a de Iara Bernardi, ex-deputada federal e atual vereadora de Sorocaba pelo PT de São Paulo. Reconhecida como uma das parlamentares pioneiras na formulação e aprovação de leis em defesa das mulheres, Iara relembrou sua trajetória legislativa e a importância de transformar a dor e a denúncia em políticas públicas concretas.
Entre as iniciativas destacadas está a chamada Lei do Primeiro Minuto, que obriga o atendimento imediato às mulheres vítimas de violência sexual no Sistema Único de Saúde. A legislação representa um marco na garantia de acolhimento, proteção e acesso a serviços essenciais logo após a violência, sem impor à vítima novos constrangimentos ou obstáculos burocráticos.
A deputada federal Erika Kokay, do PT do Distrito Federal, também participou do debate e chamou atenção para uma das formas mais cruéis de violência contra as mulheres: a violência vicária. Segundo ela, muitos agressores atingem mulheres por meio do sofrimento causado a filhos, familiares, amigos ou pessoas próximas. O assassinato de filhos ou parentes, usado como instrumento de vingança e dominação, revela a brutalidade de uma violência que ultrapassa o corpo da mulher, mas tem nela o alvo principal.
As parlamentares defenderam ainda o fortalecimento das cotas para mulheres no parlamento, como instrumento necessário para enfrentar a sub-representação feminina na política brasileira. A avaliação comum foi a de que não há democracia plena enquanto as mulheres continuarem ocupando espaços minoritários nos locais onde se decidem leis, orçamentos e políticas públicas.
Durante o encontro, foi ressaltada a necessidade de avançar sem abrir mão das conquistas anteriores. Para as participantes, cada lei de proteção às mulheres nasceu de muita luta, mobilização social e atuação parlamentar comprometida. Por isso, qualquer tentativa de retrocesso deve ser enfrentada com organização, presença política e unidade.
O debate reforçou que a igualdade de gênero não é uma pauta setorial, mas uma condição para o aperfeiçoamento da democracia brasileira. Mais mulheres na política significam mais direitos, mais proteção, mais justiça social e uma produção legislativa mais conectada com a vida real da população.
O encontro reafirmou, ao final, que a defesa das mulheres exige coragem política, memória das lutas já travadas e compromisso permanente com novas conquistas.
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