Relatório de 40 cientistas atesta urgência de ação diante da rápida evolução da IA

Tecnologia está avançando do reconhecimento passivo de padrões para raciocínio ativo e ação autônoma; Painel Científico Internacional independente, formado pela ONU, reuniu evidências para subsidiar decisões políticas; copresidentes do grupo falaram sobre riscos de sistemas que escapam do controle humano

Relatório de 40 cientistas atesta urgência de ação diante da rápida evolução da IA
Relatório de 40 cientistas atesta urgência de ação diante da rápida evolução da IA

Felipe De Carvalho / Agência Onu News - 03/07/2026 16:28:54 | Foto: Unsplash/Aidin Geranrekab

O secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou a publicação do primeiro relatório do Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial, IA.

O documento, divulgado nesta quarta-feira, foi produzido por um grupo de 40 especialistas reunidos pela ONU e vai subsidiar o Primeiro Diálogo Global sobre Governança da IA, que começa na próxima segunda-feira, em Genebra.

Evidências científicas
O líder das Nações Unidas apelou aos países para que “não percam tempo” e comecem a usar estas evidências científicas já.

Segundo Guterres, “quanto mais a IA avança sem regras compartilhadas, menos influência governos e pessoas terão sobre o resultado”. O relatório ressalta que a inteligência artificial evoluiu rapidamente do reconhecimento passivo de padrões para o raciocínio ativo e a ação autônoma.

O secretário-geral descreveu o painel como um grupo “único e extraordinário”, por ser a primeira entidade científica totalmente independente dedicada a analisar o verdadeiro impacto da IA nas economias e sociedades, separando fatos de mentiras.

Os dois copresidentes do painel, a jornalista filipina e ganhadora do prêmio Nobel da Paz, Maria Ressa, e o cientista da computação franco-canadense, Yoshua Bengio, também participaram do lançamento.

Três constatações alarmantes
Ecoando as palavras de Guterres, Maria Ressa afirmou que, a partir desse relatório, o mundo não pode mais afirmar que “não sabia” sobre os benefícios e riscos que esta tecnologia pode causar.

Ela ressaltou que “os perigos são muito reais e estão acontecendo agora”, enfatizando três constatações alarmantes: o ritmo de desenvolvimento só aumenta, há uma grande concentração de poder e não há garantias sobre a capacidade humana de controlar a IA.

A jornalista destacou ainda a preocupação com o “envenenamento” das informações que alimentam uma sociedade, numa era de inteligência artificial generativa, que pode gerar desinformação de forma rápida, barata e personalizada.

Para Maria Ressa, “sem fatos não há verdade, sem verdade não há confiança, e sem esses três elementos não existe realidade compartilhada”.

IA agindo de forma enganosa
Yoshua Bengio, por sua vez explicou que a missão do painel é garantir que decisões políticas sejam informadas pelos padrões mais elevados de integridade científica, livres de pressões externas e preferências.

Ele disse que o mundo atravessa um ponto de virada onde as máquinas estão se tornando mais inteligentes e desbloqueando um poder capaz de gerar muitos benefícios.

Porém, o cientista disse que ainda não existem garantias técnicas de que os sistemas de inteligência artificial vão seguir instruções, normas e leis.

Segundo ele, evidências cada vez maiores indicam o contrário, que a IA age de forma enganosa para burlar o controle humano.

Bengio acredita que os próximos passos devem ser tomados em conjunto pelos países para moldar o desenvolvimento da inteligência artificial, colocando-o numa direção benéfica.

Para o cientista, as decisões tomadas hoje sobre IA vão ter consequências duradouras para indivíduos, empresas, instituições, democracias e talvez, mais além.

*Felipe de Carvalho é jornalista da ONU News.

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