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Sem vacina antecipada, delegados alegam que Covid-19 matou mais policiais do que o crime

Sem vacina antecipada, delegados alegam que Covid-19 matou mais policiais do que o crimeFoto: Ciete Silvério/Governo do Estado de SP

Após juíza Liliane Keyko negar pedido liminarmente, Associação dos Delegados de Polícia de São Paulo refuta busca por 'privilégio' e destaca que para a classe 'não tem home office'

Estadão Conteúdo - 22/02/2021 - 07:33:54

A Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (ADPESP) publicou nota oficial neste domingo (21) sobre decisão da 2ª Vara de Fazenda Pública, do Tribunal de Justiça de São Paulo , que negou a antecipação da vacinação da categoria. A entidade argumentou que os policiais civis não contaram com home office e que ‘morreram mais policiais pela Covid-19 do que em confronto com criminosos’. O grupo também deu destaque à sua atuação durante a pandemia: “angariou e distribuiu mais de 300kg de álcool em gel, quatro mil máscaras de tecido e 500 viseiras de acetato, quando nem o governo do estado havia se organizado para tal distribuição”.

Leia a decisão

Neste sábado (20), a juíza Liliane Keyko, da 2ª Vara de Fazenda Pública, não acolheu o pedido da associação pelo adiantamento da vacinação de delegados e policiais civis. No mandado de segurança encaminhado à Justiça, a entidade se queixava que a categoria ocupa a 11ª posição na ordem de prioridade para a aplicação do imunizante contra a Covid-19 e pleiteava pelo direito de ter a mesma preferência conferida aos profissionais de saúde. A magistrada, no entanto, considerou que não foram apresentadas justificativas razoáveis para aprovação da medida.

Na decisão, a juíza ponderou que há ‘notória escassez de imunizantes disponibilizado em escala mundial e, especialmente, no país, onde as vacinas aptas a serem distribuídas não são suficientes para abarcar toda a população elegível a recebê-las’. Explicou que por esse motivo o plano nacional de vacinação foi escalonado em fases e ressaltou que a categoria está incluída entre os grupos preferenciais, sendo, portanto, improcedente a solicitação da Associação dos Delegados de Polícia de São Paulo.

Na nota publicada neste domingo, a ADPESP argumentou que os policiais são submetidos a contato diário com criminosos presos e a ‘condições insalubres’. A entidade finalizou a nota dizendo que a antecipação da vacinação da categoria é ‘além de uma questão humanitária, (…) é também garantir o funcionamento da sociedade e da segurança da população’.

LEIA A NOTA NA ÍNTEGRA:

A ADPESP esclarece que o pedido realizado à Justiça para prioridade na vacinação dos policiais tem o objetivo de proteger os profissionais que zelam pela segurança pública e bem-estar da sociedade.

Desde o início da pandemia os policiais tem exercido suas funções ininterruptamente, sem abandonar a população. Não há home office para a polícia!

No último ano, morreram mais policiais pela Covid-19 do que em confronto com criminosos no último ano. A Polícia Civil do estado de São Paulo, que já sofre com déficit de 14 mil profissionais, precisou lidar com afastamento superior a 1.600 policiais, em decorrência da doença.

A ADPESP, durante toda a pandemia, colaborou com a Polícia Civil na preservação da saúde dos policiais. A entidade angariou e distribuiu mais de 300kg de álcool em gel, quatro mil máscaras de tecido e 500 viseiras de acetato, quando nem o governo do estado havia se organizado para tal distribuição.

A Associação também oficiou pedido para que a Administração disponibilizasse equipamentos de proteção e adequações nas delegacias, tendo em vista o ininterrupto atendimento ao público e a exposição constante dos agentes de segurança. Em paralelo, a ADPESP produziu e veiculou vídeos orientando a população sobre a ampliação dos serviços prestados pela Delegacia Eletrônica, incentivando o registro de Boletins de Ocorrência Online.

A ADPESP defende e acredita que vacinar os policiais significa proteger a sociedade e manter ativo o combate à criminalidade, que deixa de ser feito à contento com uma polícia adoecida. Muito longe de privilégio, trata-se de uma questão de reconhecimento e justiça.

As condições insalubres a que são submetidos os policiais e o contato diário com criminosos presos, são fundamentos bastantes para, ao menos, não serem preteridos por outras categorias que apenas necessitam apresentar diploma de formação, sem necessariamente atuarem na linha de frente da pandemia.

Além de uma questão humanitária, preservar a saúde dos policiais é também garantir o funcionamento da sociedade e da segurança da população.

A ADPESP seguirá lutando pela saúde e valorização do ser humano policial. #VacinaParaPoliciaisJá

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