Projeto Bença Cariri conecta arte, território e saberes tradicionais na Chapada do Araripe

A residência artística vai beneficiar por meio de edital, 8 artistas e agentes culturais com auxílio financeiro

Projeto Bença Cariri conecta arte, território e saberes tradicionais na Chapada do Araripe
Projeto Bença Cariri conecta arte, território e saberes tradicionais na Chapada do Araripe

Por geovanni Carvalho - Portal Brasil De Fato - 09/05/2026 08:17:53 | Foto: Projeto reúne artistas e comunidades em vivência que conecta saberes ancestrais e práticas contemporâneas. | Luiz na Nuvem

Aos pés da Chapada do Araripe, no coração do Cariri cearense, o projeto de residência artística “Bença Cariri – Um encontro com a terra” acontece a partir do dia 9 de maio e propõe uma imersão que articula práticas artísticas contemporâneas com saberes ancestrais, promovendo o encontro entre artistas, mestres e mestras da cultura popular, comunidades tradicionais e o território sociobiodiverso da região. A residência é estruturada a partir de três eixos metodológicos: Conexão Chão, Conexão Caminhos da Chapada e Conexão Bença, que orientam experiências ligadas à terra, à natureza e às vivências comunitárias.

A dimensão comunitária e ancestral do projeto também é destacada por Vanda Kariri, mulher indígena, educadora e participante da iniciativa. Para ela, a residência representa um espaço de fortalecimento cultural e político. “Falar da cultura, da ancestralidade e da espiritualidade do povo Kariri no território em que vivemos é de suma relevância. Essa troca e vivência fortalecem a nossa luta e resistência”, afirma.


Vanda reforça ainda a importância da visibilidade dos povos originários na região. “O povo Kariri existe nesse território, está vivo e continuará resistente, lutando com toda a sua força ancestral por seus direitos, pela força de sua cultura e pela resistência de sua ancestralidade”, conclui.

Com foco na valorização dos saberes locais e na relação entre arte e natureza, a residência “Bença Cariri” se apresenta como um espaço de criação, troca e celebração, fortalecendo práticas culturais enraizadas no território e ampliando o diálogo entre tradição e contemporaneidade.


Idealizado pela artista Francynne Galdino, o projeto nasce de uma motivação afetiva e territorial. Segundo o produtor executivo Nyck Wállace, a proposta parte de uma relação íntima com a história e a cultura do Cariri.


“O projeto Bença Cariri parte do encontro com a artista Francynne Galdino, que foi a proponente e tem uma forte relação afetiva com o pai, mestre da cultura popular, o mestre Galdino, que infelizmente nos deixou. Isso se traduz na proposta de devolver ao território sociobiodiverso da Chapada do Araripe uma conectividade entre fazedores de cultura, artistas, produtores e pessoas que precisam ter essa conexão mais aflorada”, explica.

Ainda de acordo com o produtor, a residência utiliza o encontro como uma espécie de tecnologia social. “A vivência parte do encontro como um mecanismo para aprofundar relações a partir de experiências no território da Chapada do Araripe e do Cariri como um todo”, afirma.

Wállace destaca que o próprio nome do projeto carrega um significado simbólico, em que essa bênção surge como uma devolutiva, no sentido de abençoar, verbo tão presente na vida do caririense. “A palavra que melhor traduz essa proposta é ‘conexão’, ligada à sacralidade que se busca ofertar e ao ato de doar tempo para viver e experienciar o Cariri, produzindo novos olhares e ampliando as possibilidades das artes”, completa.

O projeto também busca incentivar a interdisciplinaridade por meio de intercâmbios e experimentações que dialogam com culturas quilombolas, indígenas e populares. Além disso, há um compromisso com a inclusão e a diversidade. “O edital prevê reserva de vagas para pessoas negras, indígenas, mães solo e pessoas com deficiência, ampliando o acesso e fortalecendo a diversidade no campo artístico”, destaca Wállace.

A residência contempla atividades formativas e práticas, como oficinas de pigmentos naturais, modelagem em barro, vivências em comunidades tradicionais da Chapada do Araripe, além de ateliês de criação, acompanhamento de processos e apresentação pública dos resultados. Podem participar da residência pessoas físicas maiores de 18 anos, residentes no Ceará, com atuação comprovada em áreas como artes visuais, dança, teatro, música, audiovisual, literatura expandida e práticas curatoriais, entre outras linguagens. Além disso, o projeto selecionará oito artistas que serão beneficiados com uma bolsa no valor de R$ 2 mil, sendo priorizadas candidaturas do Cariri, considerando a realização das atividades presenciais no território.

A programação será desenvolvida em formato híbrido, com encontros presenciais e virtuais, envolvendo processos de formação, criação artística e imersão territorial. Ao final, as(os) participantes deverão sistematizar suas produções por meio de registros e portfólios, culminando em uma apresentação pública. As atividades ocorrerão principalmente em espaços culturais, comunitários e áreas de campo no Cariri. O edital não prevê, inicialmente, custeio integral de transporte, hospedagem ou alimentação para participantes de outras regiões, podendo haver orientações complementares para apoio logístico.

Fortalecimento da cena local e incentivo a novos artistas

Inserido em uma cena cultural já consolidada e diversa, o projeto busca somar às iniciativas existentes. “Dentro da cena cultural do Cariri, que é rica e marcada por múltiplas conexões, o Bença Cariri chega para fortalecer, agregar e potencializar, sem concorrer com os demais. A proposta também dá ênfase a artistas em início de trajetória, oferecendo, muitas vezes, a primeira experiência de residência artística”, ressalta o produtor. Wállace também aponta que a composição da equipe reflete esse compromisso com o território, já que grande parte dos integrantes do projeto é formada por mulheres e pessoas do próprio território, o que também orientou a curadoria.

Entre sementes, raízes e cores, o fazer artístico nasce do contato direto com a terra. | Crédito: Luiz na Nuvem

A dimensão comunitária e ancestral do projeto também é destacada por Vanda Kariri, mulher indígena, educadora e participante da iniciativa. Para ela, a residência representa um espaço de fortalecimento cultural e político. “Falar da cultura, da ancestralidade e da espiritualidade do povo Kariri no território em que vivemos é de suma relevância. Essa troca e vivência fortalecem nossa luta e resistência”, afirma. Vanda reforça ainda a importância da visibilidade dos povos originários na região. “O povo Kariri existe nesse território, está vivo e continuará resistente, lutando com toda a sua força ancestral por seus direitos, pela força de sua cultura e pela resistência de sua ancestralidade”, conclui.

Com foco na valorização dos saberes locais e na relação entre arte e natureza, a residência “Bença Cariri” se apresenta como um espaço de criação, troca e celebração, fortalecendo práticas culturais enraizadas no território e ampliando o diálogo entre tradição e contemporaneidade.

Editado por: Camila Garcia

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