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Rafael Parente. Militarização necessária de escolas

Rafael Parente. Militarização necessária de escolasFoto: Correio Braziliense

Não adianta a gente chegar com ações de mediação de conflito, meditação… Em alguns lugares, o remédio precisa ser mais forte, pelo menos de forma temporária”

Por Ana Viriato-correio Braziliense - 09/04/2019 - 11:33:34

Em meio à onda de militarização de escolas, o secretário de Educação, Rafael Parente, argumentou que a implementação do projeto em 40 dos 693 colégios do Distrito Federal tornou-se necessária devido ao aumento dos índices de violência nos centros de ensino. “Não adianta a gente chegar com ações de mediação de conflito, meditação… Em alguns lugares, o remédio precisa ser mais forte, pelo menos de forma temporária”, pontuou, ontem, em entrevista ao CB.Poder, uma parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília.


O senhor acha que a troca do comando do Ministério da Educação afeta o DF de alguma forma?

A gente sabe que o MEC está com uma série de atrasos e isso estava afetando o DF. Tenho sido muito demandado pelas mães em redes sociais. Elas dizem: “Minha filha está até hoje sem os livros”. Tento explicar que é um programa federal. Isso tem acontecido com várias políticas importantes da União. É uma pena, porque nossa educação está muito atrasada.

Na semana passada, o senhor se envolveu em uma polêmica com o secretário de Fazenda, André Clemente, a respeito da compra de computadores para professores e alunos. Foi resolvido?

A gente lançou um plano estratégico chamado Educa DF, com cinco bandeiras. Numa delas, que fala sobre inovação, garantimos computadores a todos os professores da rede distrital, o que, inclusive, é uma promessa de campanha do governador Ibaneis Rocha. Também dissemos que daremos computadores aos alunos do Ensino Médio. É um plano para quatro anos e, não, seis meses ou um ano. Vamos migrar, principalmente no ensino médio, dos livros físicos para os digitais. É uma estratégia para manter os jovens no Ensino Médio. Se eles o concluírem, poderão levar os laptops.

A reação de André Clemente deixa claro que alguns compromissos de campanha de Ibaneis vão esbarrar na falta de recursos?

Temos que entender que existem momentos e papéis. O governador Ibaneis fez um planejamento e promessas de campanha alinhadas a essa proposta. Ele pretende cumpri-las. O secretário de Fazenda tem uma expectativa de que todos do governo estejam atentos às questões orçamentárias. Todos tinham uma expectativa de que o Brasil sairia dessa crise econômica no início do ano e de que deslancharíamos muito mais rapidamente. Acho que o colega está aflito e tem razão. Mas resolvemos a questão.

Em relação às escolas militarizadas, a crítica de educadores é que você acaba, pelas regras, podando a criatividade dos alunos. O senhor discorda disso?

O que falo, inclusive para as mais progressistas na educação que têm ficado com raiva de mim por eu ter defendido essa causa, é que precisamos sair do lugar de onde estamos e ir até o lugar de fala. Vários colégios têm pedido para se transformar em escolas de gestão compartilhada. Por que isso? Porque temos uma realidade lá, da qual as pessoas estão muito cansadas, de violência e agressividade. Não adianta a gente chegar com ações de mediação de conflito, meditação… Em alguns lugares, o remédio precisa ser mais forte, mesmo que seja de forma temporária.

Quantas escolas precisam desse padrão militarizado no DF?

São cerca de 40 centros de ensino. Uma das bandeiras do Educa DF é sobre as escolas que queremos. Mapeamos os locais que mais precisam da nossa ajuda. São 190. Desses, cerca de 40 têm problemas sérios quanto à violência. Uma escola de Samambaia que havia trocado os portões há um mês já tinha marcas de cinco tiros. As pessoas precisam entender que a realidade que vivemos na universidade, nas nossas casas, no Plano Piloto, não é a realidade de vários lugares do Distrito Federal.

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