Sem poder de decisão, mulheres processam metade do pescado na América Latina

Trabalhadoras do setor têm papel fundamental em economias comunitárias de pesca artesanal; invisibilidade estatística e barreiras estruturais restringem participação ativa nos espaços de decisão

Sem poder de decisão, mulheres processam metade do pescado na América Latina
Sem poder de decisão, mulheres processam metade do pescado na América Latina

Agência Onu News - 13/05/2026 08:07:55 | Foto: ESCAP/Anthony Into

Cerca de 62% do processamento do pescado na América Latina é realizado por mulheres, cuja representação nos espaços de liderança e decisão permanece praticamente “invisível”.

A ausência da participação feminina na tomada de decisão do setor foi debatida num encontro regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, FAO.

Papel-chave nas economias comunitárias
Inserido na celebração do Ano Internacional da Mulher Agricultora, o encontro contou com a participação de especialistas, académicas e mulheres do setor.

Claudia Brito, especialista em género da FAO, destacou o papel central das mulheres enquanto “gestoras de ecossistemas, guardiãs de saberes locais e motores das economias comunitárias”.

Ecossistemas vitais
Para além de prepararem o peixe que chega às mesas de milhões de pessoas, estas mulheres conservam os mangais, ecossistemas vitais para a vida marinha.

Aracelly Jiménez, presidente da Cooperativa de Mariscadores de Chomes, na Costa Rica, destacou as jornadas de reflorestação e o esforço dos milhares de mulheres que mantêm os mangais saudáveis todos os dias.

Ela reforçou ainda a necessidade de valorização das com unidades locais e de promoção da voz das mulheres, que constituem 24% da força de trabalho total do setor na América Latina.

Invisibilidade estatística
A falta de dados desagregados por sexo no setor das pescas, o acesso limitado aos mercados formais, a ausência de mulheres nos espaços de governação e a sobrecarga de trabalho doméstico são os principais obstáculos à representação feminina nos processos de decisão do setor.

Neste sentido, Javier Villanueva, responsável de pesca e aquicultura da FAO, destaca que a agregação de dados desagregados por sexo constitui um passo imperativo para a criação de políticas orientadas para a melhoria das condições destas mulheres.

Promoção de sistemas inclusivos
Proclamado pela Assembleia Geral da ONU, o Ano Internacional da Mulher Agricultora 2026 procura dar visibilidade ao contributo das mulheres, bem como mobilizar alianças e investimentos que reduzam as desigualdades estruturais.

Já através de iniciativas como a Transformação Azul, uma visão estratégica da FAO, as Nações Unidas procuram promover sistemas alimentares aquáticos mais produtivos, sustentáveis, resilientes e inclusivos.

No seu conjunto, o encontro regional e estas iniciativas partilham um objetivo comum: o empoderamento das mulheres rurais na liderança das suas atividades profissionais e comunitárias.

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