Secretário-geral denuncia “destruição imprudente” do ar, da água e do clima e pede urgência na proteção e restauração da natureza; planeta perde 10 milhões de hectares de florestas todos os anos; Unesco aposta em expansão de escolas verdes, que preparam alunos para moldar um futuro mais sustentável
Agência Onu News - 23/04/2026 06:55:13 | Foto: Agência Onu News
Neste 22 de abril, a ONU marca o Dia Internacional da Mãe Terra com um chamado para interromper a destruição do planeta e recuperar os ecossistemas que sustentam a vida.
As Nações Unidas defendem que a restauração da natureza e a transição para uma economia mais sustentável podem ajudar a acabar com a pobreza, combater as mudanças climáticas e prevenir a extinção em massa de animais e vegetais.
“Destruição imprudente”
Em mensagem sobre a data, o secretário-geral da ONU disse que a Mãe Terra foi generosa, mas a humanidade retribuiu com uma “destruição imprudente”, poluindo o ar, envenenando as águas e desestabilizando o clima.
António Guterres sublinhou que o planeta está soando o alarme por meio de incêndios, inundações, secas, calor letal e elevação do nível do mar.
Ele disse que as soluções existem, mas o ritmo de implementação é lento. O líder da ONU pediu o fim da dependência dos combustíveis fósseis, proteção e restauração da natureza e justiça climática.
Guterres pediu ação urgente pelo planeta, por todas as pessoas que dependem dele e por todas as gerações que estão por vir.
112 mil escolas verdes
Todos os anos, o planeta está perdendo 10 milhões de hectares de florestas, uma área maior que a Islândia.
Por outro lado, cada vez mais escolas estão promovendo uma educação que coloca os alunos em contato direto com a natureza, ampliando a consciência das gerações futuras a respeito do cuidado com o meio ambiente.
De acordo com a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, quase 112 mil escolas em 98 países tornaram-se “verdes”, sendo 32 mil delas creches, 54 mil primárias, 17 mil secundárias e 7,5 mil instituições de ensino superior.
Todas elas adotaram o padrão de qualidade das escolas verdes da Unesco, publicado em 2024. O documento estabelece requisitos mínimos para criar ambientes de aprendizagem verde em quatro dimensões: governança, instalações e operações, ensino e engajamento da comunidade local.
Exemplo que vem do Brasil
Uma das instituições desta lista é a Escola Ágora, que fica em Cotia, perto da cidade de São Paulo, no Brasil.
Situada em uma floresta, a escola utiliza a natureza como ambiente diário de aprendizagem, com os alunos passando tempo significativo ao ar livre, observando as estações do ano, a vida selvagem e os ciclos naturais.
Além disso, os estudantes operam sistemas de reciclagem, gerenciam resíduos e participam de projetos de monitoramento ambiental.
Por meio dessas experiências, os alunos desenvolvem não apenas conhecimento, mas também um senso de responsabilidade e agência, elementos-chave dentro da iniciativa de Educação para o Desenvolvimento Sustentável da Unesco.
Neste Dia Internacional da Mãe Terra, a agência realiza um conferência global online sobre o tema "Escolas Verdes por meio da Ação Coletiva", para destacar exemplos como o da Escola Ágora.
Meta para 2030
De acordo com a Chefe de Educação para o Desenvolvimento Sustentável da Unesco, “escolas verdes mostram como os sistemas educacionais podem liderar a transição para a resiliência climática”.
Julia Heiss ressalta que este modelo equipa os alunos com o conhecimento, os valores e a agência para moldar um futuro mais sustentável.
A Unesco convoca os governos e a comunidade internacional de educação a alcançarem a meta de que 50% das escolas em todos os países sejam verdes até 2030.
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