Pesquisa revela também que uma em cada duas não sabe onde buscar apoio; representante do secretário-geral sobre Violência contra Crianças afirma que os menores estão pagando um alto preço todos os dias; inteligência artificial agrava ameaça
Agência Onu News - 12/03/2026 07:43:51 | Foto: Agência Onu News
O bullying cibernético ou intimidação na internet está afetando dois terços das crianças no mundo. O dado consta de um relatório das Nações Unidas sobre Violência contra Crianças apresentado, na terça-feira, em Genebra, sede do Conselho de Direitos Humanos.
Segundo o levantamento, uma em cada duas crianças vítimas do bullying cibernético não sabe como obter o apoio adequado. Para a ONU, é preciso agir rapidamente e em conjunto para proteger as crianças dessas tendências consideradas alarmantes pela organização.
Inteligência artificial
A representante especial do secretário-geral ONU sobre Violência contra Crianças lembra que os menores já enfrentam ameaças crescentes com aumento de conflitos, deslocamentos, pobreza e níveis de violência física.
Para Najat Maalla M’jid, esse é um mundo desafiador no qual as crianças estão pagando o preço mais alto.
A pesquisa, que ouviu mais de 30 mil crianças de todas as regiões do mundo, enfatizou o impacto da inteligência artificial, que transformou fundamentalmente a ameaça que as crianças já enfrentavam online.
O rápido avanço e a acessibilidade da IA generativa estão remodelando o bullying cibernético, tornando-o mais rápido, mais direcionado, mais difícil de detectar e capaz de se espalhar por múltiplas plataformas em grande escala.
Vídeos deepfake
O ecossistema online hoje contém fotos e vídeos deepfake, gerados por IA e a manipulação de crianças por meio de chatbots e outras ferramentas. Muitas crianças confiam demais, ou se confundem, e não conseguem distinguir da interação humana real.
A representante especial alerta para os deepfakes de IA “são cada vez mais usados para humilhar, ameaçar e explorar crianças online”.
O relatório ressalta que as crianças têm dificuldade em denunciar o bullying online porque enfrentam estigma e medo, de serem rejeitadas pelos colegas ou julgadas pelos adultos.
O impacto da não denúncia pode ser imediato e arrasador, causando sofrimento psicológico e danos duradouros à reputação em questão de segundos. Nos casos mais trágicos, pode levar as crianças ao suicídio.
Agir para salvar as crianças
Para Najat M'jid, é preciso envolver todos os interessados no ecossistema de proteção infantil online, incluindo governos, indústria, educadores, famílias, crianças e jovens, como a única maneira de proteger as crianças de danos online, permitindo, ao mesmo tempo, uma participação digital segura.
Uma das crianças ouvidas para o relatório lembrou que "os espaços digitais não devem se tornar lugares onde o dano é relatado, mas nunca resolvido. Devem ser lugares onde a ajuda chega de forma rápida, segura e humana.
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