O cidadão precisa de serviços públicos eficientes e integrados, mas o que vemos é uma falta de coordenação entre os órgãos e uma abordagem fragmentada
Por Agnelo Queiroz E Jacy Afonso - Revista Fórum - 22/02/2026 08:06:00 | Foto: Anderson Parreira/Agência Brasília
Brasília tem tudo para ser a melhor cidade do Brasil em serviços públicos digitais, mas ainda está longe disso. A capital tem órgãos federais, universidades, empresas de tecnologia e pessoas qualificadas, mas o atendimento ao cidadão é complicado e fragmentado. O governo do DF lançou um aplicativo, o eGDF, com 49 serviços, mas é pouco comparado a outros estados que oferecem centenas de serviços integrados.
O problema é que o DF não tem uma política digital consistente e focada no cidadão. O eGDF é insuficiente para atender às necessidades da população. O cidadão precisa de serviços públicos eficientes e integrados, mas o que vemos é uma falta de coordenação entre os órgãos e uma abordagem fragmentada.
Os principais problemas:
– Falta de ambição: o eGDF oferece poucos serviços e o cidadão precisa ir de um site para outro para resolver problemas. Isso é um obstáculo para quem trabalha em horário comercial, depende de transporte público ou não tem tempo para lidar com a burocracia.
– Falta de integração: os órgãos não se comunicam e o cidadão precisa fornecer informações repetidas. Isso é um desperdício de tempo e recursos.
– Falta de transparência: não há indicadores claros de desempenho e o cidadão não sabe como o governo está fazendo. Isso dificulta a avaliação e a melhoria dos serviços.
O que o DF precisa fazer:
O DF tem potencial para liderar o governo digital no Brasil, mas precisa priorizar o atendimento ao cidadão e ter ambição para oferecer serviços de qualidade. Isso não é apenas uma questão de tecnologia, mas de compromisso com a eficiência e a transparência.
Além disso, o DF precisa reconhecer que a política digital é uma oportunidade para impulsionar o desenvolvimento econômico e social da região. Serviços públicos eficientes e integrados podem atrair investimentos, gerar empregos e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.
A capital do país não pode se contentar com uma política digital tímida. O DF precisa ter uma visão clara e ambiciosa para o futuro, com metas e objetivos definidos para melhorar o atendimento ao cidadão. Isso exigirá liderança, coordenação e compromisso com a eficiência e a transparência.
Em resumo, o DF precisa de uma política digital madura e focada no cidadão. Isso exigirá mudanças significativas na forma como o governo opera e se relaciona com a população. Se feito corretamente, o DF pode se tornar um modelo de governo digital para o Brasil e melhorar a vida de seus cidadãos e cidadãs.
O futuro do DF depende da capacidade de inovar e se adaptar às necessidades dos cidadãos. A política digital é uma oportunidade para criar um futuro melhor para todos. Vamos aproveitar essa oportunidade e fazer do DF um exemplo de governo digital para o Brasil.
*Agnelo Queiroz é ex-governador do Distrito Federal.
*Jacy Afonso é ex-presidente do Partido dos Trabalhadores do Distrito Federal.
**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.
Comentários para "Política Digital no DF: Por que não somos a referência em atendimento ao cidadão e à cidadã?":