O terminal marítimo de passageiros do porto de Cabinda
Diário Do Povo Online - 17/04/2026 11:28:36 | Foto: Diário do Povo Online
Nos últimos anos, empresas chinesas têm construído em Angola uma série de projetos sociais “pequenos e bem planejados”, abrangendo áreas como transporte, comércio e habitação. Essas iniciativas contribuem de forma precisa para superar limitações de desenvolvimento local e destacam o princípio de colocar as pessoas em primeiro lugar na cooperação Sul-Sul.
Terminal marítimo de passageiros
A província de Cabinda é separada do restante de Angola por outro país, e, por muito tempo, o deslocamento e o transporte de mercadorias de seus 800 mil habitantes dependeram de embarcações antigas herdadas do período colonial. Antes, uma viagem de Cabinda até a capital Luanda podia levar mais de 70 horas no mar.
Em abril de 2022, foi inaugurado o terminal marítimo de passageiros do porto de Cabinda, construído pela China Energy Engineering Gezhouba Group. Com uma área total de cerca de 4.300 metros quadrados, o terminal integra serviços de transporte de passageiros, comércio e escritórios, além de contar com cais de embarque e estacionamento. Novos catamarãs reduziram o tempo de viagem para apenas 8 horas.
Desde sua entrada em operação, o terminal já transportou mais de 150 mil passageiros. Dados indicam que o tempo de circulação comercial entre Cabinda e o restante do país foi reduzido em 60%.
O presidente de Angola, João Lourenço, afirmou na cerimônia de inauguração que o projeto facilitou a mobilidade e impulsionou o emprego e o desenvolvimento econômico e social. Durante sua construção e operação, mais de 1.500 empregos foram gerados para a população local.
Centros comerciais de capital chinês
Luanda tem mais de 8,8 milhões de habitantes — cerca de um quinto da população do país —, mas a infraestrutura comercial por muito tempo permaneceu atrasada, baseada principalmente em barracas e pequenos mercados rudimentares. Com experiência consolidada em desenvolvimento comercial, empresas chinesas passaram a planejar e construir mais de dez centros comerciais na cidade.
O outlet comercial construído pela China Railway 20 Bureau Group Angola ocupa mais de 100 mil metros quadrados e inclui lojas, bancos, restaurantes, armazéns e áreas de hospedagem, integrando cultura, comércio e turismo. Um morador local comentou: “O centro comercial virou um novo marco da cidade, todos gostam muito”.
Atualmente, esses centros comerciais reúnem milhares de lojistas, sendo mais de 60% locais, e já criaram mais de 5.000 empregos. Ao redor deles, formaram-se também cadeias de serviços como alimentação e logística.
Nova cidade de Quilamba
Com o rápido crescimento populacional, o centro antigo de Luanda passou a abrigar mais de 20 vezes sua capacidade planejada, e mais de 60% dos moradores vivem em favelas, enfrentando problemas como falta de água, energia e condições sanitárias precárias. O déficit habitacional no país chega a 1,8 milhão de moradias, sendo mais de 40% apenas em Luanda.
Nesse contexto, a nova cidade de Quilamba, construída pela CITIC Construction, surgiu nos arredores da capital. O projeto abrange uma área total de 54 km², sendo o maior empreendimento social já realizado por empresas chinesas em Angola. Na primeira fase, foram construídas 20 mil unidades habitacionais, além de 24 creches, 17 escolas, 2 estações de tratamento de água, 1 estação de tratamento de esgoto e 400 km de vias.
Até o final de 2024, mais de 70 mil famílias já haviam se mudado para a nova cidade, formando uma comunidade estável de cerca de 200 mil habitantes. Uma família local relatou que abriu uma oficina de reparos e agora tem renda estável: “Saímos de casa direto para ruas asfaltadas, e em 10 minutos a pé chegamos à escola e ao supermercado”.
O governo angolano já elevou a nova cidade à categoria de unidade administrativa municipal, e o modelo vem sendo replicado em outras províncias como Benguela e Huambo. Ao todo, 12 projetos semelhantes preveem a construção de mais de 500 mil moradias, com potencial para beneficiar cerca de 800 mil famílias.
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