Nas praias, devotos lotavam a faixa de areia e as pedras para jogar no mar as oferendas para Iemanjá, sobretudo flores
Yuri Eiras E João Pedro Pitombo Rio De Janeiro, Rj, E Salvador, Ba (folhapress) - 02/02/2026 18:04:08 | Foto: © TOMAZ SILVA/AGÊNCIA BRASIL
Popular em Salvador, com festa no bairro de Rio Vermelho que movimenta a cidade e o turismo todos os anos, o dia de Iemanjá -2 de fevereiro- entrou para o calendário oficial do Rio de Janeiro.
Organizadores de uma festa na praia do Arpoador (na zona sul) tentam emplacar a celebração como evento popular na capital fluminense.
No Rio, Iemanjá é tradicionalmente celebrada por casas de umbanda e candomblé na virada do ano. Foi a partir da década de 1950 que associações de umbanda passaram a organizar grandes giras nas praias cariocas para saudar a orixá durante a chegada do novo ano.
Um dos principais organizadores das festas religiosas de fim de ano foi o líder da umbanda e compositor Tancredo da Silva Pinto, o Tata Tancredo. Redescoberto por pesquisadores da religiosidade no Rio, Tancredo será enredo da Estácio de Sá no carnaval deste ano.
Também é tradicional a procissão do dia 29 de dezembro no Mercadão de Madureira, zona norte do Rio.
A popularização da festa de Salvador impulsionou a data também no Rio. Até a década passada a celebração de 2 de fevereiro era organizada na praça Mauá (no centro) pelo Afoxé Filho de Ghandi do Rio, inspirado no Filhos de Ghandy baiano.
Na praia do Arpoador, a festa de 2 de fevereiro inicialmente era tocada pelo produtor cultural William Vorhees e o compositor João Nabuco.
Em 2023, o músico Marcos André passou a organizar evento paralelo no mesmo local. A celebração ganhou patrocínio do governo federal, prefeitura e setor privado -há apoio do Hotel Arpoador.
Organizações culturais, como o Samba Jongo, e religiosas, como o Ilê Axé Onixêgun, também passaram a apoiar o novo evento.
Já a celebração organizada por Vorhees e Nabuco teve a última edição em 2024.
Este ano, o prefeito Eduardo Paes (PSD) sancionou um projeto de lei de seus correligionários Átila Nunes (PSD) e Flávio Valle (PSD) que declara o evento Iemanjá no Arpoador como patrimônio cultural de natureza imaterial da cidade. A data também entrou no calendário de eventos.
A festa nesta segunda-feira (2) começou às 10h no Arpoador, com rodas de candomblé na rua e apresentações de samba. A programação tem giras de umbanda até a noite.
A entrega de presente nas águas aconteceu à tarde. A orientação dos organizadores foi para que o público evitasse oferecer frascos de vidro, plástico ou objetos de madeira.
"É uma saudação à Rainha do Mar, à sua morada e às forças da natureza. Somente flores e frutas são oferecidas nas águas", afirma Pai Dário, do Ilê Axé Onixêgun.
O calendário prevê celebrações na praia do Flamengo, Barra da Tijuca e Sepetiba desta segunda (2) até domingo (7). A Coordenadoria de Diversidade Religiosa da prefeitura mobilizou equipes para facilitar a logística e a limpeza de praias que recebem algum tipo de celebração.
Em Salvador, as celebrações começaram na madrugada, quando fogos de artifício riscaram os céus do Rio Vermelho. A alvorada marcou o início da principal festa religiosa de matriz africana do país, mas as ruas já estavam apinhadas antes disso.
Nas praias, devotos lotavam a faixa de areia e as pedras para jogar no mar as oferendas para Iemanjá, sobretudo flores. Barqueiros levavam grupos de turistas para deixar os presentes em áreas mais distantes da rebentação.
Nas primeiras horas da manhã, o público se reuniu no entorno da colônia de pescadores, onde o povo de santo do candomblé celebrou Iemanjá com cânticos acompanhados por atabaques.
Fiéis fizeram filas para entrar na Casa de Iemanjá, que também faz parte da colônia de pescadores, para rezar e reverenciar as dezenas de imagens da divindade africana que compõem o altar do local.
Neste ano, a proximidade da data com o fim de semana criou uma espécie de Carnaval antecipado nas ruas da cidade. No sábado (31), milhares de pessoas se reuniram no desfile dos Palhaços do Rio Vermelho.
As festas prosseguiram ao longo do domingo (1º), varando a madrugada até o início da programação religiosa. Neste ano, o tema da festa foi "Yemanjá: a Mãe que Ilumina a todos nós."
A tradição da entrega do presente à orixá no Rio Vermelho foi iniciada em 1923, após um ano de pouca fartura. Na ocasião, um grupo de pescadores decidiu consultar os orixás por meio dos búzios para entender a falta de peixes. Foram orientados a pedir ajuda e presentear Iemanjá.
Desde então, a entrega do presente se repete todo 2 de fevereiro, em uma festa reconhecida como Patrimônio Cultural de Salvador.
Além da parte religiosa, a festa é marcada pela apresentação de bandas de sopro e percussão e grupos folclóricos pelas ruas do Rio Vermelho, além de festas privadas em bares e casas de show.
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