A inelegibilidade de oito anos de Francischini em razão da condenação começou a contar a partir da data do primeiro turno da eleição de 2018 (7 de outubro), seguindo até esta quarta-feira (7).
Catarina Scortecci-curitiba, Pr (folhapress) - 07/10/2026 10:57:04 | Foto: Dálie Felberg/Alep
Primeiro parlamentar cassado pela Justiça Eleitoral por espalhar fake news, Fernando Francischini (PL) irá voltar à Câmara dos Deputados em 2027. Ele foi eleito com 53.207 votos no domingo (4), assim como o filho, o deputado federal Felipe Francischini (Pode), que obteve 106.907 votos e conseguiu ser reeleito.
Assim, pai e filho estarão na bancada do Paraná, que tem 30 vagas. Embora hoje estejam em partidos diferentes e tenham feito campanhas independentes, ambos são bolsonaristas e romperam com o grupo do atual governador, Ratinho Junior (PSD), para ajudar na campanha do senador Sergio Moro (PL), eleito governador.
Na Assembleia Legislativa, Moro contará com duas deputadas estaduais ligadas à família Francischini na sua base aliada. A esposa de Fernando, Flávia Francischini (PL), foi reeleita deputada estadual, e Lu Bonatto (Pode), mãe de Felipe Francischini, vai estrear na Assembleia Legislativa. Ela foi eleita com 39.738 votos. Flávia obteve 63.831 votos.
Fernando e Flávia fizeram campanhas conjuntas. E Felipe fez a dobradinha com a mãe, Lu Bonatto.
Nacionalmente, Fernando Francischini se tornou conhecido como o primeiro parlamentar cassado pelo TSE, no final de 2021, por espalhar fake news. Em 2018, no dia da eleição, ele fez uma live dizendo que duas urnas estavam fraudadas e aparentemente não aceitavam votos no então candidato Jair Bolsonaro, o que não era verdadeiro.
Naquele ano de 2018, Francischini ocupava o cargo de deputado federal, mas concorria a um assento na Assembleia Legislativa. Terminou como candidato mais votado na disputa em seu estado, com mais de 400 mil votos. Mas, em 2021, o plenário do TSE o condenou por uso indevido dos meios de comunicação, além de abuso de poder político e de autoridade, e seu mandato na Assembleia Legislativa foi cassado.
A inelegibilidade de oito anos de Francischini em razão da condenação começou a contar a partir da data do primeiro turno da eleição de 2018 (7 de outubro), seguindo até esta quarta-feira (7).
Pela nova legislação, o que passa a valer para determinar se um candidato pode disputar o pleito é se ele está inelegível ou não na data de diplomação dos candidatos eleitos -que em 2026 deve acontecer até 18 de dezembro.
DOBRADINHAS DE SUCESSO, OU NEM TANTO
Além da família Francischini, outros parlamentares do Paraná, todos filiados a partidos de direita ou do centrão, também fizeram dobradinhas com parentes nestas eleições, algumas repetindo as mesmas configurações de pleitos anteriores.
O deputado federal Ricardo Barros (PP) e sua filha, a deputada estadual Maria Victoria (PP), foram reeleitos domingo. Assim como o deputado federal Toninho Wandscheer (PP) e seu filho Alisson Wandscheer (PP), reeleitos para a Câmara e para a Assembleia Legislativa, respectivamente.
Filiados ao PL, o deputado federal Vermelho e o deputado estadual Matheus Vermelho, pai e filho, também foram reeleitos.
O deputado federal Paulo Litro (União) foi reeleito na Câmara e o deputado estadual Adão Litro (PSD), tio de Paulo, foi reeleito na Assembleia Legislativa.
Outras dobradinhas geraram vitórias parciais. A deputada estadual Cristina Silvestri (PP) ficou como suplente na Câmara, mas seu filho Cesar Silvestri (PP), ex-deputado estadual, foi eleito para a Assembleia Legislativa.
A deputada estadual Mabel Canto (PP) foi reeleita, mas seu pai, o ex-deputado estadual Jocelito Canto (PP), ficou como suplente na Câmara.
A vereadora de Curitiba Delegada Tathiana Guzella (PL) conseguiu se eleger deputada estadual, mas seu marido, o deputado estadual Delegado Tito Xerifão (PL), ficou apenas como suplente na Câmara.
O ex-vereador de Curitiba Alexandre Leprevost (Republicanos) ficou como suplente de deputado federal, mas o seu irmão, o deputado estadual Ney Leprevost (Republicanos), foi reeleito.
Também há casos em que a dobradinha saiu integralmente derrotada das urnas.
O ex-deputado federal Alex Canziani (Avante) não conseguiu se eleger deputado estadual e sua filha, a deputada federal Luísa Canziani (União), ficou apenas como suplente na Câmara.
O deputado federal Dilceu Sperafico (PP) ficou como suplente na Câmara e seu filho, Natan Sperafico (PP), como suplente de deputado estadual.
Além disso, o casal Boca Aberta (Republicanos), ex-deputado federal, e Mara Boca Aberta (PL), ex-vereadora de Londrina, não se elegeram para a Câmara e para a Assembleia Legislativa, respectivamente.
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